Os confrontos voltaram ao Estreito de Ormuz e houve mísseis no ar, mas, de alguma forma, a paz parece mais perto
Horas depois de uma das madrugadas mais violentas desde que o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irão está de pé, eis que chega um vislumbre de algo mais.
Ainda que sem uma voz uníssona e total sintonia, as duas partes chegaram a um memorando de entendimento que abre as portas a uma extensão do cessar-fogo por mais 60 dias.
Um anúncio feito em primeira mão pelo jornalista Barak Ravid, do portal Axios, e que a agência Reuters depois tratou de esclarecer: esse memorando de entendimento existe mesmo, mas falta a aprovação final do presidente dos Estados Unidos para lhe dar corpo.
De resto, não falta apenas a concordância de Donald Trump, mas também da cúpula diretiva do Irão, encabeçada pelo Líder Supremo, Mojtaba Khomeini, que continua a liderar de forma virtual, já que ainda não apareceu em público desde o início da guerra.
O aparecimento deste princípio de acordo, cujos principais termos terão sido alcançados no início desta semana, surgiu horas depois de a Guarda Revolucionária Islâmica ter atacado uma base aérea dos Estados Unidos no Kuwait, que depois confirmou que as suas forças intercetaram um “míssil hostil e ameaças de drones” durante a madrugada.
Isto já depois de os Estados Unidos terem realizado novas operações ao largo de Bandar Abbas, ali mesmo no Estreito de Ormuz, naquele que foi o segundo momento do género esta semana.
Apesar da troca de tiros, os Estados Unidos garantiram que as suas ações não violaram o cessar-fogo, já que se limitaram ao exercício defensivo.
Em sentido contrário, a visão norte-americana é de que o ataque do Irão, esse sim, foi uma “violação egrégia do cessar-fogo” que ocorreu “horas depois de as forças iranianas terem lançado cinco drones de ataque que colocaram uma ameaça no e perto do Estreito de Ormuz”.
Todos esses drones foram intercetados, garantem os Estados Unidos, que ainda abateram um sexto veículo não-tripulado lançado de Bandar Abbas, que virou centro militar nos últimos dias.
Reiterando a validade das suas operações, o Comando Central dos Estados Unidos descreveu os ataques como “medidos, puramente defensivos e com a intenção de manter o cessar-fogo”.
Visão diferente tem o Irão, que entendeu ter havido uma violação do cessar-fogo nas operações norte-americanas. De acordo com o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que foi citado pela agência IRIB, a república islâmica vai “tomar todas as medidas necessárias para defender a sua soberania nacional”.
Com a questão do urânio enriquecido e das sanções em vigor ao Irão a serem dois dos maiores irritantes entre as duas partes, parece haver uma janela temporal para que não se regresse já à guerra. Em todo o caso, Donald Trump continua a deixar as suas ameaças aqui e ali. Na última delas visou até Omã, país que tem tentado ajudar na questão do Estreito de Ormuz, mas que o presidente dos Estados Unidos avisou que podia ser um alvo se não se comportar como a Casa Branca pretende.
Tudo indica que vamos ter paz por mais tempo, portanto, mas a última palavra cabe a Donald Trump, que pediu "uns dias" para uma decisão final.
