Armas, militares, populares e internet. Como os ucranianos estão a resistir aos russos

26 fev, 17:20
Militares ucranianos sentados no cimo de veículos blindados, numa estrada da região de Donetsk, no leste da Ucrânia, na quinta-feira. Vadim Ghirda/AP

Defesas ucranianas resistem ao invasor russo. Há centenas de milhares de armas nas mãos de civis, que mesmo sem treino se dispõem a combater. O relato de Pedro Mourinho, enviado da CNN Portugal

Um milhão de populares, homens e mulheres, têm armas nas mãos e estão dispostos a ajudar os militares a combater os russos. É esta a informação recolhida junto de fontes locais por Pedro Mourinho, enviado especial da CNN Portugal a Kiev, capital da Ucrânia, onde os russos estão a tentar entrar.

Os ucranianos estão a resistir e a dificultar a tomada da capital do país. As informações disponíveis a meio da tarde deste sábado apontam para um “atraso” das forças russas na sua investida, por causa da resistência ucraniana.

Este “exército popular”, acrescenta Pedro Mourinho, não está no entanto organizado, mas tem armas e vontade de defender a sua terra. Na “Ucrânia há 700 mil armas, foras as ilegais, nas mãos da população”, afirma, citando fontes locais. Aliás, pode nota o enviado especial, a dispersão de armas também pode ser um risco, por falta de treino e de preparação para ações como as que estão a decorrer.

Na última sexta-feira, o governo ucraniano distribuiu 18 mil armas pelos civis.  Muitos russos que ali vivem estão também a ajudar os militares ucranianos, testemunha ainda Pedro Mourinho.

Por outro lado, há as milícias organizadas que nas últimas horas garantiram que vão juntar-se aos militares ucranianos para ajudar a combater o inimigo, o exército russo enviado por Vladimir Putin.

Na primeira linha, a defender a capital está o exército ucraniano. E para o reforçar, o governo impôs a lei marcial, que proíbe a saída de todos os homens do país. Segundo os relatos, muitos estão a ser recrutados pelo exército. Foi também decretado recolher obrigatório a partir de hoje e até segunda-feira, para que o contra-ataque possa ser feito com mais segurança.

Para o final deste sábado esperam-se horas de ataques violentos. Pelas ruas de Kiev, os movimentos revelam o que se pode esperar pela noite dentro. Segundo Pedro Mourinho, nota-se o estado de preparação. Pelas ruas, o repórter registou esta manhã uma coluna de camiões civis, semelhante aos que costumam ser usados para transportar o lixo ou para construção civil, mas carregados de armas e munições. Era uma coluna de cerca de 10 veículos.

Kiev permanece nas mãos dos ucranianos. E a ajudar o exército ucraniano, para conseguir identificar as posições dos russos, têm estado também especialistas em cibersegurança de todo o mundo.

Segundo Nuno Mateus Coelho, professor universitário e especialista em cibersegurança, há grupos de grupos sociais de reconhecimento digital que estão a “dar olhos com precisão às forças ucranianas”. Isto recorrendo a câmaras de vigilância particulares e públicas espalhadas por todo o lado, através das quais conseguem identificar os locais onde estão os recursos militares russos, para depois municiar os ucranianos com essas informações.

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