Execuções foram realizadas em Qom "na presença de um grupo de pessoas", de acordo com as autoridades iranianas
O Irão executou três homens ligados aos protestos nacionais que ocorreram em janeiro, incluindo um lutador de luta livre de 19 anos cuja condenação atraiu críticas dos Estados Unidos.
A agência de notícias Mizan, ligada ao poder judicial iraniano, noticiou que os três foram enforcados esta quinta-feira, após o que descreveu como a conclusão dos procedimentos legais, que incluíram a presença de advogados de defesa e a aprovação do Supremo Tribunal do Irão. A agência disse que as execuções foram realizadas na cidade de Qom "na presença de um grupo de pessoas".
Acredita-se que estes sejam os primeiros enforcamentos realizados em público pelo Irão em relação aos protestos. O presidente dos EUA, Donald Trump, já tinha alertado o Irão contra tais execuções.
A Mizan disse que os três homens - identificados como Mehdi Qasemi, Saleh Mohammadi e Saeed Davoudi - foram condenados pelo seu envolvimento no homicídio de dois polícias numa esquadra.
Segundo a Mizan, usaram “armas brancas” - incluindo espadas, facas e machetes - em ataques separados contra os dois polícias.
Os Estados Unidos já tinham declarado estar “profundamente preocupados” com as notícias sobre Mohammadi, descrevendo-o como um campeão de luta livre. Numa publicação na rede social X em janeiro, os EUA pediram a Teerão que “suspendesse a execução de Saleh Mohammadi e de todos os indivíduos que foram condenados à morte por procurarem exercer os seus direitos fundamentais”.
Protestos antigovernamentais em todo o Irão eclodiram no início de janeiro de 2026, alimentados pela crise económica, pela desvalorização da moeda e por uma crescente indignação com o regime clerical, naquela que os ativistas descreveram como a maior onda de protestos em décadas.
As autoridades iranianas responderam com uma repressão brutal que, segundo grupos de defesa dos direitos humanos, matou milhares de iranianos. Os assassínios levaram o presidente norte-americano, Donald Trump, a emitir um alerta, advertindo o Irão contra as execuções e dizendo aos manifestantes que “a ajuda está a caminho”.
