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Mais tanques, menos carros: "Começou uma era de rearmamento na Europa" e da Alemanha vem um sinal

12 mar 2025, 20:08
Rheinmetall (Philipp Schulze/picture alliance via Getty Images)
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Volkswagen vai acabar com três fábricas e já há quem esteja de olho nelas: a Rheinmetall

É a empresa do momento na Alemanha, uma das mais faladas na Europa e tudo por causa do anúncio de que os países da União Europeia vão ter cerca de 800 mil milhões de euros para investir em material militar.

À boleia desse anúncio, a empresa anunciou que espera distribuir 350 milhões de euros em dividendos aos seus acionistas, esperando-se um ainda maior investimento, mas também mais receita, porque se esperam novas encomendas em níveis recorde.

Perante o boom no setor, e sabendo-se já que vem aí um aumento do preço das ações, o CEO da empresa anunciou uma “era de rearmamento”, aproveitando as palavras dos líderes europeus.

“Começou uma era de rearmamento na Europa. Na Rheinmetall, isso também traz perspetivas de crescimento que nunca esperámos para os próximos anos”, afirmou Armin Papperger.

A prosperidade na Defesa contrasta com uma profunda crise no setor automóvel, em particular na Volkswagen, a marca de referência dos alemães, que foi obrigada a cortar vários postos de trabalho por não atingir os objetivos definidos.

Talvez a pensar nas duas vertentes, a Rheinmetall está a pensar comprar fábricas da mesma Volkswagen, onde poderá dar aso à produção extraordinária que provavelmente terá de pôr em marcha em breve.

Armin Papperger confirmou que a fábrica da Volkswagen em Osnabrück é um “bom encaixe” para as operações da empresa, ainda que uma decisão para avançar para a compra dependa sempre das encomendas que chegarem, nomeadamente de tanques, o produto preferencial para uma operação do género.

A Volkswagen de Osnabrück é uma das três fábricas da marca de automóveis que devem ficar inativas nos próximos dois anos, numa decisão que vai forçar a redução da produção de carros, numa resposta à brutal queda na procura.

É que Armin Papperger lembra que é “muito mais complexo” construir algo de raiz do que aproveitar “algo que já lá está”, como acontece com as fábricas da fabricante alemã. Por isso mesmo há já “conversações”, até porque também há negócios paralelos relacionados com autocarros e camiões.

“Rheinmetall will adjust its forecast as the respective needs of military customers become increasingly clear over the course of the year,” the company said, adding that its order backlog had reached a record of €55bn.

Papperger said he expected Rheinmetall to add roughly 8,000 employees over the next two years, which would take it up to 40,000 workers globally.

A título de exemplo, só em 2024 foram quase 10 mil milhões de euros de faturação, numa subida de 30% que deve manter a rota este ano. Grande parte desse valor foi contratado pelo exército alemão, esperando-se que o novo chanceler, Friedrich Merz, invista ainda mais no setor da Defesa, sobretudo quando está na calha a permissão de que o investimento nesse setor não conte para os limites do défice.

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