O Ocidente tenciona aumentar a ajuda militar à Ucrânia e a Rússia já planeia o próximo grande ataque

Análise de Stephen Collinson, CNN
11 abr, 21:04
A Rússia tenta a escalada no leste da Ucrânia (AP Photo/Rodrigo Abd)

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, está a fazer apelos cada vez mais urgentes para que o mundo democrático se apresse a enviar armas para "salvar a Ucrânia", enquanto a Rússia se prepara para desencadear um ataque concentrado no Leste que ameaça uma nova carnificina para os civis

O mais recente apelo de Zelensky, que deixou os líderes ocidentais a ponderar o quão longe estão dispostos a ir para testar os limites do Presidente Vladimir Putin, foi feito quando avisou que havia "dezenas de milhares de mortos" na cidade portuária de Mariupol, no sul do país, que tem sofrido semanas de bombardeamentos.

"A Ucrânia precisa de apoio para os seus militares, incluindo aviões e veículos de combate", afirmou Zelensky num discurso virtual ao parlamento sul-coreano, na segunda-feira.

"A Coreia do Sul tem vários sistemas de defesa que podem defender-se contra carros de combate, navios e mísseis russos", disse Zelensky.

"Se a Ucrânia puder ter essas armas, não só salvarão a vida de cidadãos comuns, como também salvarão a Ucrânia", afirmou.

A resistência heroica das tropas ucranianas, com a ajuda de mísseis antitanque e antiaéreos ocidentais, já reivindicou uma famosa vitória, a salvação de Kiev e do Governo de Zelensky. Mas agora, a Rússia nomeou um novo general para liderar o que tem sido um esforço de guerra caótico e está a agrupar as suas forças no leste da Ucrânia para um ataque temível e concentrado que poderia esticar as forças da Ucrânia em desvantagem como nunca antes.

A mudança de estratégia está a forçar os líderes ocidentais a considerarem a sua própria disposição de fornecer mais armamento ofensivo a Kiev, nas vésperas do que se antecipa vir a ser batalha intensa que pode ditar até que ponto a Ucrânia sobreviverá como Estado-nação.

A pressão sobre o Ocidente para fazer mais está a ser exacerbada pelo facto de a nova abordagem da Rússia pressagiar ainda mais carnificina para os civis, que têm sido deliberadamente alvo de um plano malévolo de guerra.

Enquanto Washington avaliava como reagir às últimas manobras da Rússia, houve suspiros de alívio na capital norte-americana, quando o Presidente francês, Emmanuel Macron, ficou à frente na primeira volta das eleições presidenciais. Mas a sobrevivência no cargo de um membro-chave da coligação de liderança ocidental só será assegurada se conseguir vencer a candidata da extrema-direita que ficou em segundo lugar, Marine Le Pen – uma simpatizante de longa data de Putin – na campanha renhida que terá lugar antes da segunda volta, daqui a duas semanas.

Novas questões para o Ocidente sobre a melhor forma de reforçar a resistência da Ucrânia seguem-se a um nervosismo em Washington, no início da guerra, sobre antagonizar Putin com, por exemplo, a transferência de jatos da era soviética de estados da NATO como a Polónia para a Ucrânia. Mais recentemente, os EUA indicaram que estão dispostos a ajudar os seus parceiros a levar os carros de combate da era soviética para a Ucrânia. E a Grã-Bretanha prometeu um pacote de armas robusto após a impactante visita do primeiro-ministro Boris Johnson a Kiev, no sábado.

As decisões sobre o tipo de armas a fornecer podem depender do resultado final que o Ocidente prevê para o país, especialmente depois dos apelos cada vez mais cáusticos de Zelensky para armamento mais ofensivo, no seguimento da descoberta de atrocidades contra civis ucranianos quando as forças russas retiraram de Kiev.

O conselheiro para a segurança nacional do Presidente Joe Biden, Jake Sullivan, deixou no ar no "State of the Union" da CNN, no domingo, que a política de Washington seguiria o exemplo de Kiev. Mas também insinuou que a ajuda mais ampla dos EUA e as sanções sem precedentes à economia russa também foram concebidas para posicionar melhor a Ucrânia para futuras conversações sobre o cessar-fogo – apesar do fracasso desses esforços até agora, dado que há poucos sinais de que Putin esteja a falar a sério sobre uma desaceleração.

"Esta não é uma história de estarmos todos a aguardar", disse Sullivan a Jake Tapper, da CNN. "Estamos a tomar medidas agressivas para ajudar os ucranianos a terem sucesso no campo de batalha e ajudar os ucranianos a terem a melhor posição possível na mesa de negociações."

Mas a representante republicana Liz Cheney deu voz a uma fação em Washington que diz que os EUA deviam fazer muito mais, apesar de a congressista do Wyoming não defender o envio de tropas norte-americanas para a Ucrânia. Os líderes ocidentais têm estado preocupados com o desencadear de um conflito direto com a Rússia, entre os receios de uma escalada nuclear.

"Não devíamos estar a falar, como o Jake Sullivan fez agora, de melhorar a posição de Zelensky na mesa de negociações", disse Cheney, também no "State of the Union" da CNN.

"Trata-se de derrotar as forças russas na Ucrânia. A questão é muito maior do que a Ucrânia", afirmou Cheney, pedindo que sejam enviados para o país carregamentos de carros de combate, artilharia e equipamento blindado. "Temos de fazer muito mais, mais rapidamente."

Rússia tenta a escalada no leste da Ucrânia

A CNN noticiou no fim de semana que Putin colocou, pela primeira vez, um único oficial militar no comando da invasão da Ucrânia, que até agora tem sido assolada por más estratégias, problemas de abastecimento, indisciplina e baixa moral entre as tropas.

A nomeação do General do Exército Alexander Dvornikov, comandante do Distrito Militar do Sul da Rússia, fez soar o alarme em Washington.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, alertou que Dvornikov foi responsável pelas "atrocidades que vimos na Síria" e prometeu que os EUA continuarão a trabalhar para garantir que a Ucrânia tem as armas de que precisa.

Washington tem mantido a mesma linha, entre fornecer à Ucrânia equipamento que lhe permita repelir a invasão russa e infligir um custo pesado às tropas de Putin e isto ser encarado como tomar medidas que transformem a guerra num confronto direto entre os Estados Unidos e a Rússia, o que poderia causar uma perigosa escalada.

Mas, neste momento, há sinais claros de que o Ocidente está a reavaliar onde ficam essas linhas vermelhas, enquanto a guerra entra numa nova fase. O processo surge à medida que o mundo lida com a repulsa pelas atrocidades contra civis nos arredores de Kiev, em Bucha, e de um ataque a uma estação de comboios na cidade oriental de Kramatorsk, onde se abrigavam os refugiados que tentavam escapar aos combates no leste da Ucrânia.

Cheney disse na CNN que o ataque " é claramente genocídio". As autoridades norte-americanas e ocidentais deixaram de usar essa designação, citando a necessidade de um processo legal num termo que é normalmente usado com especificidade, mas têm frequentemente acusado Putin e as suas tropas de cometer crimes de guerra.

Tanto Psaki como Sullivan mencionaram uma chamada de duas horas que teve lugar entre altos funcionários militares e da administração dos EUA com altos funcionários ucranianos. na semana passada. Durante a chamada, os ucranianos analisaram uma lista, item por item, de hardware e armamento que pediram. Psaki disse que a administração estava a trabalhar para garantir que, se os EUA não pudessem fornecer o material solicitado, os seus aliados pudessem.

Johnson, por exemplo, elaborou um pacote de equipamentos que o Reino Unido estava disposto a fornecer, incluindo 120 veículos blindados e novos sistemas de mísseis antinavio.

Não ficou claro quais os limites que Washington poderia colocar nos critérios de armamento que possam ficar disponíveis para os ucranianos.

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