6 casos de envenenamento na era Putin: um histórico que se deve conhecer no dia em que se soube que Abramovich e ucranianos podem ter sido vítimas disso

28 mar, 18:45

Ex-espiões, políticos e jornalistas foram alvo de várias tentativas de envenenamento que envolvem o Kremlin.

A notícia de que Roman Abramovich e os negociadores ucranianos terão tido sintomas de potencial envenenamento está a marcar a atualidade da guerra na Ucrânia. Não estando confirmado que se tratou efetivamente de uma tentativa de assassinato por parte da Rússia, tal cenário não seria inédito sob o comando de Putin.

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A primeira tentativa de envenenamento mais mediática ocorreu em setembro de 2004, precisamente na Ucrânia. Frente-a-frente nas eleições presidenciais estavam dois “Viktors”: Yushchenko, pró-europeu, e Yanukovych, simpatizante e preferido do Kremlin. A pouco menos de dois meses das eleições, Viktor Yushchenko ficou gravemente doente, tendo sido transportado de urgência para Viena, onde lhe foi diagnosticada uma pancreatite aguda. O envenenamento, que deixou o político com a cara desfigurada durante anos, foi causado pela substância TCDD.

Sobre os responsáveis pouco se sabe. Contudo, o principal terá sido o vice-líder dos Serviços de Segurança da Ucrânia, Volodymyr Satsyuk, que conseguiu escapar para a Rússia, país do qual também era cidadão.

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Final menos feliz teve Alexander Litvinenko. O ex-espião do KGB, que fugiu para o Reino Unido no início do milénio após ter acusado vários dos seus superiores de ordenarem o assassinato do oligarca Boris Berezovsky, adoeceu subitamente no dia 1 de novembro de 2006, tendo vindo a morrer três semanas depois num hospital em Londres. Litvinenko foi a primeira vítima conhecida de envenenamento por radiação com polónio-210.

“Poderá ter sucesso em silenciar um só homem, mas o coro de protestos em todo o mundo, sr. Putin, irá reverberar nos seus ouvidos para o resto da sua vida”, é a última frase atribuída a Litvinenko antes do seu desaparecimento.

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Também no Reino Unido, mas em 2018, Sergei Skripal e a filha, Yulia, foram expostos a um agente nervoso do grupo novichok, desenvolvido pela União Soviética, na cidade de Salisbury, no sul de Inglaterra. Skripal tinha sido agente duplo no Reino Unido e Rússia durante os anos 90 e início dos anos 2000, facto pelo qual esteve preso cerca de cinco anos pelas autoridades de Moscovo, antes de ser perdoado por Dmitry Medvedev e “devolvido” ao Reino Unido em 2010, numa troca de espiões detidos.

Como habitualmente, a Rússia negou o incidente, que causou um conflito diplomático entre os dois países. No entanto, a polícia britânica conseguiu identificar dois agentes do FSB, Anatoly Chepiga e Alexander Mishkin, que estavam na pequena cidade na altura do ataque.

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Em agosto de 2020, o maior opositor de Putin, Alexei Navalny, foi também vítima de envenenamento com novichok. O advogado, recentemente condenado a 13 anos de prisão por fraude e injúria em tribunal, adoeceu durante um voo entre Tomsk e Moscovo. Após alguns dias em Omsk, onde o voo aterrou de emergência, Navalny foi transportado de avião para Berlim, onde permaneceu cerca de um mês no hospital Charité.

Esta tentativa originou novamente conflitos diplomáticos, com a entãi chanceler alemã Angela Merkel a anunciar possíveis consequências para o projeto do gasoduto Nordstream 2, entretanto interrompido como parte das sanções impostas à Rússia com a invasão da Ucrânia.

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Anna Politkovskaya, jornalista russa, foi envenenada enquanto viajava para Beslan, em setembro de 2004, onde iria negociar com os terroristas que na altura sequestraram mais de mil pessoas numa escola da cidade. Politkovskaya, que se tornou conhecida por investigar crimes de altas figuras governamentais russas e pelas reportagens sobre a Segunda Guerra Chechena, conseguiu recuperar, mas dois anos depois foi mesmo assassinada com quatro tiros no prédio onde vivia em Moscovo.

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Outro nome alvo do Kremlin foi Vladimir Kara-Murza, protegido de Boris Nemtsov, político russo anti-Putin assassinado em 2015. Nesse mesmo ano, e em 2017, sofreu duas tentativas de envenenamento, tendo esta última posto o ativista em coma e ligado ao suporte de vida. Em ambos os casos, nenhuma das substâncias responsáveis foi divulgada, mas uma investigação da Bellingcat, em conjunto com o Der Spiegel e a The Insider, Kara-Murza estava a ser seguido pela mesma unidade do FSB que seguia Navalny antes de este ter sido envenenado anos mais tarde.

O caso de Abramovich e dos negociadores ucranianos

O oligarca russo Roman Abramovich e outros negociadores ucranianos apresentaram sintomas que podem indiciar uma tentativa de envenenamento. A notícia foi avançada esta segunda-feira pelo The Wall Street JournalA indisposição terá surgido depois de uma reunião em Kiev, na Ucrânia, no início deste mês.

De acordo com o mesmo jornal, que cita fontes familiarizadas com o tema, os sintomas passavam por olhos vermelhos, lacrimejar constante e doloroso, descamação da pele na zona do rosto e mãos. Em causa estão o dono do Chelsea e pelo menos dois outros negociadores seniores da equipa ucraniana. Saiba mais AQUI.

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