Londres tem aumentado a pressão sobre a navegação russa, pelo que esta pode ser uma resposta de Moscovo
Um navio de guerra da Rússia abriu fogo sobre um iate ao largo do Canal da Mancha, avançou a agência britânica Press Association.
O incidente ocorreu por volta das 11:40 locais, a mesma hora que em Portugal Continental, e envolveu a fragata almirante Grigorovich, que disparou tiros entre a ilha de Wight e a Normandia.
O Ministério da Defesa do Reino Unido veio entretanto esclarecer que os disparos feitos pela fragata da Rússia não terão sido uma ação ofensiva.
De acordo com a Sky News, as indicações britânicas apontam para uma avaria no navio de guerra da Rússia, que fez soar um alarme para as embarcações circundantes não se aproximarem, até porque não estaria a conseguir controlar a sua direção.
Acontece que o iate acabou por não perceber o aviso, pelo que a fragata terá disparado os tiros de aviso para evitar uma colisão, sendo que nenhum dos disparos foi direcionado à embarcação.
A justificação da Rússia
O Ministério da Defesa da Rússia confirmou o incidente ocorrido entre um navio de guerra e um iate no Canal da Mancha. De acordo com a agência RIA Novosti, a fragata almirante Grigorovich avistou um iate com bandeira britânica num curso perigoso em direção ao navio.
A Rússia garante que a fragata tentou contactar várias vezes o iate, mas nunca obteve resposta, pelo que foram disparados tiros de aviso. Depois dos disparos o iate mudou o seu curso e continuou a afastar-se do navio de guerra da Rússia.
Moscovo garante que apenas cumpriu as medidas acordadas nas regras de navegação internacional.
Reino Unido confirma versão russa
O Ministério da Defesa do Reino Unido confirmou que o navio russo que disparou em águas europeias não queria atingir um iate.
Numa atualização em relação ao incidente ocorrido ao largo do Canal da Mancha, o Reino Unido indicou que a fragata almirante Grigorovich estava a tentar mostrar a outros navios que estava com problemas no motor.
Isso fez com que o navio tivesse de disparar tiros de aviso para evitar colisões em pleno mar.
“Após contactos com uma embarcação britânica, a fragata Grigorovich disparou tiros de aviso”, refere o comunicado, que garante que não havia intenção de disparar contra o iate, mas sim a tentativa de prevenir um incidente maior, pelo que se tratou de um “caso isolado”.
Este foi um caso que ameaçou ser mais um foco de tensão nas relações entre Rússia e Europa, nomeadamente o Reino Unido, que tem desencadeado várias operações contra ativos da Rússia.
De resto, este caso ocorre depois de as forças britânicas terem abordado o petroleiro Smyrtos, um dos vários navios da conhecida frota-fantasma da Rússia, e que estava a passar precisamente no Canal da Mancha no domingo.
Além disso, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido anunciou novas sanções contra a frota-fantasma da Rússia e os suspeitos que podem estar a ajudar Moscovo a fazer escoar o seu petróleo, uma das principais fontes da máquina de guerra de Vladimir Putin.
Ciente do caso, a Marinha do Reino Unido garantiu que estava a monitorizar todos os passos da fragata almirante Grigorovich, de acordo com a Sky News.
Apesar do susto, não há registo de danos ou vítimas na sequência dos disparos do navio russo.
