Os super-ricos encontraram uma forma rápida (e muito cara) de fugir do Médio Oriente

CNN , Jack Guy
12 mar, 08:41
O tráfego aéreo comercial foi severamente restringido no Médio Oriente (Marcin Golba/NURPHO/Associated Press)

Um grupo de 12 pessoas e um cão teve de pagar mais de 125 mil euros por algo que antes da guerra custaria 51 mil euros

A procura por voos fretados privados a partir do Médio Oriente aumentou desde o início do conflito entre os EUA e Israel com o Irão, com aqueles que os podem pagar a desembolsar preços astronómicos para abandonar a região.

A guerra, que começou a 28 de Fevereiro, provocou a maior perturbação no tráfego aéreo na região do Golfo desde a pandemia de covid-19, com as operações das companhias aéreas comerciais severamente afetadas pelo encerramento do espaço aéreo devido aos contínuos ataques com mísseis e drones.

“A procura por voos fretados privados aumentou consideravelmente nos últimos dias, uma vez que os horários das companhias aéreas comerciais em partes da região se tornaram limitados ou imprevisíveis”, revelou John Matthews, presidente e fundador da empresa de jatos privados AirX, à CNN esta terça-feira.

Dezenas de milhares de viajantes ficaram retidos e, embora algumas companhias aéreas estejam a reabrir um número limitado de rotas, aqueles com recursos financeiros consideráveis ​​encontraram uma forma de contornar o caos: fretando um jato privado.

Um jato privado é visto em Doha, no Catar, a 3 de dezembro de 2024 (Jakub Porzycki/NurPhoto/Getty Images)
Um jato privado é visto em Doha, no Catar, a 3 de dezembro de 2024 (Jakub Porzycki/NurPhoto/Getty Images)

“Estamos a receber pedidos de famílias com património líquido ultra-elevado, empresas multinacionais que realocam executivos seniores e grupos maiores, como equipas desportivas e produções em digressão, que ainda precisam de se deslocar em conjunto”, acrescentou o responsável.

Bernardus Vorster, CEO da empresa de fretamento de jatos privados SHY Aviation, diz à CNN que existem normalmente entre 10 e 15 voos de jatos privados a partir da capital de Omã, Mascate, do Dubai e da capital da Arábia Saudita, Riade, num dia normal, mas este número saltou para 98 na quarta-feira da semana passada.

O aumento da procura, o número limitado de aeronaves disponíveis e os custos mais elevados dos seguros contribuíram para preços acima do normal, diz Vorster, assim como o facto de os aviões regressarem à região vazios na grande maioria dos casos, o que significa que os clientes pagam os dois troços da viagem.

Um dos voos transportou um grupo de 12 pessoas e o seu cão de Mascate para Istambul, na Turquia, uma viagem de cinco horas, por 145 mil dólares (cerca de 125 mil euros), nota.

O mesmo voo terá custado cerca de 60 mil dólares (cerca de 51 mil euros) antes do conflito, vinca Vorster, o que equivale a um aumento de 142%.

Mascate e Riade eram os aeroportos de partida preferidos no início do conflito, uma vez que o espaço aéreo e os corredores de voo eram mais previsíveis, embora o Dubai se tenha tornado mais popular desde então, uma vez que o emirado alberga muitas pessoas que tentam abandonar a região, explica Vorster.

“Istambul tem sido o destino mais popular devido à sua proximidade com a região”, reitera Vorster, citando Atenas e Bombaim como outros destinos.

No entanto, os voos charter privados não conseguirão reduzir significativamente as interrupções nas viagens no Médio Oriente, tanto pelos custos proibitivos como pela falta de capacidade.

“Os voos fretados privados não podem substituir a escala das redes de companhias aéreas comerciais, mas podem proporcionar mobilidade controlada a organizações e grupos que precisam de se deslocar rapidamente quando os serviços regulares são interrompidos”, disse Matthews, acrescentando que a AirX garantiu um voo fretado no valor de cerca de um milhão de euros para uma aeronave com 100 assentos que se transformam em camas na semana passada.

Vorster reconhece ainda que o impacto dos voos fretados privados na crise em geral seria limitado devido ao baixo número de passageiros.

“Um jato privado médio leva 12 pessoas e, embora a disponibilidade de aeronaves na região continue a rondar os 40 a 50 jatos, o número [de pessoas que viajam] é relativamente baixo”, frisa Vorster, acrescentando que cerca de 120 pessoas deixaram o Médio Oriente em voos organizados pela empresa na última semana.

Atualmente, dezenas de milhares de pessoas estão a tentar abandonar a região, e vários governos de todo o mundo estão a trabalhar para viabilizar voos de repatriamento, depois de as operações de voos comerciais terem sido severamente afetadas pelo conflito.

Na última segunda-feira, o Departamento de Estado dos EUA informou ter facilitado mais de duas dezenas de voos fretados e retirado milhares de americanos da região, com um alto funcionário a acrescentar que “a disponibilidade de voos comerciais em toda a região continua a melhorar”.

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