Estados Unidos estudam a hipótese do envio de forças para o terreno, mas nunca sob a bandeira da NATO. A acontecer, serão tropas de países europeus supervisionadas pela liderança americana
Estados Unidos e Europa já começaram a planear o pós-guerra na Ucrânia, mas quem está por detrás de toda a estratégia não tem dúvidas: ainda vai demorar tempo a colocar em prática algo que funcione para todos.
E quando dizemos para todos falamos, naturalmente, da Rússia, a quem os Estados Unidos também querem agradar, vendo isso como inevitável para que se alcance a tão desejada paz duradoura.
De acordo com a agência Reuters, que cita responsáveis norte-americanos, as discussões de planeamento militar já começaram, tendo por base a proteção que os aliados querem dar à Ucrânia assim que for alcançado um acordo para o fim da guerra.
São as tais garantias de segurança que Kiev tanto reclama, e com as quais os aliados europeus foram acenar à Casa Branca. O problema é que há muitas questões ainda por responder.
Ainda segundo a Reuters, o Pentágono já está a planear formas de Washington DC continuar a ajudar Kiev. Com tropas no terreno não será, como o próprio Donald Trump garantiu, mas essa ajuda pode surgir através do fornecimento de armas.
Ainda assim, os Estados Unidos têm uma exigência a fazer à Europa e à Ucrânia: qualquer plano terá de ser viável e aceitável para o Kremlin.
Não se percebe exatamente o que isso significa, mas é uma natural e esperada abertura da administração Trump às pretensões de Vladimir Putin, que até já fez saber pelo seu ministro dos Negócios Estrangeiros que não estão em causa questões territoriais, mas sim a proteção dos direitos dos cidadãos russos e dos russófonos que vivem na Ucrânia.
Uma das opções passa pelo envio de tropas, sim, mas europeias. Forças que ficariam a cargo de um comando norte-americano, de acordo com as informações recolhidas pela Reuters. Não seriam forças a operar sob a bandeira da NATO, mas sob as suas próprias bandeiras nacionais, o que levanta dúvidas sobre a garantia similar ao artigo 5.º que até o presidente do Conselho Europeu, António Costa, defendeu.
Apesar de recusar enviar tropas para o terreno, Trump admitiu ajudar com apoio aéreo. “No que toca à segurança, [os europeus] estão dispostos a colocar pessoas no terreno, estamos dispostos a ajudá-los com isso, especialmente, provavelmente… pelo ar, porque ninguém tem as coisas que temos, não tem mesmo”, afirmou o presidente dos Estados Unidos durante uma conversa telefónica com a Fox News.
E mesmo esse apoio aéreo é algo pouco concreto, uma vez que pode vir de uma série de formas diferentes, desde mais sistemas de defesa até a uma zona de interdição de voo protegida por caças norte-americanos.
Em todo o caso, será para discutir tudo isso que os líderes militares dos países da NATO se vão encontrar esta quarta-feira de forma virtual.