Com a ameaça de uma guerra à vista, o Japão volta a fazer o que não faz desde a Segunda Guerra Mundial

4 ago, 08:02
Exercícios militares do Japão (Eugene Hoshiko/AP)
Adicione a CNN como fonte preferidaSiga-nos no Google News ?Saiba mais

Ameaças de China, Rússia e Coreia do Norte são levadas a sério por Tóquio, que já desenhou um plano para beneficiar duplamente do investimento nas Forças Armadas

A braços com a perspetiva de uma crise económica severa, o Japão está a virar-se para todo o lado para tentar evitá-la, nomeadamente através da estimulação do mercado. Uma forma que encontrou de o fazer é investir nas Forças Armadas, embora essa seja apenas uma das razões para a mudança de estratégia de Tóquio.

O governo do Japão deu ordens para um aumento do investimento nas Forças Armadas, tendo também em vista a proteção do país contra ameaças vindas de vizinhos como China, Rússia e Coreia do Norte.

O relatório anual de avaliação de ameaças externas indica que aqueles três países são uma ameaça ao Japão, que está há décadas com restrições militares impostas pelo pós-guerra, muitas delas mecanismos de autocontrolo.

Agora, a ordem é também para criar uma rota alternativa rumo a uma economia mais próspera, o que pode encontrar na Defesa um aliado interessante para a indústria tecnológica, nomeadamente através do desenvolvimento de startups e do regresso à produção de componentes de armas.

O documento do governo indica que “o investimento em Defesa beneficia uma maior economia e a vida das pessoas”. Uma mensagem que alinha pelo discurso da primeira-ministra, Sanae Takaichi, que está a prever um maior investimento estratégico por parte do Estado como forma de estimular o crescimento do país.

Trata-se de um documento estilizado com motivos anime em que se pode ver uma família feliz. Não há tropas, armas ou pormenores militares, o que foge ao habitual neste tipo de iniciativas do Japão. De acordo com o Ministério da Defesa, o objetivo é traçar uma “imagem futurística”.

A ligação entre Defesa e prosperidade surge numa altura em que a administração de Takaichi prepara uma nova estratégia nacional de segurança. Os especialistas militares devem fazê-la acompanhar de aumentos nos gastos militares, tendo a China como a principal razão para isso, nomeadamente o horizonte de uma invasão a Taiwan, o que pode arrastar o Japão.

“As atividades militares da China e outras ações são matéria de grande preocupação para o Japão e a comunidade internacional e representam um grande desafio estratégico”, pode ler-se no documento.

De recordar que Pequim não gostou quando, em novembro, o Japão, já liderado por Sanae Takaichi, admitiu destacar as suas forças caso exista um ataque a Taiwan que coloque em causa a segurança do seu país.

A China chegou mesmo a pedir um retratamento dessa posição, mas Tóquio manteve-se firme.

Para chegar àquele que deverá ser o maior investimento militar desde a Segunda Guerra Mundial, o Japão prepara-se já para aumentar os impostos e introduzir várias reformas, o que deve fazer o que deve fazer o orçamento de Defesa alcançar os 2% do Produto Interno Bruto, algo que não é visto há décadas.

Em todo o caso, o governo japonês tem ainda de explicar como espera conseguir tudo isso sem sufocar umas finanças públicas que já vivem em dificuldade, ainda para mais naquele que é o país mais envelhecido do mundo.

Por agora estão garantidos 122,3 biliões de ienes (qualquer coisa como 670 mil milhões de euros) para despesa pública até março de 2023. Parte desse dinheiro vai para a Defesa, que tem investido sobretudo na capacidade de mísseis a longo médio e longo alcance. Espera-se ainda investimento em drones e noutro tipo de armas autónomas.

Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM

Ásia

Mais Ásia