Depende mais da pessoa do que da sua posição ou ideologia. Pode até ser um líder religioso, tal como o aiatola Ali Khamenei era
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse esta sexta-feira à CNN que a liderança do Irão foi "neutralizada" e que procura uma nova liderança que trate bem os Estados Unidos e Israel, mesmo que seja um líder religioso e o país não seja uma democracia.
"O Irão não é o mesmo país de há uma semana", afirmou à CNN numa breve entrevista por telefone. "Há uma semana, eram poderosos, e agora foram de facto neutralizados."
O presidente norte-americano manifestou confiança na facilidade de escolha de um novo líder - processo em que afirmou que precisa de estar envolvido - e voltou a comparar a missão à da Venezuela, onde os EUA capturaram Nicolás Maduro no início deste ano e colocaram a vice-presidente no poder.
"Vai funcionar muito bem. Vai funcionar como funcionou na Venezuela. Temos lá uma líder maravilhosa. Está a fazer um trabalho fantástico. E vai funcionar como na Venezuela", garantiu, referindo-se à presidente interina Delcy Rodríguez.
Trump disse ainda estar aberto à possibilidade de um líder religioso no Irão. “Bem, talvez sim, quer dizer, depende da pessoa. Não tenho nada contra os líderes religiosos. Lido com muitos líderes religiosos e são fantásticos”, apontou.
E, pressionado se insistia na necessidade de um Estado democrático, Trump sublinhou à CNN: “Não, estou a dizer que é preciso haver um líder que seja justo e imparcial. Que faça um ótimo trabalho. Que trate bem os Estados Unidos e Israel, e que trate bem os outros países do Médio Oriente - todos eles são nossos parceiros”.
Prosseguiu a falar sobre a sua relação com estes países do Médio Oriente, afirmando que estão a “lutar por nós”.
“E tornei-me muito amigo de todos estes países. É por isso que todos eles estão a lutar por nós. Antes de me envolver, nem sequer falávamos com os Emirados Árabes Unidos e com a Arábia Saudita. Sabe, [o presidente Joe] Biden excluiu-nos. Biden e [o presidente Barack] Obama afastaram-se da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos, do Qatar, ele excluiu-os de todos. Eles estavam todos a ir para a China, e eu envolvi-me num período de tempo muito curto e eles tornaram-se meus amigos”, disse Trump.
E embora o presidente tenha elogiado a operação dos EUA contra o Irão - dizendo que é “12, talvez 15 numa escala de 10” - sugeriu que não estava preocupado com o aumento dos preços da gasolina.
“Está tudo bem. Será por pouco tempo. Vai descer muito rapidamente”, disse, enquanto descartava o facto de os preços terem subido significativamente e afirmava que já tinha “resolvido” a questão do Estreito de Ormuz.
“Desmantelámos a Marinha deles porque, sabe, quando se desmantela a Marinha, eles não conseguem fazer o que queriam. A Marinha está quase... acabámos de atingir a marca dos 25 navios afundados. Consegue imaginar? Grandes navios - 25 navios afundados”, reiterou.
Trump sugere que Cuba "cairá" em breve
Trump disse separadamente à CNN que Cuba “vai cair muito em breve”.
“Cuba vai cair muito em breve, aliás, sem relação com o assunto, mas Cuba também vai cair. Eles querem muito fechar um acordo”, disse a Dana Bash, da CNN, numa entrevista por telefone, ao elogiar o sucesso militar dos EUA no seu segundo mandato.
“Querem fechar um acordo, por isso vou colocar o Marco [Rubio] lá e veremos como isto funciona. Estamos realmente focados nisso agora. Temos bastante tempo, mas Cuba está pronta - depois de 50 anos”, acrescentou.
“Tenho observado isto há 50 anos, e caiu-me no colo por minha causa, caiu, mas, mesmo assim, caiu-me no colo. E estamos muito bem”, continuou.
Um dia antes, Trump disse na Casa Branca que é apenas uma “questão de tempo” para que os cubanos americanos possam regressar ao seu país de origem, parecendo indicar que este é o próximo item na agenda do governo após a guerra em curso com o Irão.
“Ele está a fazer um bom trabalho, e o próximo será... queremos fazer aquele acordo especial com Cuba”, disse Trump, referindo-se ao seu secretário de Estado. “Ele está à espera. Mas diz: ‘Vamos terminar este primeiro’. Podíamos fazer todos ao mesmo tempo, mas coisas más acontecem. Se observarmos os países ao longo dos anos, vemos que, se tudo acontecer muito depressa, coisas más acontecem. Não vamos deixar que nada de mal aconteça a este país”.