Cimeira árabe-islâmica irá acontecer em Doha nos próximos dias e os participantes decidirão que vão fazer, não estando estabelecida uma forma específica de resposta
O Catar espera que haja uma “resposta coletiva” ao ataque israelita a membros do Hamas em Doha, disse o primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al-Thani, em entrevista exclusiva a Becky Anderson, da CNN, esta quarta-feira.
"Há uma resposta que será dada pela região. Esta resposta está atualmente a ser discutida com outros parceiros da região", revela Al-Thani. Uma cimeira árabe-islâmica irá acontecer em Doha nos próximos dias e os participantes decidirão o que fazer.
No entanto, Al-Thani afirmou que o Catar não irá pedir a outros parceiros regionais que respondam de uma forma específica. “Há uma resposta coletiva que deve ser dada pela região”, indicou Al-Thani, “Esperamos que haja algo de significativo que dissuada Israel de continuar esta intimidação.”
O xeque acredita que o ataque de Israel a Doha na terça-feira “matou qualquer esperança” para os reféns que permanecem em Gaza. Al-Thani disse não poder prever qual teria sido a reação do Hamas aos últimos princípios norte-americanos para um cessar-fogo se Israel não tivesse atacado Doha, mas acredita que Israel e o Hamas “vão ficar sem hipóteses” de acordar um cessar-fogo.
“Estive reunido com uma das famílias dos reféns na manhã do ataque”, contou Al-Thani. “Eles estão a contar com esta mediação (cessar-fogo), não têm outra esperança.”
“Penso que o que (o primeiro-ministro israelita Benjamin) Netanyahu fez ontem, acabou com qualquer esperança para os reféns”, acrescentou.
Na sua opinião, o primeiro-ministro israelita está “a tentar minar qualquer hipótese de estabilidade, qualquer hipótese de paz” ao atacar a liderança do Hamas na capital do Catar. Al-Thani disse que era “do conhecimento público” que se ia encontrar com os líderes do Hamas, agindo no papel de mediador do Catar no conflito do Médio Oriente.
"Tudo o que diz respeito a esta reunião é do conhecimento dos israelitas e dos americanos. Não é algo que estejamos a esconder", sublinhou. “Não há qualquer justificação para que isto seja considerado um abrigo ao terrorismo”, acrescentou.
O primeiro-ministro do Catar não revelou o destino do negociador-chefe do Hamas, Khalil Al-Hayya, após o ataque. “Até agora, não há nenhuma declaração oficial”, respondeu.
O Hamas disse inicialmente que cinco dos seus membros tinham sido mortos no ataque, mas não conseguiu assassinar a delegação de negociação. Al-Thani disse que um agente de segurança do Catar, de 22 anos, foi morto no ataque. “Estamos a tentar identificar se há mais algum desaparecido... há cidadãos do Catar que estão numa situação muito perigosa”, acrescentou.
Por seu lado, o presidente de Israel, Isaac Herzog, após a reunião com o primeiro-ministro britânico, afirmou que os ataques no Catar foram necessários para “eliminar algumas das pessoas que não estão dispostas a chegar a um acordo”. Referia-se aos membros da equipa de negociação do Hamas que Israel visou no ataque.
Insistindo que Israel quer o fim da guerra, Herzog afirmou que o processo de decisão do Hamas requer consentimento e que o facto de apenas uma pessoa dizer não elimina a possibilidade de um acordo. “Se quisermos avançar, temos de retirar algumas das pessoas que não estão dispostas a chegar a um acordo.”
Num vídeo divulgado esta tarde, a falar em inglês, primeiro-ministro Benjamin Netanyahu foi muito claro a dirigir-se aos governantes do Catar: "Ou expulsam os líderes do Hamas ou os levam à justiça. Porque se não o fizerem, fá-lo-emos nós".
