Presidente do parlamento iraniano diz que tentativas de negociação entre Washington e Teerão “não passam de uma cobertura para ocultar preparativos de uma invasão terrestre”
O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, afirmou este domingo que os Estados Unidos estão a planear em segredo uma ofensiva terrestre enquanto, publicamente, conduzem esforços diplomáticos para pôr fim à guerra. "Falam publicamente de negociações, mas planeiam em segredo um ataque terrestre".
Em comunicado divulgado pela agência noticiosa oficial IRNA, e citado pela agência Reuters, o presidente do parlamento iraniano garantiu ainda que as forças armadas iranianas estão à espera de uma chegada terrestre dos Estados Unidos para castigarem também os seus parceiros na região.
Para o presidente do Parlamento iraniano, os sinais de aproximação demonstrados pelos Estados Unidos ao longo da última semana “não passam de uma cobertura para ocultar preparativos de uma invasão terrestre”, assegurando que o Exército iraniano está preparado para enfrentar essa operação.
“Mas o inimigo […] ignora que os nossos homens aguardam a chegada de soldados norte-americanos para os atacar e punir para sempre os seus aliados regionais”, afirmou o líder do Parlamento iraniano, dominado pelos ultraconservadores.
Na avaliação sobre a atual situação da guerra, Qalibaf afirmou que o conflito atravessa “o momento mais delicado”, uma vez que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que a reabertura do estratégico estreito de Ormuz, sob controlo total do Irão, se tornou uma “prioridade operacional”, face ao cenário económico que se avizinha, com um mercado energético “fora de controlo” e uma “inflação alimentar iminente”.
“Trump foi acusado de travar uma guerra sem sentido no mundo e não tem resposta para a opinião pública. A maldade de iniciar uma guerra voltou-se contra quem a iniciou”, acrescentou o presidente do Parlamento iraniano.
As declarações surgem em pleno contexto de conversações indiretas entre Washington e Teerão, com mediação do Paquistão (envolvem também Arábia Saudita, Egito e Turquia), e após o anúncio de Trump, feito na quinta-feira, de que adiava até 6 de abril o ultimato dado ao Irão para desbloquear o estreito de Ormuz, sob pena de destruir as suas centrais elétricas.
Entretanto, segundo avançou o Washington Post este domingo, o Pentágono está a preparar-se para semanas de operações terrestres no Irão, avançou o Washington Post, citando responsáveis norte-americanos. Ainda assim, permanece a incerteza se o presidente dos Estados Unidos irá aprovar planos para o envio de tropas terrestres.
Do lado de Israel, as declarações das forças armadas surgem no mesmo sentido, especialmente após o início dos ataques conduzidos pelos Houthis no Iémen. Em comunicado, as IDF dizem estar preparadas para uma “guerra em várias frentes”. “Preparámo-nos para uma guerra em várias frentes. Temos combatido, nos últimos dois anos e meio, uma guerra em várias frentes, com ameaças vindas de várias frentes diferentes”, afirmou no domingo Nadav Shoshani, porta-voz internacional das Forças de Defesa de Israel.