A ordem é clara: "bloqueio total" nos Estreitos de Ormuz e Bab al Mandeb, os únicos dois locais que permitem escoar todo o petróleo produzido na zona
O Irão acaba de fazer estalar o verniz nas negociações que os Estados Unidos garantiam estar a correr bem, mesmo que ambos os países tenham trocado fogo durante a última madrugada.
Furioso com a expansão das operações de Israel no Líbano, onde as forças israelitas conquistaram um castelo e se preparam para estender ainda mais a influência, Teerão anunciou a suspensão de todas as conversações de paz com os Estados Unidos.
Uma informação que está a ser avançada pela agência Tasnim, que dá conta da suspensão de todas as “conversações e trocas de textos entre intermediários”, numa altura em que, pelo menos segundo Donald Trump, a guerra parecia estar perto do fim.
Agora, e como já vinha dizendo desde o início, o Irão faz depender esse fim da saída de Israel da Faixa de Gaza e do Líbano, até porque “este cessar-fogo tem sido violado em todas as frentes, incluindo o no Líbano”.
“Não vão existir conversações”, reiterou o Irão, que quer ver as suas exigências em relação aos aliados cumpridas, pretendendo o fim das hostilidades de Israel contra Hezbollah e Líbano.
Em paralelo, e num anúncio que talvez incomode mais Donald Trump, o Irão ordenou o “bloqueio total” dos Estreitos de Ormuz e Bab al Mandeb, dois pontos vitais para a exportação de petróleo e gás natural.
Se o Estreito de Ormuz já estava praticamente paralisado, o alargamento da medida a Bab al Mandeb ameaça todo o comércio que vem do Mar Vermelho, sendo que serão os Houthis a controlar a passagem pela zona.
É aquilo a que o Irão chama de “frente de resistência”, no que parece um apelo claro a que os seus aliados regionais regressem à guerra.
Vários responsáveis iranianos já tinham vindo condenar a ordem de Benjamin Netanyahu de expandir as operações no Líbano, mas este anúncio do Irão leva as coisas para outro patamar.
