Estados Unidos querem que Teerão se lembre de uma coisa: "há uma opção B" mas ninguém a quer
Todo o mundo está a sentir o impacto económico e financeiro da guerra no Médio Oriente, mas o Irão ameaça levar a coisa a um sentido mais literal.
Mantendo a retórica bélica que não abandonou nem em tempo de cessar-fogo - como também não o fez o presidente dos Estado Unidos -, Teerão renovou a ameaça de novos ataques, mas desta vez com a adenda de que essas operações podem estender-se para lá do Médio Oriente.
Com efeito, o mais recente comunicado da Guarda Revolucionária Islâmica admitiu que, caso seja atacado, o Irão pode responder com ações militares que ultrapassem as fronteiras do Médio Oriente, que até agora balizaram todas as respostas do regime dos aiatolas.
Num comunicado amplamente divulgado pela imprensa estatal do Irão, a Guarda Revolucionária Islâmica, que na prática serve como centro das Forças Armadas e responde diretamente ao Líder Supremo, ameaçou que, caso uma agressão “seja repetida”, isso significará ataques “em sítios que não podem sequer imaginar”.
Retórica atrás de retórica, esta parece ser a veemente resposta às contínuas ameaças de Donald Trump, que no início desta semana garantiu ter adiado um “grande ataque” contra o Irão a pedido dos líderes da Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos, que o convenceram a dar mais tempo para que seja alcançado um acordo na questão nuclear, que continua a ser o maior irritante entre as partes.
O presidente norte-americano já disse que “há muito boas hipóteses” de esse acordo ser alcançado, mas todos os dias faz pequenas referências sobre como e de que forma os Estados Unidos podem agir muito em breve - “talvez tenhamos de atingir o Irão com ainda mais força, talvez não” é apenas o último exemplo.
Agora que sabemos que o ministro do Interior do Paquistão está no Irão para tentar fazer acelerar o processo de paz, a troca constante de ameaças não deixa de colocar a dúvida no ar, até porque Donald Trump só deu um “período limitado de tempo” para que as coisas pudessem chegar a bom porto.
E se é certo que o Irão não tem capacidade militar convencional para chegar a países como Reino Unido, Estados Unidos ou até Portugal – na lógica de Teerão poderíamos ser um alvo legítimo por causa do uso da Base das Lajes -, uma recente acusação levantou a hipótese de que algo pode estar a ser preparado.
Na última semana um homem de nacionalidade iraquiana, que foi mencionado como um membro da cúpula do Kataib Hezbollah, que opera no Iraque, estava a preparar ataques contra Estados Unidos, Canadá e Europa.
Se a isso adicionarmos a capacidade cibernética do Irão e de alguns dos seus apoiantes - veja-se o que aconteceu nos postos de combustível dos Estados Unidos -, então talvez seja de acreditar que o Irão tem mesmo capacidade para infligir danos ao lado de cá, mesmo que isso não aconteça através de mísseis ou drones.
Como lembrou o vice-presidente dos Estados Unidos já esta semana, “há uma opção B e a opção B é poder recomeçar a campanha militar”.
“Não é isso que o presidente [Donald Trump] quer e não penso que os iranianos o queiram também”, reiterou JD Vance.
Enquanto não acabar, a guerra continua.
