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Cessar-fogo em perigo: mísseis voltaram a voar e EUA e Irão atacam-se nas horas mais tensas do último mês

5 mai, 09:47
O cenário de destruição no Irão (Hassan Ghaedi/Anadolu via Getty Images)

Petrolífera a arder é a imagem de um dia em que os ataques entre as partes foram retomados, ainda que a diplomacia dos dois lados sublinhe que o objetivo é a paz

Nunca foi muito fiável, mas o cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão atingiu o seu ponto mais baixo em quase um mês, com ambos os países a voltarem aos disparos, forçando os mercados a nova reação de pânico pelo que pode acontecer no Estreito de Ormuz, com o barril de petróleo a atingir um máximo de quatro anos, fixando-se em 126 dólares.

Nas primeiras horas de um novo passo na guerra, e num dia em que se esperava que começassem a sair do Estreito de Ormuz navios escoltados pelas Forças Armadas dos Estados Unidos, o Irão apresentou um mapa redesenhado da zona e anunciou disparos contra um navio militar norte-americano.

Os Estados Unidos até negaram que a fragata tivesse sido atingida, mas, pelo menos na retórica, este foi o ponto mais aceso desde 7 de abril, quando ambas as partes concordaram em parar os ataques.

Da retórica à prática foi um instante. Rapidamente as forças norte-americanas confirmaram a destruição de seis pequenos barcos do Irão - Teerão diz que eram civis e que morreram cinco pessoas -, além de mísseis de cruzeiro e de drones, procurando garantir que as primeiras horas do “Projeto Liberdade”, em que a Casa Branca pretende o desbloqueio do Estreito de Ormuz, mesmo que à força, funcionavam de acordo com o pretendido.

Spoiler: não funcionaram, já que o Irão respondeu em força, sendo que o fluxo de navios também não aumentou por aí além.

Justificando a posição do país, o presidente do parlamento iraniano afirmou já esta terça-feira que a segurança comercial e energética em termos de tráfego marítimo tem estado constantemente ameaçada por falhas no acordo que, apesar de frágil, vigorou nas últimas quatro semanas.

Mohammad Baqer Ghalibaf culpa os Estados Unidos acima de todos, mas também entende que os seus aliados têm uma responsabilidade própria na situação vivida no local por onde passa 20% do petróleo mundial, além de quantidades relevantes de gás natural, fertilizantes e outros bens.

Os Estados Unidos até garantiram que dois navios comerciais foram mesmo escoltados, mas não houve nenhuma confirmação oficial sobre o tipo de embarcação ou a quem pertenciam. Em todo o caso, a gigante dinamarquesa do transporte de mercadorias em contentores Maersk informou já esta terça-feira que um dos seus navios, o Alliance Fairfax, com pavilhão norte-americano, atravessou o Estreito de Ormuz escoltado pela Armada dos Estados Unidos.

O spoiler acima é de um filme em que vários navios voltaram a ser atacados, muitos deles a relatarem explosões que impediram a continuação da operação comercial, mostrando que a tal “liberdade” do projeto dos Estados Unidos não seria assim tão fácil.

Mais do que isso, os Emirados Árabes Unidos voltaram a ser atacados pela primeira vez no espaço de um mês. O alvo? Um porto petrolífero onde, certamente que não coincidentemente, está uma base militar norte-americana. De acordo com o governo local, o grande incêndio que foi possível ver na Fujairah, e que resultou em três feridos, foi provocado por esse mesmo ataque.

Neste espaço dúbio, o próprio Irão parece interessado em fazer dois caminhos diferentes. A seguir aos disparos com drones e mísseis, a Guarda Revolucionária Islâmica garantiu que o Estreito de Ormuz estava fechado, acenando com todas as suas armas, incluindo minas em pleno mar.

Em paralelo, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão afirmou que as conversações de paz que decorrem com a mediação do Paquistão estão a correr bem, até porque, de acordo com Abbas Araghchi, não há nenhuma solução militar para a crise.

Embora não haja ainda um retomar total da guerra, as últimas horas apontam para um cessar-fogo ainda mais frágil. Sendo difícil de imaginar que o Irão recua na retórica, falta saber o que fará Donald Trump em relação a estes acontecimentos.

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