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"A Mossad fez uma série de promessas que não cumpriu": há um novo rosto na chefia da espionagem de Israel

CNN , Tal Shalev
15 abr, 09:21
Roman Gofman ocupa atualmente o cargo de secretário militar do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu (Jonathan Ernst/Reuters/Arquivo)

Israel continua a sublinhar que o objetivo é mudar o regime do Irão

O futuro diretor da agência de espionagem israelita Mossad acreditava que uma guerra com o Irão poderia desencadear o rápido colapso do regime, segundo três fontes israelitas familiarizadas com as consultas internas - uma avaliação que não se concretizou após mais de 40 dias de combates.

Roman Gofman, atualmente secretário militar do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, disse ao líder israelita, durante as discussões de planeamento, que o regime iraniano poderia ser derrubado, uma visão partilhada pela agência que deverá liderar, e que se mostrou excessivamente otimista.

Gofman deverá assumir o cargo em junho para um mandato de cinco anos, substituindo David Barnea, que também acreditava que uma guerra poderia derrubar a República Islâmica.

Barnea, que lidera a Mossad desde 2021, desempenhou um papel consultivo fundamental na preparação do ataque conjunto EUA-Israel ao Irão, a 28 de fevereiro, que deu início à guerra, de acordo com duas fontes de segurança israelitas. O jornal The New York Times noticiou que Barnea apresentou a Netanyahu e ao presidente dos EUA, Donald Trump, a ideia de que os assassínios de líderes iranianos, seguidos de uma série de operações baseadas em informações secretas, poderiam mobilizar a oposição do país e desencadear protestos, tumultos e atos de desafio que levariam ao colapso do regime.

“A posição da Mossad era de que a mudança de regime era um resultado provável e que poderiam concretizá-la”, explica uma fonte da segurança israelita à CNN.

As Forças de Defesa de Israel (IDF) tinham reservas e eram mais matizadas nos seus objetivos, acrescenta a fonte, defendendo, em vez disso, o enfraquecimento do regime e a criação das condições para uma revolta popular. “A Mossad fez uma série de promessas que não cumpriu”, reitera a fonte.

O assassínio do Líder Supremo, aiatola Ali Khamenei, na onda inicial de ataques, e a subsequente destruição das infraestruturas militares e governamentais do Irão por parte dos EUA e de Israel não conseguiram, até à data, provocar qualquer mudança significativa na liderança de Teerão ou nas suas posições de linha dura. Acredita-se que o novo Líder Supremo - filho do governante assassinado - é mais extremista do que o seu pai e mais próximo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão.

Um membro das forças de segurança iranianas faz guarda junto a uma faixa em homenagem ao falecido Líder Supremo do Irão, o aiatola Ali Khamenei, em Teerão, a 31 de março (Atta Kenare/AFP/Getty Images)
Um membro das forças de segurança iranianas faz guarda junto a uma faixa em homenagem ao falecido Líder Supremo do Irão, o aiatola Ali Khamenei, em Teerão, a 31 de março (Atta Kenare/AFP/Getty Images)

Barnea, na sua primeira declaração pública desde o início da guerra, afirmou que a missão de Israel no Irão estava incompleta. "Certamente planeámos que a nossa campanha continuasse e se manifestasse mesmo no período posterior aos ataques em Teerão", disse, falando no Dia da Memória do Holocausto em Israel, esta terça-feira. "O nosso compromisso só será cumprido quando o regime extremista for substituído".

Gravemente ferido a 7 de outubro

Gofman, de 49 anos, nasceu na Bielorrússia e imigrou para Israel aos 14 anos. Esteve mais de três décadas no Corpo Blindado das Forças de Defesa de Israel, ocupando inúmeras posições de primeira linha e de comando.

Gravemente ferido em combate a 7 de outubro de 2023, quando militantes liderados pelo Hamas atacaram Israel, serviu desde a sua recuperação como principal conselheiro militar de Netanyahu e esteve envolvido em todas as principais decisões estratégicas e operacionais na região nos últimos dois anos, incluindo no Irão, Líbano, Gaza e Síria. Como falante de russo, é também o principal ponto de contacto de Netanyahu com o Kremlin.

O primeiro-ministro israelita anunciou a sua intenção de nomear Gofman para a Mossad em dezembro, escolhendo-o em detrimento de outros candidatos de dentro da própria agência de espionagem. Embora não seja inédito em Israel, é invulgar escolher um chefe de espionagem das Forças Armadas, e não de dentro das próprias fileiras da agência.

Quando Netanyahu nomeou Gofman, descreveu-o como um “oficial excecional, audaz e criativo, que demonstrou um pensamento inovador e uma impressionante capacidade de improvisação ao longo da guerra”.

O veterano analista de defesa Amir Oren diz à CNN que Gofman tem pouca ou nenhuma experiência nas competências especializadas necessárias na Mossad, incluindo recolha de informações, operações especiais e contacto com outras agências de espionagem. Oren descreve estas capacidades como “nas quais é preciso ser bem versado durante anos, provavelmente décadas, antes de ousar comandar outros”.

Em vez disso, Oren afirma que Gofman, que não é conhecido por falar inglês, foi escolhido pela sua lealdade a Netanyahu.

“Há uma avaliação unânime, tanto por parte dos militares no ativo como dos veteranos e profissionais de segurança, de que estas nomeações não visavam beneficiar a segurança de Israel, mas sim ajudar Netanyahu pessoal e politicamente”, acrescenta Oren.

Um residente iraniano é fotografado a olhar pela janela da sua casa danificada após os ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra Teerão, em abril (AFP/Getty Images)
Um residente iraniano é fotografado a olhar pela janela da sua casa danificada após os ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra Teerão, em abril (AFP/Getty Images)

O processo de nomeação de Gofman, no entanto, foi adiado durante meses devido a uma controvérsia decorrente de um incidente de 2022, no qual Gofman - então comandante de uma divisão regional das Forças de Defesa de Israel (IDF) - terá utilizado um adolescente para publicar informações confidenciais como parte de uma operação de influência online. O adolescente foi posteriormente detido pelos serviços de segurança durante um longo período e acusado de publicar material confidencial, até que a acusação foi retirada após se ter revelado que a sua atividade estava autorizada.

O jornal The Times of Israel citou Gofman a dizer que não sabia a idade da pessoa na altura e que apenas ordenou que lhe fossem fornecidas informações não confidenciais.

O adolescente, agora com 21 anos, tornou-se um dos mais acérrimos críticos de Gofman e recorreu ao Supremo Tribunal contra a sua nomeação.

A CNN contactou Gofman para comentar o assunto através do gabinete do primeiro-ministro de Israel e das IDF.

A nomeação de Gofman reflete um esforço mais amplo de Netanyahu para reformular o aparelho de segurança de Israel após os ataques de 7 de Outubro, amplamente considerados o maior fracasso de segurança do país. Desde então, quase toda a cúpula da liderança de segurança israelita demitiu-se, foi destituída ou chegou ao fim do seu mandato, incluindo o ministro da Defesa, o chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, os diretores das secretas militares e do Shin Bet.

Com a esperada saída de Barnea e a nomeação de Gofman, Netanyahu será, efetivamente, o último alto funcionário israelita ainda em funções desde o dia em que Israel sofreu o ataque mais mortífero da sua história, a 7 de Outubro de 2023.

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