Chefe da política externa da União Europeia reage aos ataques de Israel contra soldados da Força Interina das Nações Unidas no Líbano
A União Europeia (UE) condenou esta segunda-feira os ataques israelitas contra as missões das Nações Unidas no Líbano e os bombardeamentos em "áreas com grande densidade populacional".
"A UE condena todos os ataques contra missões da Organização das Nações Unidas (ONU) e expressa uma preocupação particularmente grave com os ataques do exército israelita", escreveu o alto-representante para os Negócios Estrangeiros, Josep Borrell, na rede social X (antigo Twitter).
The EU condemns all attacks against UN missions & expresses particularly grave concern regarding the attacks by IDF against @UNIFIL
We are deeply concerned by Hezbollah’s launch of rockets into Israel & by IDF strikes in densely populated areas of Lebanonhttps://t.co/xY1swTUESU
— Josep Borrell Fontelles (@JosepBorrellF) October 14, 2024
Em declarações antes de uma reunião ministerial da UE no Luxemburgo, o chefe da política externa da União Europeia considerou ainda que os Estados-membros da União Europeia demoraram demasiado tempo a condenar os ataques de Israel aos soldados da UNIFIL no Líbano: “Deveríamos condenar os ataques israelitas contra a UNIFIL. Os nossos soldados estão lá, muitos soldados estão lá”, disse, lembrando que os países da UE, liderados por Itália, França e Espanha, têm milhares milhares de soldados na missão de manutenção da paz que tem 10 mil efetivos no sul do Líbano.
Além disso, Borrell exortou Israel a “deixar de culpar” o secretário-geral das Nações Unidas e de utilizar Guterres como desculpa para ataques “completamente inaceitáveis” contra os capacetes azuis no Líbano.
“É completamente inaceitável atacar militares das Nações Unidas. Eu quero recordar a toda a gente que não é o secretário-geral das Nações Unidas que decide sobre esta missão, sobre permanecer ou não [no Líbano], é o Conselho de Segurança que o decide”, disse Josep Borrell à entrada para uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, no Luxemburgo. “Por isso, deixem de culpar [António] Guterres”, acrescentou o Alto-Representante dos 27 para a Política de Segurança.
O alto-representante criticou os mísseis que o Hezbollah disparou para o território israelita e os bombardeamentos de Israel em "áreas com grande densidade populacional" no Líbano, nomeadamente em Beirute, capital do país.
Forças israelitas "podem ter cometido crimes de guerra" contra força de paz da ONU
A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) acusou o exército israelita de bloquear os seus movimentos e exigiu explicações sobre as "violações chocantes" de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU. No sábado, "os soldados do exército israelita bloquearam um movimento logístico crucial da UNIFIL perto de Meiss el-Jabal, impedindo-o de passar. Este movimento crucial não pôde ser realizado", denunciou em comunicado a força de manutenção de paz.
No comunicado, a UNIFIL salienta que, pela quarta vez em dois dias, teve de lembrar ao exército israelita as “suas obrigações de garantir a segurança do pessoal e da propriedade da ONU e de respeitar a inviolabilidade das instalações da ONU em todos os momentos”. A UNIFIL adianta que militares que estavam numa posição da ONU em Ramyah observaram hoje três pelotões de soldados israelitas a "cruzar a linha azul em direção ao Líbano”.
Também o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou que as forças israelitas "podem ter cometido crimes de guerra" contra a força de paz da ONU no Líbano: "Os ataques contra as forças de manutenção da paz constituem uma violação do direito internacional, incluindo o direito humanitário internacional. Podem constituir um crime de guerra", afirmou.
The safety of @UN personnel & property must be guaranteed.
— António Guterres (@antonioguterres) October 13, 2024
The inviolability of UN premises must be respected at all times.
Attacks against peacekeepers are in breach of international law & may constitute a war crime.
@UNIFIL_ personnel & premises must never be targeted.
Estas denúncias da UNIFIL foram feitas no domingo, no mesmo dia em que o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, pediu ao secretário-geral da ONU, António Guterres, que retire imediatamente os capacetes azuis da fronteira sul do Líbano, onde Israel e o movimento Hezbollah estão em guerra aberta.
Esta força de manutenção de paz foi criada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas em março de 1978, ficando mandatada para confirmar a retirada das forças israelitas do sul do Líbano, restaurar a paz e a segurança e a ajudar o Governo libanês a recuperar a sua autoridade.
Em agosto de 2006, na sequência do fim do conflito entre os dois países que decorreu nesse ano, o Conselho de Segurança adotou uma nova resolução, a 1701, que decidiu alargar o contingente militar da UNIFIL no sul do Líbano e reforçar o seu mandato.
