"Uma vergonha histórica" que vai encorajar terroristas e que "todos os israelitas devem sentir": as reações à decisão do TPI

20 mai, 17:24
Tropas israelitas na fronteira com Gaza (EPA/ATEF SAFADI)

Ministro das Finanças, Negócios Estrangeiros e presidente de Israel desdobraram-se em críticas contra a decisão do Tribunal de Haia. O Hamas anunciou que vai pedir o cancelamento dos mandados de captura internacionais

A decisão do procurador do Tribunal Internacional Penal (TPI), Karim Ahmad Khan, de pedir que sejam emitidos mandados de captura contra o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o ministro da Defesa, Yoav Gallant, está a gerar reações negativas por parte dos responsáveis de Telavive.

"Todos os israelitas devem sentir como se isto fosse contra eles"

O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, foi o primeiro a reagir às intenções do TPI. Smotrich considerou que “todos os israelitas devem sentir como se houvesse mandados de captura contra eles próprios”.

Bezalel Smotrich realçou ainda que a decisão de Haia mostra “hipocrisia e ódio contra os judeus”, citado pela Reuters.

"Uma vergonha histórica que será recordada para sempre"

Seguiu-se o ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Israel Katz, que disse que a decisão do procurador do TPI é “ultrajante” e um “ataque frontal sem limites contra as vítimas do dia 7 de outubro” e contra os 128 reféns que permanece em cativeiro em Gaza.

“Enquanto os assassinos e violadores do Hamas cometem crimes contra a humanidade contra os nossos irmãos e irmãs, o procurador menciona no mesmo fôlego o primeiro-ministro e o ministro da Defesa de Israel ao lado dos vis monstros nazis do Hamas - uma vergonha histórica que será recordada para sempre”, escreveu Katz no X.

O ministro israelita acrescentou que deu “instruções para a criação imediata de um centro de comando especial no Ministério dos Negócios Estrangeiros, com todas as entidades profissionais, com o objetivo de lutar contra a decisão que visa, em primeiro lugar, algemar as mãos de Israel e impedi-lo de exercer o seu direito à autodefesa”.

“Tenciono falar com os ministros dos Negócios Estrangeiros dos principais países do mundo para os exortar a oporem-se à decisão do Procurador e a declararem que, mesmo que sejam emitidos mandados, não tencionam aplicá-los contra os dirigentes israelitas. Nenhum poder no mundo nos impedirá de recuperar todos os nossos reféns e de derrubar o regime terrorista do Hamas”, culminou Israel Katz.

"Para além do ultrajante" e irá encorajar os terroristas em todo o mundo, diz presidente do Irão

O presidente israelita Isaac Herzog também comentou o tema e garantindo que vai “para além do ultrajante” e irá encorajar os terroristas em todo o mundo.

“Qualquer tentativa de estabelecer paralelos entre estes atrozes terroristas e um governo democraticamente eleito de Israel que trabalha para cumprir o dever de defender e proteger os seus cidadãos, em total conformidade com os princípios do direito internacional, é escandaloso”, afirmou Herzog, citado pela Reuters.

Hamas exige que mandados de captura sejam cancelados

Quanto aos mandados de capturado que o TPI está a preparar contra o líder do Hamas, Yahya Sinwar, Mohammed Diab Ibrahim al-Masri, líder das Brigadas Al Qassem, e Ismail Haniyeh, líder político do Hamas, o grupo palestiniano também já reagiu.

O Hamas anunciou que vai pedir ao Tribunal Penal Internacional que os mandados de captura contra três dos líderes do grupo palestiniano sejam cancelados.

A Reuters noticia que o Hamas entende que a decisão do TPI “equipara a vítima ao seu carrasco”.

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