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Ucrânia: as nove horas de viagem de comboio entre Lviv a Kiev

6 abr, 19:40

O dia amanhece tranquilo em Lviv, não houve sirenes de alarme durante a madrugada, às 6 da manhã a cidade acorda. A estação de comboios não dorme, no grande hall, de abobadas e antigos guichets de madeira há muita gente a olhar para os placards à espera de informações. Por todo o lado malas volumosas, crianças de gorros e luvas, animais em caixas de transporte. Os voluntários, de coletes laranja, prestam informações a quem por ali anda, são amáveis.

Perguntam-nos de onde somos, já imaginavam que eramos jornalistas, desejam boa sorte e agradecem. A estação tem escadas íngremes, difíceis de ultrapassar com malas e mochilas, a minha óbvia dificuldade em carregar as malas foi subitamente ultrapassada com duas mãos vindas de trás de mim, que agarraram na bagagem e, em poucos segundos, as levaram para a plataforma 2.

 O nosso comboio é o 744 para Kiev, vai com algumas carruagens com bastante gente, mulheres e crianças, jornalistas estrangeiros. A nossa está praticamente vazia, leva apenas seis ou sete homens. Esperam-nos nove horas de viagem.

 

A viagem


O comboio segue silencioso, quase toda a gente dormita, a paisagem é surpreendentemente amarela, queimada pela neve dos últimos dias, e a terra é negra. As casas que ladeiam a linha de caminho de ferro têm telhados de zinco ou fibrocimento, são casas de campo, muitas com um pequeno terreno à frente, com um ar envelhecido e simples. Há algum movimento aqui e ali, uma mulher a passear com um filho, um idoso a atravessar a aldeia. As estações de comboio estão limpas e organizadas. Ao fundo espreita um soldado ucraniano de arma ao ombro.

Uma jovem funcionária dos comboios ucranianos, loura e delgada, pede-nos delicadamente os bilhetes e o passaporte.  

Lá fora carros cruzam uma estrada e passamos por uma bomba de combustível com carros a abastecer. 

Na nossa carruagem há jornalistas, e homens jovens. Na penúltima paragem antes do destino, a 200 quilómetros de Kiev, entram mulheres e animais, 

Também as outras carruagens têm mulheres e crianças.

A chegada a Kiev faz-se devagar, é preciso mostrar os documentos de identificação. Passamos sem problemas. A estação tem escadarias de pedra intermináveis para quem anda com malas pesadas, que é o nosso caso, mas como sempre tem acontecido os homens que passam agarram nas minhas malas e levam-nas para o topo das escadas. Depois outros ajudam a descer, como se houvesse uma espécie de estafetas do auxílio. Os táxis funcionam, as mulheres e crianças que vieram no nosso comboio regressam a casa. Chegámos a Kiev.

 

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