A paz, desde que paguem

21 ago 2025, 12:30

Alaska, Washington e as negociações para o fim da guerra na Ucrânia

Na guerra das cortinas de fumo constantes que tem sido esta, talvez ainda seja demasiado cedo para afirmar que ei-la, finalmente, talvez mais próxima do que alguma vez a vimos em mais de três anos, ainda indefinida nos seus termos: a paz.

Movido pela ânsia de alcançá-la a todo o custo que monetize, acima de tudo, os interesses dos Estados Unidos, Donald Trump acelerou o processo ao fim de longos meses de avanços, recuos e desvios ninguém sabe bem para onde – um pouco, aliás, como os “progressos” da Rússia no terreno, sempre tão exaltados pelos mesmos do costume de cada vez que cai uma aldeia nas profundezas do Donbass e que estão há anos a garantir que a Ucrânia está à beira de perder a guerra. 

Talvez também tenha sido isso que foi segredado a Trump na cimeira do Alaska e onde, muito para lá da Ucrânia, este acordou sabe-se lá o quê com Vladimir Putin, o seu ídolo de sempre que, para efeitos dramáticos, lá vai sendo ameaçado com fogo e fúria nas redes sociais se não aceitar isto ou aquilo. Mas, lamentavelmente para os que apreciam ver palavras transformadas em atos, mais uma vez revelou-se pólvora seca, desta vez com direito a tapete vermelho e aplausos entusiasmados. Alguém falou em cessar-fogo?

Entre os aliados da peregrinação europeia à Casa Branca, ninguém, exceção honrosa ao Chanceler alemão, o único a desviar-se dos demais para reforçar a exigência principal de Volodymyr Zelensky e assim levar a Rússia a jogo para esta provar que realmente quer paz. De qualquer forma, Washington abriu caminho para andar nas garantias de segurança, o suficiente para o Kremlin acusar o toque e vir avisar de que também é parte interessada na conversa. Para quem não tinha “cartas para jogar” há meio ano, ainda lhe saiu um trunfo que a Rússia tenta destrunfar, ou protelar, ou simplesmente ignorar sempre que ouve falar em cimeira de líderes.

E assim, talvez a caminho do fim da guerra, assim se desenha o rascunho de tropas europeias no terreno, com apoio aéreo americano e mais armas americanas, aparentemente um acordo de 100 mil milhões de dólares, tudo isto pago pela Europa, tal como Trump gosta. Depois das terras raras ucranianas, depois da promessa europeia de "pagar À GRANDE" e depois do acesso aos recursos russos previsivelmente conseguido no Alaska, ser mediador compensa. A paz compra-se. Será que também compra o Nobel?

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