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“Eu não sou icónico, a Ucrânia é que é”: entrevista CNN no bunker de Zelensky, que só volta a negociar o cessar-fogo se os bombardeamentos pararem

1 mar 2022, 19:48

Entre pedidos de mais garantias de segurança ao Ocidente e o apelo à Rússia para parar os bombardeamentos, o presidente ucraniano deixa uma garantia: "Nós lutamos e a nossa nação vai lutar até ao fim"

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky apelou à Rússia para parar com os bombardeamentos e negociar - e quer mais garantias de segurança por parte dos países da NATO. Em entrevista à CNN e à Reuters num bunker altamente militarizado em Kiev,  Zelensky apelou a que se voltasse ao ponto de “quando tudo começou, há cinco ou seis dias”, pois só assim o país se volta a sentar à mesa com a Rússia. “É pelo menos necessário parar de bombardear as pessoas, parar com os bombardeamentos e sentarmo-nos à mesa para negociar.”

As forças russas não dão sinais de abrandar. Durante a entrevista, a Rússia lançou dois mísseis sobre a torre de TV de Kiev e o cemitério de Babyn Yar, local de um dos maiores massacres de judeus durante a II Guerra Mundial. Este novo ataque russo provocou pelo menos cinco mortos.

À CNN, o presidente ucraniano reiterou os pedidos à comunidade internacional para fazer mais do que atualmente, incluindo o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea à aviação russa no leste da Ucrânia. Para Zelensky, o fornecimento à Ucrânia de armas por parte dos países da NATO e da UE, bem como as pesadas sanções impostas à Rússia, não são suficientes. “Isto não se trata de arrastar os países da NATO para o conflito. A verdade é que há muito que toda a gente tem sido arrastada para a guerra - não pela Ucrânia mas sim pela Rússia. Está a decorrer uma guerra em larga escala.”

Além do pedido formal de adesão à União Europeia assinado na segunda-feira, a Ucrânia está também a pressionar a NATO a aceitar a sua entrada, algo visto pela Rússia como inaceitável. Caso a Ucrânia não entre, Zelensky quer pelo menos garantias de segurança. “Se os nossos parceiros não estão prontos para aceitar a Ucrânia na NATO… porque a Rússia não quer a Ucrânia na NATO, devem arranjar garantias de segurança para a Ucrânia. Isto significa mantermos a nossa integridade territorial, garantir que as nossas fronteiras estão protegidas, termos relações especiais com todos os nossos vizinhos, estarmos completamente seguros, e a garantia de que quem nos dá segurança o faz legalmente”, disse o presidente ucraniano.

“Eu não sou icónico, a Ucrânia é que é icónica”

Visivelmente cansado, Zelensky afirmou que não via a família há três dias. “O meu dia típico é trabalhar e dormir.” Questionado pela CNN sobre a sua transformação de estrela de televisão em líder político, o presidente ucraniano afirmou que “não é icónico”. “É muito sério, não é um filme. Eu não sou icónico, a Ucrânia é que é icónica. É o coração da Europa e penso que agora a Europa vê a Ucrânia como algo especial para o mundo. É por isso que o mundo não pode perder algo tão especial”, vincou.

Para já, a Ucrânia tem combatido a ofensiva russa. Algo que não surpreende o seu líder. “Nós não aguentamos, nós lutamos, e a nossa nação vai lutar até ao fim. É a nossa casa, estamos a proteger a nossa terra, as nossas casas, pelo futuro das nossas crianças. Temos algo a defender, estamos a defender o nosso direito à vida. E o que é que eles, russos, estão aqui a fazer? Eles não percebem a nossa população, o nosso Estado, a nossa filosofia… não sabem nada daqui, foram mandados para aqui para matar e morrer. Portanto, somos mais fortes na nossa própria terra e seremos ainda mais fortes.”

Voltando a dirigir-se à União Europeia e à NATO, o presidente ucraniano deixou um alerta. “É muito importante saber que, se a Ucrânia cai, todas estas tropas russas estarão nas fronteiras dos vossos Estados-membros da NATO e enfrentarão o mesmo problema lá.”

Lamentando o facto de Europa e os Estados Unidos não terem aplicado sanções antes do início da invasão, Zelensky aplaude o efeito que medidas tomadas estão a ter na Rússia e apelou aos seus aliados para agirem rapidamente. “Não há muito tempo para discutir. Temos uma guerra todos os dias, precisamos de ajuda todos os dias.”

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