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Agora o tempo joga a favor da Ucrânia e em Kiev espera-se por um "ponto de viragem" iminente

27 mai, 21:00
Soldado ucraniano prepara intercetor de drone (Andrii Marienko/AP)
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O momento é da Ucrânia e dentro de meses pode ser ainda mais. As forças russas estão exaustas e na linha da frente está tudo a preparar-se para algo novo

Chegados a um ponto em que a guerra caminha vertiginosamente para completar cinco anos, na Ucrânia o sentimento é de que estamos a chegar a um “ponto de viragem” que tem de acontecer nos próximos seis meses.

A linha do tempo é dada por um comandante sénior das Forças Armadas da Ucrânia, que falou à agência Reuters numa janela temporal definida para ganhar o máximo de terreno possível à Rússia.

Depois de a Rússia ter conseguido grandes avanços nos primeiros meses da sua invasão em larga escala, a reação da Ucrânia através de uma contraofensiva de verão permitiu grandes recuperações e atirou a guerra para um impasse em que a linha da frente se vai movendo, mas a um ritmo muito diferente.

O brigadeiro-general Andriy Biletsky, que comanda o Terceiro Corpo do Exército da Ucrânia, uma das forças mais respeitadas, admitiu à agência Reuters que a crença em Kiev é de que as fileiras da Rússia estão exaustas e são incapazes de obter grandes resultados.

De acordo com o responsável, caso a Ucrânia consiga manter este momento por mais alguns meses, isso pode ser decisivo para ganhar a iniciativa em toda a linha da frente, empurrando a Rússia em várias direções, incluindo em Donetsk, onde continuam a existir as batalhas mais agressivas.

“Acredito que os próximos seis a nove meses são um ponto de viragem”, garante Andriy Biletsky numa entrevista feita a partir de Kharkiv, região também fustigada por ataques da Rússia.

“Mais precisamente, penso que os próximos seis meses são os mais críticos”, reitera, esperando que a Ucrânia consiga, nesse período, resistir o suficiente para depois passar a comandar a direção das batalhas.

Ciente de que os Estados Unidos podem ceder todo o Donbass, incluindo as zonas de Donetsk que a Rússia ainda não ocupa, a Ucrânia pretende ganhar o máximo de vantagem nesses locais, o que colocaria Kiev numa posição de força suficientemente relevante nas negociações com Moscovo.

“Precisamos de definir as direções em que podemos melhorar as nossas posições, alcançar alguns pontos estratégicos e falar com os russos a partir de uma posição de força, não de fraqueza”, refere o brigadeiro-general, que esteve no início da criação do famoso Batalhão Azov.

“De um ponto de vista militar, isto é realista”, garante Andriy Biletsky, confirmando o momento de maior desespero da Rússia, que tem um conjunto de problemas a surgirem em conjunto, até porque o desempenho económico do país também já teve melhores dias.

Comprovando o momento feliz da Ucrânia, Volodymyr Zelensky anunciou recentemente que o país conseguiu recuperar quase 600 quilómetros quadrados só este ano, o que em muito se deve ao gigante sucesso com a utilização de drones e robôs na linha da frente.

Para dar força a isso, um dos mais recentes relatórios do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) dá conta de que as forças de Kiev estão agora “a desafiar ativamente o caráter posicional da guerra”, podendo até ser capazes de desempenhar assaltos mecanizados em breve, mesmo que limitados.

A luta faz-se particularmente em Kostiantynivka, cidade que faz parte das “fortalezas” que a Ucrânia ainda mantém em Donetsk, e que desempenha um lugar logístico e estratégico essencial para o curso da guerra.

Um pouco mais a norte, em Sloviansk, as tropas de Andriy Biletsky vão aguentando com o que podem, tarefa essa que parece ir ficando mais fácil com o decorrer do tempo.

“A falta de pessoal já não lhes permite avançar como avançavam há um ano”, sublinha, apontando para perdas colossais da Rússia nas mais recentes batalhas.

E se o brigadeiro-general admite que ainda é cedo para tirar conclusões de grandes sucessos da Ucrânia, o entendimento é que tudo isto pode levar a uma capitalização que mais tarde dê um fruto maior.

Por agora, e também graças ao serviço Starlink que Elon Musk disponibilizou à Ucrânia, é a Rússia que está a “perder radicalmente”. E se Volodymyr Zelensky já veio dizer que a guerra continua pelo menos até novembro, os prazos dados por Andriy Biletsky dão motivação a Kiev.

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