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Primeira mensagem: novo Líder Supremo do Irão promete continuar guerra em terra e no mar

12 mar, 13:41
Mojtaba Khamenei (DR)

Mensagem de alguns minutos foi lida em direta na televisão iraniana e teve um ponto claro: "Pressionar o inimigo"

Quase duas semanas depois, o Irão voltou a ter uma voz de comando. Ainda que não tenha aparecido publicamente, coisa que poucas vezes fez em vida, o novo Líder Supremo enviou um longo comunicado que foi lido na televisão nacional com a imagem que dá capa a este artigo em pano de fundo.

De acordo com Mojtaba Khamenei, que assume o cargo depois da morte do pai, o aiatola Ali Khamenei, a guerra é para continuar.

E não só é para continuar, como é para agravar, sobretudo se Estados Unidos e Israel não cessarem os ataques.

Sabendo do impacto que isso tem e que até já está a ter, o novo Líder Supremo do Irão anunciou que o Estreito de Ormuz vai continuar encerrado, fazendo eco das ameaças dos seus líderes, que até já falaram em preços do petróleo a atingir os 200 dólares por barril, algo nunca visto na história.

Ora, Mojtaba Khamenei entende que o encerramento do Estreito de Ormuz vai permitir “pressionar o inimigo”, numa lógica de caos económico que passa pela paralisação de uma ligação por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

E se a mensagem é de guerra para os Estados Unidos, também há espaço para a paz, nomeadamente para os vizinhos, que têm sido altamente afetados, como se tem visto em cidades como o Dubai, Doha ou Manama, nos Emirados Árabes Unidos, Catar ou Bahrein, respetivamente.

Todos esses países, mas não apenas esses países, têm sido atacados pelo Irão desde o início da guerra, levando muitos deles a emitirem avisos a Teerão, que parece não estar totalmente interessado em saber disso.

“Enviamos uma mensagem aos líderes da região e enfatizamos que vamos ter boas relações com os países à nossa volta”, afirmou Mojtaba Khamenei, garantindo, tal como já vêm fazendo outros líderes iranianos, que os alvos são os interesses norte-americanos.

Imagem partilhada pela conta de Mojtaba Khamenei na rede social Telegram mostra a sua assinatura, mas também a dos seus antecessores, Ali Khamenei e Ruhollah Khomeini (Telegram)

De resto, é a existência de bases dos Estados Unidos naqueles países que justifica, segundo o Líder Supremo do Irão, os ataques: “A utilização dessas bases para atacar o Irão não está a beneficiar a região e [as bases] devem ser encerradas”.

“Como dissemos, não somos inimigos dos países à nossa volta, estamos apenas a atingir bases desses norte-americanos”, reiterou, falando num conjunto de 15 países e numa altura em que há vários relatos de ataques a locais onde não existem bases ou sequer localizações militares.

Dividindo depois a mensagem mais para dentro, Mojtaba Khamenei pediu que “o povo do Irão de todos os modos de vida se mantenha firme contra o inimigo”, numa mensagem de apelo à união, quando os Estados Unidos, e em concreto Donald Trump, pedem precisamente o contrário.

Quanto àqueles que já morreram, que são mais de 1.300, verão uma compensação no futuro, até porque “o crime contra a Humanidade e contra crianças não vai ser ignorado”.

Mojtaba Khamenei não esclareceu como serão compensadas essas pessoas, mas avisou os inimigos que devem indemnizar o Irão ou vão ver os seus bens no Médio Oriente destruídos.

Novamente para dentro, o Líder Supremo do Irão procurou colocar-se nos pés do seu povo.

Na declaração lida na televisão nacional, Mojtaba Khamenei lembrou que muitas pessoas “perderam pessoas amadas durante a guerra”, mas quis recordar que também ele perdeu pessoas de quem gostava.

“Isto é algo que partilho com as pessoas que perderam os seus, porque eu perdi o meu pai, perdi a minha mulher”, afirmou, indicando ainda que a sua irmã perdeu um filho e o marido.

“Mas o que faz com que seja fácil para nós resistir a estas provações é a confiança na graça de Deus e saber que a paciência vai resolver isto”, acrescentou, prometendo então a vingança, não apenas pelo Líder Supremo, mas por “cada cidadão”.

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