Donald Trump continua insatisfeito com o que está a acontecer no terreno e decidiu mudar a abordagem para forçar o Irão a ceder
Durante semanas, o presidente ldos Estados Unidos tentou, sem grande sucesso, obter avanços positivos nas negociações com o Irão.
Esta terça-feira, pareceu adotar uma nova abordagem. Donald Trump ordenou aos seus principais enviados que interrompessem as conversações com o Irão, segundo um responsável norte-americano. Além disso, os responsáveis da Casa Branca comunicaram recentemente aos aliados políticos que estão a mudar a sua estratégia — passando de “atacar o Irão o mais rapidamente possível” para “estrangulá-lo” gradualmente, de acordo com uma fonte familiarizada com o assunto.
E, em vez de afirmar que as negociações estavam a progredir bem e que um novo acordo estava próximo — como tem vindo a afirmar repetidamente desde que o cessar-fogo assinado em junho falhou —, Trump anunciou que não havia diplomacia em curso.
“Não há negociações ou conversações em curso, nem agendadas, com a República Islâmica do Irão”, escreveu nas redes sociais. “O bloqueio naval continua em pleno vigor e efeito. O Estreito de Ormuz está aberto e operacional. Todas as minas aquáticas foram removidas ou detonadas. Obrigado pela atenção a este assunto!”
Na verdade, o tráfego através do Estreito de Ormuz continua a ser mínimo, e os navios que transitam por esta importante via navegável continuam a ser alvejados por projécteis iranianos.
Contudo, frustrado com as tentativas infrutíferas de reabrir o canal e perante as crescentes questões sobre o impacto da impopular guerra nas Forças Armadas americanas, Trump sinaliza estar pronto para se distanciar do conflito.
As autoridades afirmaram esta terça-feira que a instrução de Trump à sua equipa de negociação — que inclui o vice-presidente JD Vance e os enviados Steve Witkoff e Jared Kushner — para não dialogar com Teerão ocorreu após algumas “discussões positivas” com o país.
Mas Trump continua insatisfeito com a relutância de Teerão em ceder às suas exigências, disseram as autoridades. Quer esperar até que os líderes do país demonstrem uma nova vontade de fechar o acordo que procura antes de retomar as negociações.
Um dia antes da publicação de Trump nas redes sociais, Kushner ofereceu uma avaliação mais otimista das negociações durante uma viagem ao Médio Oriente. Em entrevista à Fox News, afirmou que as conversações entre os EUA e o Irão estavam “provavelmente mais robustas” do que nunca, acrescentando que a equipa norte-americana estava a conversar com várias figuras dentro do regime.
“Estão a envolver-se de forma muito intensa, o que é bastante positivo”, disse, acrescentando: “Estamos a ter conversas muito positivas e ativas”.
As autoridades iranianas têm declarado repetidamente que é falso estarem em negociações diretas com os Estados Unidos. Trump já tinha demonstrado irritação com as negativas, dizendo que o Irão estava a jogar sujo e que as autoridades estavam ansiosas por fechar um acordo em conversações mais privadas.
Nos bastidores, Trump tem-se mostrado cada vez mais insatisfeito com os contornos emergentes do acordo que o Irão está a tentar estabelecer com o Omã para controlar o tráfego no Estreito de Ormuz, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. Atacou Omã esta semana, ameaçando bombardear o país do Golfo, apesar de este ter sido um parceiro estratégico dos EUA durante décadas.
“Não creio que se tenham comportado muito bem, mas lidaríamos com eles facilmente — tal como lidámos com os outros”, disse aos jornalistas na Sala Oval na segunda-feira.
Tanto o Irão como Omã têm costa ao longo do estreito, e o acordo, tal como descrito pelas autoridades regionais, concederia a cada país o controlo sobre o tráfego de entrada e saída do Golfo Pérsico.
Há preocupações dentro da Casa Branca de que o plano, que ainda não foi finalizado, possa reforçar o controlo do Irão sobre a via navegável. Alguns responsáveis acreditam que Omã tem sido mais favorável ao Irão do que aos EUA nas negociações, em vez de agir como um parceiro neutro.
Entre as propostas a que Trump e altos funcionários norte-americanos se opõem está a cobrança de taxas às embarcações que queiram transitar pelo estreito. Trump insistiu que nenhuma taxa ou outro pagamento pode ser permitido, mas algumas versões do acordo que circularam incluem encargos relacionados com a proteção ambiental ou a segurança.
Não é assim que Trump imagina o funcionamento do canal. Quer um acordo que restaure completamente a passagem ao seu estado anterior à guerra, que permitia o tráfego irrestrito através da via navegável internacional. O seu governo afirmou repetidamente que permitir que qualquer nação assuma o controlo do estreito criaria um precedente perigoso.
Restabelecer o tráfego no estreito tornou-se o principal desafio da guerra, embora Trump tenha afirmado esta semana que o seu principal objetivo ainda é impedir o Irão de obter armas nucleares.
Espera-se que os EUA imponham em breve novas e severas sanções ao Irão, talvez já esta semana, segundo as autoridades norte-americanas. As autoridades militares, incluindo o secretário da Defesa Pete Hegseth, afirmaram que as forças norte-americanas na região estão preparadas para manter o bloqueio americano aos portos iranianos por tempo indeterminado.
Trump e a sua equipa acreditam que a pressão económica sobre o Irão acabará por levar o regime a aceitar as suas condições para o fim da guerra. Mas as autoridades iranianas também consideram que Trump está sob pressão política para se retirar, o que levou ao impasse.
A pressão militar também aumentou sobre Trump para que negocie uma saída para a guerra. Os longos períodos de implantação de recursos militares norte-americanos na região — incluindo o porta-aviões USS Abraham Lincoln — têm sido alvo de críticas devido ao impacto que causaram nos navios e nos marinheiros a bordo. E Trump reconheceu que os stocks das munições mais avançadas não estão onde gostaria, depois de seis meses de guerra. Mas, até agora, tem resistido aos crescentes apelos dos republicanos para encontrar uma saída para a guerra, insistindo que não sente qualquer pressão de tempo.
E noutra publicação nas redes sociais, na terça-feira, Trump publicou um mapa do estreito com a inscrição "Território dos EUA" — uma declaração que não sugeria uma retirada militar norte-americana em breve.
