O esgotamento das receitas energéticas e o colapso do mercado de crédito estão a forçar o Kremlin a recorrer à mesa de negociações
Os sinais de que a economia russa está a arrefecer começam a multiplicar-se. O crescimento no país está em queda, ao mesmo tempo que o preço do petróleo, uma das principais receitas do país, continua a cair. Novos dados de 2026 indicam que o modelo de "economia de guerra" de Vladimir Putin atingiu o seu limite, forçando o Kremlin a aceitar negociações de paz em Abu Dhabi perante um cenário de estagnação e crise demográfica.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) baixou as previsões de crescimento da Rússia para apenas 0,8% em 2026, um valor inferior ao de muitas economias ocidentais. O principal motor da máquina de guerra russa, o petróleo, continua sob pressão. O preço do barril de Ural caiu para 50 dólares no final de 2025 devido a um excesso de oferta global.
Este é um fator decisivo para as contas russas. Em 2022, os combustíveis fósseis representavam 40% do orçamento russo. Três anos depois, essa verba caiu para 25%. A agravar a situação, um dos principais compradores de hidrocarbonetos russos, a Índia, prepara-se para travar as importações, após um acordo comercial com os Estados Unidos.
Para manter o financiamento da invasão, o Estado russo está a "canibalizar" a economia civil. Enquanto o orçamento para a Defesa subiu 17 pontos percentuais, as verbas para o bem-estar, educação e saúde sofreram cortes profundos. No início de 2026, o IVA na Rússia subiu para 22%, um valor superior ao praticado no Reino Unido ou na Alemanha.
Com uma população em queda livre desde 2019 — 143,5 milhões em 2024 — devido a baixas de guerra e emigração, a Rússia enfrenta também uma falta severa de mão de obra.
Na quinta-feira, os serviços de informações externas da Ucrânia afirmaram que o sistema bancário russo está a entrar numa crise sistémica, com o número de empréstimos malparados a atingir 11%, ultrapassando o limiar de 10% que as normas internacionais utilizam para definir uma crise bancária. Além disso, os lucros dos bancos continuaram a cair em 2025, nomeadamente 8%. O retorno de capital caiu para 18%.
Segundo o jornal The Moscow Times, o sétimo maior banco russo em termos de ativos, o Banco de Crédito de Moscovo perdeu 9 mil milhões de rublos (aproximadamente 118 milhões de dólares) só nos últimos três meses de 2025. Mas os sinais de alerta são ainda mais graves. Os empréstimos vencidos do banco aumentaram 700%, atingindo 668 mil milhões de rublos (ou 8,7 mil milhões de dólares), o que corresponde a 28% de toda a sua carteira.
Mas para os serviços secretos ucranianos, a profundidade desta crise é ainda maior do que se julga, porque o Banco Central russo permitiu aos bancos "esconder" os seus empréstimos nocivos como dívida reestruturada, numa tentativa de demonstrar estabilidade num sistema bancário dominado por bancos estatais.