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Acordo ou miragem? O confuso cessar-fogo entre EUA e Irão choca com o caos no terreno

CNN , Jeremy Herb, Adam Cancryn, Alayna Treene, Jennifer Hansler, Zachary Cohen, Natasha Bertrand, Kylie Atwood e Tal Shalev
9 abr, 19:19
O presidente dos EUA, Donald Trump, acompanhado pelo diretor da CIA, John Ratcliffe (centro-esquerda), pelo secretário da Defesa, Pete Hegseth (segundo a contar da direita), e pelo chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine (à direita), discursa durante uma conferência de imprensa na Casa Branca (Andrew Harnik/Getty Images)

Há poucos indícios de que a realidade no Estreito de Ormuz tenha mudado assim tanto e a guerra no Líbano continua, o que está a provocar uma conversa de surdos entre as partes sobre se essa parte está ou na incluída no acordo

A menos de três horas do prazo final estabelecido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, às 20:00 norte-americanas (mais cinco horas em Portugal continental), para que o Irão fechasse um acordo ou enfrentasse a sua ameaça apocalíptica de morte e destruição, o secretário da Defesa, Pete Hegseth, e o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, os dois principais oficiais militares do país, foram convocados para a Casa Branca.

Altos oficiais militares, incluindo Caine, preparavam-se para o início de uma operação militar alargada, enquanto os conselheiros da Casa Branca se organizavam para possíveis contingências, incluindo a presença de Hegseth e Caine caso o presidente decidisse fazer um pronunciamento em vídeo à nação, disseram fontes familiarizadas com o assunto à CNN.

Ninguém tinha a certeza do que Trump iria fazer, disseram as fontes.

No final, a 90 minutos do prazo final, Trump anunciou na Truth Social que tinha sido alcançado um acordo de cessar-fogo de duas semanas, pondo fim a uma frenética corrida diplomática para tentar evitar a ameaça nessa mesma manhã de que “uma civilização inteira morrerá esta noite”.

A súbita declaração de cessar-fogo de Trump gerou um alívio imediato nos mercados financeiros globais. Mas o anúncio também alimentou ainda mais o caos e a confusão sobre o que Trump e o Irão tinham realmente acordado - incluindo se os EUA tinham alcançado um dos seus principais objetivos: a reabertura do Estreito de Ormuz, que o Irão fechou efetivamente no último mês em resposta às operações conjuntas entre os EUA e Israel, bloqueando uma importante via de abastecimento energético global e derrubando os mercados.

O primeiro sinal do impasse surgiu pouco mais de uma hora depois de Trump ter anunciado que uma proposta de 10 pontos do Irão era “uma base viável para negociar”. O presidente ficou furioso com uma declaração do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão a declarar vitória, disseram duas fontes familiarizadas com o assunto. Alegando que a declaração era falsa, Trump atacou a CNN por a ter noticiado vinda do principal órgão de segurança do país.

Embora altos funcionários da administração Trump tenham insistido já esta quarta-feira que o Estreito de Ormuz tinha sido reaberto aos petroleiros e que tinham observado um aumento do tráfego, há poucos indícios de que a realidade no estreito tenha mudado muito.

Fumo sobe após vários ataques aéreos israelitas em Beirute, no Líbano (Hassan Ammar/AP)
Fumo sobe após vários ataques aéreos israelitas em Beirute, no Líbano (Hassan Ammar/AP)

O Irão afirmou esta quarta-feira que o cessar-fogo já tinha sido violado, apontando para os bombardeamentos contínuos de Israel no Líbano, enquanto os dois lados discordavam sobre a inclusão do Líbano no acordo.

Embora o frágil cessar-fogo ainda seja mantido, a divergência sublinhou o desafio que Trump enfrenta, agora perante a tarefa de pôr fim a uma guerra de 40 dias em que os EUA e Israel mataram o Líder Lupremo do Irão, mas não alteraram o facto de que a linha-dura ainda controla o governo - apesar das constantes alegações de Trump sobre a mudança de regime - e que o tráfego global de petróleo continua a ser mínimo.

“Vimos alguns dos maiores ataques do Irão contra o Golfo, contra o Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, e até um ataque na Arábia Saudita, com mísseis e drones”, apontou esta quarta-feira Brett McGurk, analista de assuntos globais da CNN e antigo enviado especial dos EUA que já negociou com os iranianos, no programa “The Arena”, da CNN.

“Podemos contar mísseis, drones e navios, se os navios se estão a mover, e até agora, todos estes indicadores apontaram, pelo menos hoje, na direção errada”, acrescentou McGurk.

Na noite desta quarta-feira, Trump avisou na sua Truth Social que os EUA estavam preparados para retomar as operações militares caso o Irão não concordasse com um acordo.

“Todos os navios, aeronaves e militares dos EUA, com munições, armamento e tudo o mais que seja apropriado e necessário para a perseguição e destruição letal de um inimigo já substancialmente enfraquecido, permanecerão nos seus postos no Irão e nos seus arredores, até que o ACORDO REAL alcançado seja plenamente cumprido”, escreveu.

O foco vira-se agora para a próxima ronda de negociações e para o vice-presidente JD Vance, que viajará para o Paquistão este fim de semana para conversações com o enviado dos EUA, Steve Wikoff, e o genro de Trump, Jared Kushner.

Vance desvalorizou a confusão em torno do cessar-fogo e do Líbano, dizendo aos jornalistas que se tratava de um “mal-entendido legítimo”.

"Acho que os iranianos pensaram que o cessar-fogo incluía o Líbano, mas não. Nunca fizemos essa promessa. Nunca indicámos que seria esse o caso”, disse Vance à saída da Hungria. “O que dissemos foi que o cessar-fogo se concentraria no Irão e nos aliados dos Estados Unidos, tanto em Israel como nos Estados árabes do Golfo.”

Vance foi uma figura crucial na negociação com os paquistaneses para a proposta, disseram fontes familiarizadas com as conversações. Espera-se que o encontro no Paquistão seja o primeiro de várias negociações intensas sobre um acordo duradouro a longo prazo para pôr fim à guerra.

A administração Trump está atualmente a operar na perspetiva de que o cessar-fogo de duas semanas poderá proporcionar tempo suficiente para chegar a um acordo mais substancial com o Irão. O atual cessar-fogo poderá ser prolongado se a Casa Branca acreditar que estão a ser feitos progressos suficientes, acrescentaram responsáveis ​​norte-americanos.

Uma fonte regional descreveu o que surgiu como uma “confusão controlável”.

“Estão a tentar dominar um ciclo de notícias de 24 horas de cada vez”, referiu outra fonte familiarizada com as discussões internas. “Vamos todos ver os barcos. Em breve saberemos o que é real.”

Controlar o estreito

Os contratos futuros de ações dispararam imediatamente após o anúncio do cessar-fogo de Trump, com a queda acentuada dos preços do petróleo. Os investidores agarraram-se, otimistas, à perspetiva de que a paz levaria à reabertura total do Estreito de Ormuz e a um alívio da crise energética que assolou grande parte do mundo no último mês.

Numa entrevista a Jon Karl, da ABC News, na manhã desta quarta-feira, Trump sugeriu que os EUA poderiam envolver-se na segurança do Estreito numa "parceria" com o Irão, mencionando a possibilidade de ambos os países cobrarem portagens pela passagem segura.

Dentro do governo, porém, havia muito menos certezas sobre como funcionaria esta reabertura.

Nas horas que antecederam a abrupta declaração de cessar-fogo, os responsáveis ​​da administração Trump alertaram os executivos do setor energético, em conversas privadas, que um avanço parecia improvável e que a situação provavelmente "pioraria antes de melhorar", disse uma fonte familiarizada com o assunto.

A “arco-defesa” do Irão
Sete ilhas iranianas em redor do Estreito de Ormuz são fundamentais para o controlo do tráfego marítimo, dizem os analistas.

Fontes: Instituto Marinho da Flandres (2026): MarineRegions.org, Google Maps Gráfico: Lou Robinson, CNN
Fontes: Instituto Marinho da Flandres (2026): MarineRegions.org, Google Maps
Gráfico: Lou Robinson, CNN

Num sinal de pessimismo, as autoridades trabalhavam na terça-feira para tranquilizar o setor, garantindo que manteriam o compromisso anterior de não restringir a capacidade das empresas norte-americanas de exportar petróleo, independentemente da subida dos preços num futuro próximo, segundo uma fonte familiarizada com o assunto. Os executivos do setor energético temem há algum tempo que o governo limite as exportações num esforço para preservar o abastecimento e conter o aumento dos preços do petróleo e do gás no mercado interno.

Os planos de paz concorrentes apresentados pela Casa Branca e pelo regime iraniano na noite de terça-feira apenas intensificaram as preocupações de que o Irão mantenha o controlo do estreito a longo prazo, podendo decidir que navios podem passar e a que preço.

"Ele cansou-se, não se importa com o estreito, quer manter a pressão sobre os iranianos, mas agora vê espaço para um acordo", disse outra pessoa conhecedora das discussões internas, referindo-se aos cálculos de Trump ao concordar rapidamente com um conjunto tão vago de princípios para a paz.

Os ataques também pareciam continuar esta quarta-feira em ambos os lados do conflito, com um alegado ataque a um oleoduto crucial na Arábia Saudita a aumentar a tensão. Durante todo o período de incerteza, o tráfego marítimo manteve-se praticamente paralisado no Golfo Pérsico.

“Podemos ter proclamações, anúncios e tudo o resto, mas a situação continua a mesma desde o início de março, a menos que os operadores de navios acreditem que é seguro”, referiu Clayton Seigle, investigador sénior do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais e analista de energia de longa data.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou já esta quarta-feira que o Irão garantiu à Casa Branca que está a permitir a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, apesar dos relatos de que Teerão teria voltado a fechar a via navegável.

“Neste caso, o que dizem publicamente é diferente”, garantiu durante uma conferência de imprensa, embora tenha reconhecido que pode “levar tempo” para que os navios voltem a atravessar a via navegável. “Em privado, observamos um aumento do tráfego no estreito.”

O presidente dos EUA, Donald Trump, participa numa conferência de imprensa na sala de imprensa James S. Brady, na Casa Branca (Anna Moneymaker/Getty Images)
O presidente dos EUA, Donald Trump, participa numa conferência de imprensa na sala de imprensa James S. Brady, na Casa Branca (Anna Moneymaker/Getty Images)

Ameaças a "toda uma civilização"

O acordo de terça-feira marcou o que acabou por ser um fim anticlimático para um período notável de 72 horas de guerra.

Pouco depois das 00:00 de domingo, Trump anunciou um triunfo militar dos EUA na Truth Social: os EUA realizaram com sucesso uma perigosa missão no Irão para resgatar o segundo dos dois pilotos americanos cujo caça foi abatido.

Mais tarde, nessa manhã, as ameaças de Trump contra o Irão começaram a escalar à medida que o seu prazo autoimposto se aproximava. “Terça-feira será o Dia da Central Elétrica e o Dia da Ponte, tudo junto, no Irão. Não haverá nada igual!!! Abram o maldito Estreito, seus sacanas loucos, ou viverão no inferno - AGUARDEM!” Trump publicou no Truth Social.

Depois, na manhã de terça-feira, Trump intensificou ainda mais a sua retórica apocalíptica: “Toda uma civilização morrerá esta noite, para nunca mais ser trazida de volta”, escreveu na Truth Social. “Não quero que isso aconteça, mas provavelmente vai acontecer.”

A mensagem sinistra de Trump apanhou muitos na administração de surpresa e levantou questões internas sobre até onde o presidente estava disposto a ir para forçar Teerão a um acordo, disseram fontes familiarizadas com as discussões.

Nos dias que antecederam a mensagem, houve uma comunicação constante entre Witkoff, Kushner e atores regionais, incluindo o Paquistão e a Turquia, enquanto se esforçavam por encontrar um acordo diplomático, disseram fontes regionais à CNN - e não era claro até à publicação da mensagem de Trump se conseguiriam chegar a um acordo.

Os responsáveis ​​da administração esperavam que algum nível de acordo através de negociações indiretas resultasse em mais um adiamento do prazo de Trump, ou pelo menos minimizasse a gravidade das suas retaliações, disseram à CNN várias fontes familiarizadas com as negociações. No entanto, não estava claro até ao anúncio de Trump que tal avanço seria suficiente, disseram as fontes.

Vista geral dos edifícios destruídos num ataque conjunto de Israel e dos Estados Unidos, em Teerão, no Irão (Majid Saeedi/Getty Images)
Vista geral dos edifícios destruídos num ataque conjunto de Israel e dos Estados Unidos, em Teerão, no Irão (Majid Saeedi/Getty Images)

As discussões foram dificultadas pelo facto de terem ocorrido para além das fronteiras e dos fusos horários, em vez de duas partes estarem juntas numa sala, disseram fontes.

Ainda assim, na preparação para o anúncio do cessar-fogo temporário, as respostas dos iranianos, que por vezes eram difíceis de contactar, tornaram-se mais rápidas, com os interlocutores a receberem mensagens de volta em questão de horas, disse uma das fontes regionais.

Nas horas que antecederam a publicação de Trump, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Paquistão fez uma série de telefonemas, incluindo para os seus homólogos na Turquia, Egito e Arábia Saudita, para trocar informações, disse uma fonte.

"Mesmo naquele momento, as pessoas precisavam de garantir que todos tinham o mesmo entendimento", disse a fonte à CNN. Poucas horas após o anúncio do cessar-fogo, tornou-se evidente que nem todos tinham o mesmo entendimento, particularmente em relação ao Líbano.

No final do dia, o processo mediado pelo Paquistão ganhou um novo fôlego, com o chefe do Exército, o marechal de campo Asim Munir, a participar pessoalmente.

Uma fonte bem posicionada afirmou que funcionários da CIA estavam envolvidos em discussões secretas com representantes iranianos, numa tentativa de ultrapassar o impasse.

Na tarde de terça-feira, cinco horas antes do prazo final de Trump, uma fonte com conhecimento do pensamento do governo paquistanês enviou uma mensagem a um repórter da CNN a referir que “boas notícias” estavam a caminho e a aconselhar que se seguisse de perto a conta da rede social X do primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif.

Minutos depois, Sharif publicou uma mensagem a referir que os esforços diplomáticos estavam a “progredir de forma constante, forte e poderosa” e pediu formalmente a Trump que prolongasse o seu prazo por duas semanas. Sharif solicitou ainda ao Irão que abrisse o Estreito de Ormuz pelo mesmo período.

A mensagem pareceu um apelo de última hora aos líderes de Washington e Teerão. Mas fontes familiarizadas com as negociações disseram à CNN que a Casa Branca já tinha sido informada sobre a declaração e, em grande parte, aprovado os elementos específicos propostos por Sharif. Altos funcionários da administração Trump estiveram em contacto com os paquistaneses ao longo do dia e deixaram claro quais eram as prioridades dos EUA para um acordo final.

O secretário da Guerra, Pete Hegseth (à esquerda), discursa enquanto o chefe do Estado-Maior Conjunto, o general Dan Caine, observa durante uma conferência de imprensa no Pentágono (Andrew Harnik/Getty Images)
O secretário da Guerra, Pete Hegseth (à esquerda), discursa enquanto o chefe do Estado-Maior Conjunto, o general Dan Caine, observa durante uma conferência de imprensa no Pentágono (Andrew Harnik/Getty Images)

Preparar-se para uma "lista de alvos gigantesca"

Entretanto, as Forças Armadas dos EUA estavam preparadas para intensificar o conflito e realizar ataques adicionais caso não fosse anunciado um acordo de cessar-fogo, afirmou um responsável norte-americano.

Não é claro, no entanto, se as Forças Armadas teriam capacidade para realizar uma operação da magnitude daquela que Trump ameaçou publicamente.

Do ponto de vista militar, os membros das Forças Armadas norte-americanas prepararam-se para uma possível escalada, prevendo que Trump ordenaria ataques contra uma “lista de alvos gigantesca” caso o Irão não aceitasse reabrir o Estreito de Ormuz, disse à CNN uma fonte familiarizada com o processo de planeamento do Pentágono.

Estas incluíam a possibilidade de utilizar as Forças Armadas americanas para tentar reabrir o estreito à força e ordenar o envio de uma força de invasão para remover o stock existente de urânio altamente enriquecido do Irão, uma missão que, segundo a CNN, exigiria um grande número de tropas em terra e acarretaria riscos significativos.

“Tínhamos um alvo definido, pronto para ser atingido, composto por infraestruturas, pontes e centrais elétricas”, garantiu Hegseth numa conferência de imprensa na manhã desta quarta-feira.

Ao contrário das campanhas militares americanas anteriores, houve um período de espera para as tropas americanas antes de saberem o que estava incluído na lista de missões. Este período de espera pareceu estar em vigor a menos de três horas do prazo final de Trump, aumentando ainda mais a incerteza sobre o que o presidente faria quando chegasse a altura da decisão.

De acordo com três fontes israelitas, Israel estava a preparar o terreno para uma prorrogação de última hora do prazo de Trump, mas o exército também estava de prontidão para uma escalada ainda maior do conflito. Duas fontes disseram que havia planos para uma operação conjunta EUA-Israel contra a infraestrutura nacional do Irão, com alvos já identificados.

Uma fonte norte-americana familiarizada com a situação disse que as tropas no Médio Oriente estavam a preparar-se para o prazo final e para o potencial de novos ataques do Irão em resposta. A fonte disse que o clima entre as forças americanas à medida que o prazo se aproximava era de tensão.

Caine afirmou na conferência de imprensa desta quarta-feira que as forças norte-americanas continuam prontas "se receberem ordens ou forem convocadas para retomar as operações de combate" no Irão.

Equipas de resgate procuram pessoas após um ataque israelita ter atingido um edifício residencial no bairro de Corniche al Mazraa, em Beirute, no Líbano, na quarta-feira (Daniel Carde/Getty Images)
Equipas de resgate procuram pessoas após um ataque israelita ter atingido um edifício residencial no bairro de Corniche al Mazraa, em Beirute, no Líbano, na quarta-feira (Daniel Carde/Getty Images)

 

Um cessar-fogo contestado antes das negociações deste fim de semana

Na manhã desta quarta-feira, tornou-se claro que nem todos os lados tinham o mesmo entendimento sobre os termos específicos do cessar-fogo, particularmente se este se aplicava ao Líbano.

Israel realizou aquele que afirmou ser o maior ataque coordenado no Líbano desde o início da guerra, já esta quarta-feira, juntamente com um ataque em Beirute nessa mesma noite.

As partes divergiram sobre se o Líbano estava incluído no acordo: os paquistaneses e os iranianos indicaram que fazia parte da trégua temporária, enquanto Israel e os EUA afirmaram o contrário.

Uma fonte israelita familiarizada com o assunto disse que Israel trabalhou durante a noite com os EUA para garantir que não aceitava a exigência iraniana de que o Líbano fizesse parte do acordo de cessar-fogo.

Na manhã desta quarta-feira, após o anúncio do acordo, Netanyahu insistiu que os EUA coordenaram antecipadamente o cessar-fogo temporário com Israel, de acordo com um alto funcionário israelita.

O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou depois que três pontos da proposta de dez pontos do Irão foram violados, citando os ataques israelitas no Líbano, um drone que, segundo Teerão, entrou no espaço aéreo iraniano e o não reconhecimento do direito do Irão ao enriquecimento de urânio.

Vance desvalorizou as alegações de violação à saída de Budapeste, na Hungria, dizendo aos jornalistas que as queixas de Ghalibaf “não faziam sentido no contexto das negociações que tivemos”.

A presença de Vance nas negociações deste fim de semana marcará o envolvimento ao mais alto nível de um responsável norte-americano nas discussões diplomáticas com o Irão até à data, que já decorriam há vários meses antes do início da guerra entre os EUA e o Irão no final de fevereiro.

Na tarde desta quarta-feira, Trump continuava a acreditar que a nova liderança do regime iraniano estava mais disposta a fazer concessões do que a administração do ex-aiatola Ali Khamenei, disse um funcionário da Casa Branca à CNN.

Esta crença foi o que possibilitou a reunião de sábado de manhã entre altos funcionários dos EUA e do Irão em Islamabad, disseram as autoridades.

Mas há dúvidas de que um acordo possa ser finalizado dentro do prazo de duas semanas e questões sobre até que ponto os mediadores iranianos esperados - Abbas Araghchi e Ghalibaf - terão poder para chegar a um acordo. Araghchi é visto por alguns como uma figura minoritária num regime iraniano ainda mais linha-dura e, segundo uma das fontes regionais, “muitas pessoas veem-no como um traidor porque quer uma solução diplomática”.

Nic Robertson, Haley Britzky, Kristen Holmes e Izzy Lippolis, da CNN, contribuíram para esta reportagem

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