Zelensky a perder controlo: saída polémica coloca Ucrânia em protesto (e até já há um prazo)

21 jul, 08:00
Manifestação contra a saída de Mykhailo Fedorov na Ucrânia (Efrem Lukatsky/AP)
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Saída do ministro da Defesa não foi esquecida, bem pelo contrário. Ciente do descontentamento das ruas, sobretudo dos jovens, Volodymyr Zelensky aposta nas redes sociais para tentar acalmar a situação

É o momento mais tenso para Volodymyr Zelensky como presidente da Ucrânia a nível político. Por estes dias não são tanto os mísseis e drones russos a colocar a cabeça do presidente ucraniano em água, mas sim uma reforma política que não está a ser bem aceite pela sociedade.

A saída do ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, originou os maiores protestos na Ucrânia desde que a guerra começou, em fevereiro de 2022. O problema é que desta vez não é Vladimir Putin o alvo, mas antes Volodymyr Zelensky.

A população está descontente com a saída de um jovem que via como reformista, ainda para mais numa altura em que a Ucrânia está a ter visíveis sucessos no campo de batalha, tanto que até o Kremlin o tem reconhecido.

Espantou, por isso, que Volodymyr Zelensky tenha decidido remover do cargo Mykhailo Fedorov. Perante o impasse na sociedade, o presidente da Ucrânia convocou uma reunião de emergência com os mais altos comandos militares.

Uma situação que não terá caído bem junto da população, mesmo que na reunião não tenha estado Oleksandr Syrskyi, uma das cabeças que a população quer ver a rolar, ainda que o próprio tenha afastado responsabilidades na remodelação ocorrida na Defesa.

Os protestos, que já vão no quinto dia, têm sido liderados sobretudo por jovens, e têm mostrado algumas brechas na liderança militar da Ucrânia, o que Kiev teme que possa vir a ter repercussões a curto prazo na linha da frente.

Oleksandr Syrskyi, até aqui um dos homens mais populares, está a enfrentar duras críticas da sociedade civil, mas também dos soldados que comanda e de alguns legisladores. O estilo aparentemente soviético na cultura de comando e as táticas às quais se atribuem elevadas baixas estão entre os principais problemas.

Ciente do momento mau e de como o atual chefe das Forças Armadas é impopular, Volodymyr Zelensky chamou cinco generais e um coronel para uma reunião. O primeiro ponto de destaque vai logo para a ausência do próprio Oleksandr Syrskyi, claro, ainda que não seja de espantar, uma vez que o encontro terá ocorrido, pelo menos em parte, para avaliar potenciais sucessores na liderança das tropas ucranianas.

Entre os homens presentes na reunião estiveram o comandante das Forças Conjuntas, Mykhailo Drapatyi e o vice-chefe das Forças Armadas, Volodymyr Orbatyuk. Ambos são conhecidos e respeitados pelo público, que os vê capazes de representarem uma geração mais jovem de militares que começaram a carreira em plena guerra.

O comandante das Forças Aéreas de Assalto, Oleh Apostol, e os comandantes dos três ramos das Forças Armadas, Andriy Biletsky, Ihor Obolenskyi, e Denys Prokopenko, também se encontraram com o presidente da Ucrânia, que fez questão de ir publicando diversas fotografias dos encontros ao longo desta segunda-feira.

Em quase todas as publicações na rede social X se falou de uma “conversa substantiva”. Abaixo podemos ver um dos exemplos.

Tentando que o presidente da Ucrânia não perca mais popularidade, o chefe de gabinete já pediu união e alguma contenção na mais recente vaga de protestos. “A visão do povo foi ouvida”, reiterou Kyrylo Budanov, que prometeu resultados para breve.

Uma sondagem da empresa Gradus aponta que 61% dos ucranianos estão descontentes com a saída de Mykhailo Fedorov. Talvez também por isso, Volodymyr Zelensky tem feito esforços para tentar reconectar-se com o agora ex-ministro da Defesa.

Também nas redes sociais anunciou uma reunião com o responsável durante o fim de semana. Em paralelo, e de acordo com a agência Reuters, a cúpula ucraniana está a discutir “outros papéis” nos quais Mykhailo Fedorov pode caber.

No entanto, e segundo a mesma fonte, o responsável só aceita regressar para o cargo que ocupava antes de toda a baralhada. A imprensa ucraniana referiu que os postos oferecidos incluíam supervisão de setores como a tecnologia e inovação militar. O problema é que Mykhailo Fedorov não parece estar para aí virado.

Um dos principais organizadores dos protestos, o veterano de guerra Dmytro Koziatynskyi afirmou, citado pela agência Reuters, que as manifestações só vão parar quando Oleksandr Syrskyi sair e Mykhailo Fedorov for readmitido. A data limite do público é 24 de julho. Depois disso não se sabe.

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