Departamento do Tesouro fez um grande anúncio que de objetivo tem, afinal, pouco. As ameaças estendem-se de empresas até líderes de países, ainda que não tenha sido atirado um único nome
Os Estados Unidos vão avançar de forma agressiva contra a economia do Irão, num plano que parece estar traçado, mas do qual se sabe pouco ou até nada. Foi a Casa Branca que anunciou este 24 de agosto como o “Dia D Económico”, mas também foi a partir da administração Trump que vieram apenas rodeios.
Foi ao secretário do Tesouro que coube apresentar um plano que, caso exista mesmo, ninguém percebeu como vai funcionar. Ou sequer quando.
Scott Bessent começou por dizer que não ia divulgar nomes sobre eventuais indivíduos ou empresas alvo de sanções por colaborarem com o Irão.
“Espero que, muito rapidamente, caso não respondam, vejam as ramificações das suas ações”, atirou, admitindo que podem existir líderes mundiais entre os alvos dos Estados Unidos. Quem? Não disse. Quando? Também não.
Questionado sobre uma linha temporal para que os Estados Unidos comecem a aprovar novas sanções económicas, Scott Bessent preferiu não responder, mas garantiu que “ninguém está acima do alcance das sanções dos Estados Unidos”.
“Quando o martelo do Tesouro dos Estados Unidos cair sobre eles, não terão quem culpar a não ser eles próprios”, reiterou, falando mesmo numa “campanha de asfixia do regime”.
“Acredito que vão ver um grande anúncio de uma instituição financeira a ser sancionada pelo fim da semana”, acrescentou. Que instituição? Não disse. De que forma’ também não.
O mais concreto que Scott Bessent foi envolveu cerca de 60 entidades ligadas ao Irão e que trabalham junto das redes nuclear, de mísseis, de cibersegurança ou de petróleo. É a partir daí que a Casa Branca vai “apertar o nariz” do inimigo, que continua a resistir como muitos pensariam não ser possível.
Mais uma vez sem concretizar, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos afirmou que Donald Trump tem estado em contacto direto com líderes mundiais, a quem tem pedido que cortem os laços económicos com o Irão.
Caso não o façam, esses países podem “esperar partilhar do isolamento de um regime em declínio”. Para que isso não aconteça, “os Estados Unidos esperam ações”.
"Qualquer tipo de envolvimento económico com este regime assassino irá expor os responsáveis a todo o alcance do poder americano”, sublinhou Scott Bessent, que apelidou este “Dia D Económico” de “tiro de aviso”.
Os Estados Unidos, continuou Scott Bessent, vão a “dar a todos a oportunidade de remediar o mau comportamento”, até porque a aplicação de sanções pode “destruir o sistema financeiro global”, algo que o responsável norte-americano deixou claro que não é o objetivo.
Scott Bessent acrescentou: “Acreditamos que é importante estabelecer um equilíbrio e dar às pessoas um período de correção, mas devem saber que isso acontecerá muito rapidamente e que estamos a falar a sério”.
Cada país deverá agora receber “um calendário definido para encerrar as atividades relacionadas com o Irão” identificadas pelos Estados Unidos, esclareceu depois um comunicado do Departamento do Tesouro.
“Deixem-me ser claro: qualquer entidade que facilite a lavagem de dinheiro em nome do Irão será removida do sistema do dólar norte-americano. O prazo acaba de começar a contar”, frisou Scott Bessent, que vê como alvos quaisquer formas de “transformar o petróleo iraniano em dinheiro”.
Em comunicado de imprensa, o Departamento do Tesouro utilizou uma linguagem um pouco mais suave, afirmando que qualquer entidade que facilite o branqueamento de capitais ou a evasão de sanções “corre o risco de ser excluída do sistema financeiro dos EUA”.
Questionado sobre se os bancos chineses poderiam enfrentar sanções secundárias pelo seu alegado papel na ajuda ao Irão, Scott Bessent disse que a melhor abordagem é através de “diplomacia discreta”, mas acrescentou que “ninguém está acima do alcance das sanções dos Estados Unidos”.
“Estamos a estabelecer um acordo com todos os países para tornar claras as nossas expectativas”, reiterou. “Sabemos quem são. Eles sabem quem são. Por isso, quando o martelo das ações do Tesouro dos EUA cair sobre eles, não terão ninguém a quem culpar senão a si próprios.”
Depois das mensagens para fora, Scott Bessent também teve mensagens para dentro do Irão: “Aos soldados comuns que apoiam este regime, à medida que os seus salários são cada vez mais suspensos ou supostamente apenas atrasados, perguntem-se se os vossos comandantes estão a conduzir o vosso país ao triunfo ou à ruína, e lembrem-se que o Muro de Berlim caiu quando os soldados comuns decidiram não disparar sobre o seu próprio povo”.
Agora fica a faltar perceber as tais respostas. Quando, onde e como vai acontecer esta asfixia ao Irão. Para já, concluiu Scott Bessent, os Estados Unidos não têm “uma paciência infinita”.
