Isidro de Morais Pereira explica que se os EUA se envolverem numa grande operação aérea no Médio Oriente há já "aviões de reserva que poderão ser chamados a intervir"
A base das Lajes, nos Açores, recebeu, nos últimos dias, 12 aviões reabastecedores da Força Aérea norte-americana. O major-general Isidro de Morais Pereira não tem dúvidas de que “isto significa que os Estados Unidos põem a possibilidade de virem a intervir diretamente em operações” militares no Médio Oriente.
“Sabemos que já transitaram dos Estados Unidos mais de duas dezenas de aviões de reabastecimento em voo. Para além desses 20, que já estão na Europa e muitos deles já na região do Médio Oriente, há também uma reserva de reabastecedores que neste momento estão na Base das Lajes”, explica o especialista militar e comentador da CNN Portugal. “Se for uma grande operação aérea, esses aviões estão de reserva e poderão ser chamados a intervir.”
Neste momento, já “há um porta-aviões americano que já está na região do Golfo e há mais dois a chegar. E ainda há outro britânico. Portanto, são muitos aviões para reabastecer. Além dos 300 caças israelitas, pois Israel também só tem três aviões de reabastecimento e talvez os Estados Unidos deem uma mãozinha no reabastecimento."
Donald Trump ainda não confirmou se vai intervir no Irão, ao lado de Israel, mas têm sido divulgadas várias movimentações militares que indicam que os EUA se estão a preparar para uma operação. Por um lado estão a ser retiradas do Médio Oriente todas as pessoas não essenciais, por outro há este vasto destacamento de meios aéreos para a região.
Questionada pela Lusa sobre a presença destas aeronaves nas Lajes, fonte do Departamento de Defesa dos Estados Unidos da América (EUA) disse apenas que “o Comando Europeu dos EUA acolhe habitualmente aviões militares (e pessoal) dos EUA em regime transitório, em conformidade com acordos de acesso a bases e sobrevoo com aliados e parceiros”. “Para além disso, não temos mais nada a partilhar”, acrescentou.
A Base das Lajes, localizada na ilha Terceira, nos Açores, acolhe vários aviões militares americanos e de outras nacionalidades, no âmbito da NATO, apoiando uma vasta gama de operações, incluindo reabastecimento, vigilância marítima e busca e salvamento.
“As Lajes não são tão importantes como foram noutros tempos porque atualmente, os aviões norte-americanos - os caças e os caças-bombardeiros - têm mais alcance do que tinham antigamente, e porque os Estados Unidos aumentaram muito a sua frota de abastecedores em voo", explica Isidro de Morais Pereira. Mas, de qualquer maneira, continua a ser uma zona a meio do Atlântico, já mais próxima da Europa, para fazer deslocar forças que estão numa staging area, uma área de espera, e que podem vir a ser utilizadas se for necessária. É uma reserva estratégica.”
