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EUA só comunicaram movimentação: Portugal não sabia para onde iam os aviões que saíram das Lajes

15 mai, 22:40
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Base das Lajes recebeu uma movimentação inédita de aviões antes do início da guerra do Irão. Dos Estados Unidos veio apenas um aviso de "reposicionamento"

Os Estados Unidos informaram Portugal de que iria haver um “reposicionamento” na Base das Lajes, na ilha Terceira, antes de começar a Operação Fúria Épica, mas não disseram mais nada.

No meio de toda a polémica reacendida pelas declarações do secretário de Estado norte-americano, que elogiou a posição de países como Portugal antes de ser lançada a guerra contra o Irão, a CNN Portugal apurou que os Estados Unidos não esclareceram o Governo português sobre qual era o âmbito das movimentações aéreas na base açoriana.

A etapa inicial teve a mobilização e posicionamento dos aviões reabastecedores KC-46 na Base das Lajes, sendo essa a grande utilidade da estrutura portuguesa, já que só assim os bombardeiros dos Estados Unidos, como os B-2, poderiam fazer toda a travessia até ao Irão.

A informação que a CNN Portugal confirmou aponta que os Estados Unidos só comunicaram o tal “reposicionamento” das aeronaves, não tendo havido referência ao uso ou ao destino destas aeronaves.

De referir que a Base das Lajes é portuguesa, ainda que tenha tropas norte-americanas, pelo que existe uma série de etapas que devem ser cumpridas para que tudo seja feito de acordo com o estipulado.

Como funciona a comunicação

Primeiro deve ser feito um pedido formalizado pela embaixada dos Estados Unidos, que depois é avaliado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, passando depois para o Ministério da Defesa, que terá de avaliar a disponibilidade da Base das Lajes.

O processo volta ao Ministério dos Negócios Estrangeiros para uma decisão final, mais política. Em casos de maior sensibilidade poderá haver uma intervenção do primeiro-ministro, que terá a última palavra.

Completados todos estes passos, o processo regressa à origem, ou seja, à embaixada dos Estados Unidos em Lisboa, que, após toda a aprovação, notifica a Base das Lajes por canal militar, numa notificação que chega à Força Aérea portuguesa.

Tudo isto decorre num prazo máximo de três dias, sendo que em alturas urgentes o processo pode ser muito encurtado, podendo até ser informal, caso se justifique.

De resto, a CNN Portugal sabe que muitos dos aviões que passam pela Base das Lajes não informam sobre o seu destino, o que aconteceu também neste caso da guerra do Irão.

Acaba por haver aqui uma situação que é propositadamente dúbia, o que ressalva ambas as partes, incluindo Portugal.

Esta situação acaba por volta à ordem do dia depois de o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, ter mencionado o caso português.

O que aconteceu

Esta semana, Rubio disse que Portugal deu autorização para o uso da Base das Lajes mesmo antes de saber qual era o pedido.

“Para ser justo, há países da NATO que foram muito úteis para nós. Vou só dizer um: Portugal. Disseram que sim mesmo antes de perguntarmos o que quer que fosse”, disse o governante americano.

Em comunicado enviado às redações, o Ministério dos Negócios Estrangeiros desmentiu Rubio.

“Como se explicou publicamente e, em detalhe, à Comissão de Negócios Estrangeiros (no dia 7 de abril), o pedido a Portugal para utilização da Base das Lajes só foi feito já depois do ataque ao Irão, sendo que o Governo português só autorizou mediante condições que foram logo tornadas públicas e que são conhecidas”, começou por explicar o Governo.

“A declaração do secretário de Estado Marco Rubio não se aplica, pois, de todo a Portugal e não sabemos se se aplica a algum dos outros países a que se referiu”, pode ler-se na nota enviada pelo ministério de Paulo Rangel.

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