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Quando a guerra se torna cada vez mais eletrónica e é possível assistirmos ao combate a desenrolar-se cada vez mais ao segundo, é num grupo de rapazes aparentemente desorganizados que se depositam as esperanças da fase seguinte da operação militar desencadeada por Estados Unidos e Israel no Irão.
O terceiro episódio do podcast da CNN Portugal “Fúria Épica” (que pode ouvir no Spotify ou na Apple Podcasts) dá conta disso mesmo, de uma guerra em grande parte pela Inteligência Artificial em que podemos perguntar a uma máquina qual o sucesso que determinada operação pode ter. O João Guerreiro Rodrigues, jornalista especialista em assuntos de segurança, explica-nos melhor o que está em causa, fazendo também o lançamento para um artigo que será publicado em breve e que nos ajuda a perceber esta dimensão.
Mas daqui a semanas a guerra pode não ser assim tão eletrónica, tão artificial. Foi o próprio presidente norte-americano a anunciar que é “fantástico” que os curdos iraquianos entrem pelo Irão adentro e liderem a revolução para derrubar o que resta do regime dos aiatolas, que por estes dias ainda está sem Líder Supremo, depois de Ali Khamenei ter sido morto logo no primeiro dia de guerra.
A forma como Donald Trump anunciou o seu apoio quase que pareceu espontânea, não fosse a CNN ter noticiado que não é, de todo, assim. É que a CIA anda há anos a armar este mesmo grupo na esperança de fazer aquilo que agora poderá acontecer em semanas.
Semanas, sim, que os curdos - povo sem uma casa óbvia que se vai dividindo entre Turquia, Iraque, Síria ou Irão e é renegado em todos esses países - não têm mais do que umas AK-47 para fazerem frente às Forças Armadas do Irão.
“Não é sobre horas ou dias”, explicou esta quinta-feira um membro do grupo citado pela agência Reuters, referindo que os combatentes “não podem mover-se se o céu não está limpo”.
“Precisamos de ver os reservatórios de armas [do regime] destruídos. Caso contrário, seria suicida”, acrescentou, lembrando que a melhor arma das milícias são as espingardas de assalto também conhecidas como Kalashnikov, em honra do russo que lhes deu o nome.
A queixa em forma de pedido foi feita precisamente pelo grupo, que admitiu que uma entrada no Irão está mesmo em cima da mesa, mas só e quando houve “céu limpo” para isso. O mesmo é dizer que querem que Estados Unidos e Israel aniquilem quaisquer capacidades defensivas do Irão, e só depois disso é que se pode dar uma entrada terrestre no país.
E depois dessa entrada? É uma das questões do momento, porque os curdos, como em qualquer outro país onde estão, também são minoritários no Irão, pelo que é duvidoso que os iranianos os aceitem de braços abertos, sejam eles pró-Revolução Islâmica, a favor do regresso da monarquia do xá na figura de Reza Pahlavi ou até inclinados para uma coisa diferente e mais democrática.
Perante esse cenário, a guerra civil é claramente um cenário em aberto, avançando-se mais para um cenário que terá menos drones, caças furtivos ou submarinos, e mais guerrilha.
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