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Chegou uma "fase muito mais perigosa da guerra": gás natural entra em cena com ataques aos locais mais importantes da produção mundial

18 mar, 20:06
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Foram atacados, de um lado e do outro, o maior campo de gás natural do mundo e o maior centro de produção de gás natural do mundo. A guerra está prestes a escalar

Ataque de um lado e resposta ao mesmo nível do outro. Como tem acontecido quase em todos os dias, o Irão decidiu espelhar as decisões de Estados Unidos e Israel, que esta quarta-feira atingiram as importantes infraestruturas de petróleo e gás natural em Pars, a partir de onde se gera grande parte da energia consumida por todos os iranianos.

É também parte de um dos maiores campos de gás natural de todo o mundo, servindo como uma espécie de coluna vertebral do sistema energético doméstico do Irão, que parece continuar a ter problemas em impedir os inimigos de atingirem os alvos pretendidos - veja-se as mais recentes mortes de Ali Larijani ou Esmail Khatib, que serviam como líder do Conselho de Segurança Nacional e ministro dos Serviços Secretos, respetivamente, ambos nos lugares mais altos da estrutura política do país.

O Irão avisou prontamente que este tipo de ataques representava uma escalada significativa no conflito, até porque marcou a primeira operação direcionada à produção de energia do país, com as infraestruturas petroquímicas da zona a serem também alvo de explosões.

Ainda antes do Irão, foram os mercados a reagir: os preços do petróleo e do gás natural subiram e subiram, ameaçando confirmar algo que já se temia, e que na segunda-feira se deve efetivar com mais propriedade. Sim, os preços dos combustíveis devem continuar a aumentar, esperando-se até que o gasóleo ultrapasse mesmo os dois euros por litro, com a gasolina a poder chegar ao mesmo nível, caso os mercados reajam de forma mais drástica.

Mas depois da alta finança, foi o poder militar a reagir. A Guarda Revolucionária Islâmica emitiu avisos de evacuação para muitas das maiores infraestruturas energéticas da região, antevendo um problema que depois se veio a verificar.

Em Ras Laffan, no Catar, onde está o maior campo de produção de gás natural liquefeito de todo o mundo, as explosões não demoraram. Trata-se de uma localização a norte de Doha que partilha serviços, imagine-se, com a central de Pars, a mesma que horas antes foi atacada.

A Qatar Energy, a empresa estatal e maior produtora de gás natural e petróleo do Catar, confirmou a existência de “danos extensivos” após “ataques de mísseis” terem sido lançados contra a cidade industrial de Laffan.

Logo depois, o Ministério da Defesa do Catar confirmou o ataque, falando em dois mísseis balísticos que foram abatidos, o que não impediu os estragos causados ao local

Mas também na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos houve ataques, com o Irão a demonstrar que a maior arma que pode ter é o dano que pode infligir às economias dos países vizinhos, que são altamente dependentes da produção e exportação de combustíveis fósseis.

Pela tarde já o brente tinha subido 5% para 109 dólares por barril, o preço mais alto em mais de uma semana, enquanto os preços do gás natural na Europa subiram 6,6% para perto de 55 euros por megawatt à hora.

Em declarações reproduzidas pelo Financial Times, um antigo responsável da área petrolífera do Irão admitiu que a guerra está “no início de uma fase muito mais perigosa”, já que o ataque a Pars significa danos ao local que produz cerca de dois terços de todo o gás natural que o Irão consome.

Segundo a Administração de Informação Energética dos Estados Unidos, é ali que se produz 85% de toda a energia consumida pelo país. Para o responsável iraniano, o Irão “vai reduzir” as plataformas de gás natural do Catar a zero se as suas principais refinarias forem atingidas”.

Mesmo o Catar pareceu não ficar totalmente contente depois do ataque a Pars. “Atingir infraestrutura energética constitui uma grave ameaça à segurança energética global, bem como aos povos da região e ao seu ambiente”, afirmou o porta-voz do governo catari, Majid al-Ansra.

De resto, como reporta a agência Reuters, nem Estados Unidos nem Israel reclamaram  responsabilidade pelo ataque, ainda que a imprensa israelita esteja a atribuir a operação a Telavive. Talvez por isso, Catar culpou Israel nas suas declarações, deixando de fora das críticas os Estados Unidos.

Com tudo o que já vinha acontecendo no Estreito de Ormuz, onde passa 20% do petróleo mundial, as autoridades iranianas parecem não ter vontade de frear as ameaças. “O pêndulo da guerra baliçou para uma guerra económica em escala total”, afirmou o presidente da central de gás natural Assaluyeh, que também faz parte do complexo de Pars.

Eskandar Pasalar fala num ataque que pode ser um “suicídio político” de Estados Unidos e Israel, já que faz com que o conflito entre numa “nova fase de equações de guerra”.

“A segurança energética da região chegou ao ponto zero”, reiterou, em comentários que foram divulgados pela imprensa nacional, e que vão ao encontro da retórica de Teerão, que não dá quaisquer sinais de querer abrandar o ritmo das suas respostas aos ataques continuados de Estados Unidos e Israel, o que deixa no ar a hipótese de que a guerra ainda vai escalar.

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