Receios confirmam-se: semana abre com preços do petróleo a disparar 13%

1 mar, 23:57
Plataforma de petróleo no lago Maracaibo, Venezuela (EPA)

Situação no Médio Oriente é de expectativa, mas os mercados não estão a gostar

Era uma aposta praticamente ganha e os primeiros sinais confirmam-no. Os mercados estão a reagir com natural apreensão ao que está a acontecer no Médio Oriente e o preço do petróleo é indicador disso.

Em geral, os preços do ouro negro subiram já 13%, atingindo nas primeiras horas desta segunda-feira os valores mais altos em vários meses. São os efeitos dos ataques de Estados Unidos e Israel a uma zona onde é produzido e exportado grande parte do petróleo mundial.

De acordo com a agência Bloomberg, a subida para um máximo de 82 dólares por barril é mesmo o valor mais elevado desde janeiro de 2025, num sinal que certamente se vai fazer sentir rapidamente nas nossas carteiras quando formos abastecer os nossos carros de gasóleo e gasolina.

Por esta altura o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto de todo o fluxo de petróleo mundial, além de muito gás natural, está praticamente paralisado, até porque o Irão emitiu vários avisos a dizer que não vai permitir a passagem de navios, algo que não ainda não efetivou. Acresce a isso que a situação de segurança é altamente instável, já que há mesmo petroleiros em chamas na zona.

É o caso de três petroleiros de Estados Unidos e Reino Unido que, de acordo com a Guarda Revolucionária Islâmica, foram atacados este fim de semana. Em paralelo, e confirmando a tensão na região, o presidente dos Estados Unidos anunciou um grande ataque à Marinha do Irão, que terá perdido nove navios de guerra.

Antevendo o pior, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo, que tem o Irão como um dos fundadores, anunciou que ia aumentar as quotas disponíveis para 206 mil barris por dia, no que foi uma mudança em relação ao que era perspetivado, já que se esperava uma maior moderação na libertação da matéria-prima.

O preço do petróleo vai ser impactado de imediato, mas os riscos a longo prazo, sobretudo se a operação militar se arrastar, incluem pressão inflacionária um pouco por todo o mundo, que em alguns locais ainda luta para estabilizar a última crise de inflação que surgiu depois da covid-19.

Para se perceber o que está em causa, ajuda saber que só o Irão coloca todos os dias 3,3 milhões de barris de petróleo no mercado, o que é equivalente a 3% da oferta mundial. Além disso, e como já foi referido, a sua posição estratégica faz com que Teerão tenha quase sempre a última palavra sobre o que passa pelo Golfo Pérsico.

E se não parece haver qualquer problema nas infraestruturas de mineração ou produção de petróleo, a Goldman Sachs admite que a operação já foi “significativamente afetada”, até porque muitos navios e empresas entraram na expectativa para ver o que vai acontecer.

“O principal canal de transmissão da crise iraniana para a economia global e para os mercados macroeconómicos é o seu impacto nos mercados energéticos, sendo a combinação da gravidade e da duração esperada fatores-chave”, indicou a Goldman Sachs numa nota aos clientes.

Por agora resta esperar, mas o mais certo é que se verifiquem mesmo aumentos dos preços em breve.

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