Ao longo dos últimos anos, a Ucrânia passou de sistemas soviéticos antigos para equipamentos ocidentais mais avançados. Tudo isto por uma razão: a Rússia tem vindo a adaptar as suas estratégias
A Ucrânia tem vindo a desenvolver um sistema cada vez mais complexo para tentar proteger o seu espaço aéreo dos ataques russos, combinando tecnologia, inteligência artificial, produção nacional e participação do setor privado.
De acordo com o tenente-coronel Yuriy Myronenko, do Ministério da Defesa da Ucrânia, citado pela BBC, o país afirma estar entre os mais avançados do mundo na defesa aérea, embora admita que a interceção de mísseis balísticos continua a ser particularmente difícil.
Ao longo dos últimos anos, a Ucrânia passou de sistemas soviéticos antigos para equipamentos ocidentais mais avançados, como os mísseis Patriot, ao mesmo tempo que desenvolveu soluções próprias de baixo custo.
Entre essas soluções estão sistemas de software como o Sky Map, que utiliza radares, sensores, câmaras e inteligência artificial para detetar ameaças e coordenar a resposta das defesas aéreas. O sistema evoluiu desde versões iniciais baseadas em telemóveis instalados em postes para captar sons de drones, passando agora a integrar tecnologia mais sofisticada. Este sistema é também utilizado pelos Estados Unidos numa base no Médio Oriente.
Mas este não é caso único. Existe uma outra arma que se destaca mais do que qualquer outra no combate aos drones russos: os drones intercetores de baixo custo. Estes sistemas têm o formato de uma bala de grandes dimensões e são propulsionados por quatro rotores na base. A Ucrânia produz atualmente mais de mil unidades por dia e, segundo a Força Aérea Ucraniana, terão destruído mais de 30 mil drones russos em março deste ano.
O interceptor P1-SUN, lançado a partir de uma posição estática, pode atingir velocidades superiores a 300 km/h e tem um alcance superior a 30 km, tendo sido utilizado numa missão recente para abater drones russos. Segudno a BBC o sistema é descrito como “uma arma muito séria”, devido à sua rapidez de adaptação. Produzido em impressão 3D, este sistema custa menos de mil euros, um valor muito inferior aos drones de ataque Shahed, que foram concebidos para destruir.
Paralelamente, empresas privadas também começaram a integrar o sistema de defesa, instalando torres com armas controladas remotamente e operadas a partir de centros de comando com civis treinados e supervisionados.
Estas estruturas privadas funcionam como complemento da defesa estatal e já terão contribuído para abater dezenas de drones russos. O modelo é integrado no sistema militar ucraniano e visa aumentar a capacidade de resposta, sobretudo em áreas industriais e infraestruturas críticas.
Mas não é só a Ucrânia que se tem adaptado para fazer frente ao adversário. Ao mesmo tempo, a Rússia tem vindo a adaptar as suas estratégias, incluindo o desenvolvimento de drones mais rápidos e o uso de drones isco para identificar posições de defesa ucranianas. Apesar dos avanços tecnológicos, a Ucrânia continua a enfrentar limitações, sobretudo na disponibilidade de sistemas Patriot, considerados essenciais contra mísseis balísticos.
Nas zonas mais próximas da linha da frente, continuam também a ser utilizados meios mais básicos de defesa, como armas ligeiras, redes e espingardas, especialmente contra pequenos drones de operação remota, que continuam a causar a maioria das baixas.
Segundo o presidente ucraniano, os ataques em massa russos têm como objetivo saturar as defesas aéreas, aumentando a probabilidade de falhas e de impactos civis, apesar da crescente sofisticação do sistema ucraniano.
