Presidente dos Estados Unidos admite que não sabe quem está a liderar o país
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou à CNN, numa entrevista telefónica de nove minutos realizada na manhã desta segunda-feira, que as Forças Armadas dos EUA estão a "dar uma tareia" no Irão, mas que a "grande onda" ainda está por vir.
"Estamos a dar-lhes uma tareia", disse Trump a Jake Tapper, da CNN. "Acho que está a correr muito bem. É muito poderoso. Temos as melhores Forças Armadas do mundo e estamos a usá-las."
Trump abordou uma vasta gama de temas na entrevista, incluindo a duração prevista do conflito, a sua surpresa com a ampla retaliação do Irão e o plano de sucessão previsto para o país.
Sobre a possível duração da guerra, o presidente respondeu o seguinte: “Não quero que se prolongue muito. Sempre pensei que seriam quatro semanas. E estamos um pouco adiantados em relação ao calendário”.
Questionado sobre se os EUA estão a fazer mais do que o ataque militar para ajudar o povo iraniano a retomar o controlo do país do regime, Trump respondeu: “Sim.”
“Estamos, de facto. Mas agora queremos que todos fiquem em casa. Não é seguro lá fora.”
E a situação está prestes a tornar-se ainda mais insegura, disse o presidente norte-americano.
“Ainda nem sequer começámos a atacá-los com força. A grande onda ainda nem aconteceu. A grande onda está a chegar em breve.”
A "maior surpresa" até ao momento
Até ao momento, disse Donald Trump, “a maior surpresa” foram os ataques do Irão contra países árabes da região: Bahrein, Jordânia, Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos.
“Fomos surpreendidos”, disse o presidente norte-americano. “Dissemos-lhes: ‘Nós resolvemos isto’, e agora eles querem lutar. E estão a lutar agressivamente. Iam envolver-se muito pouco, e agora insistem em envolver-se”.
Sobre os líderes árabes, o presidente dos Estados Unidos garantiu à CNN: “Conheço estas pessoas. São duras e inteligentes”.
Os iranianos, lembrou, “dispararam sobre um hotel, dispararam sobre um prédio de apartamentos. Isso só os deixou furiosos. Eles adoram-nos, mas estavam a observar. Não havia razão para se envolverem”.
Sobre os ataques do Irão contra os países árabes, disse: "Essa foi provavelmente a maior surpresa".
Trump apontou a ameaça nuclear iraniana como um problema importante na região há já algum tempo.
“Vocês precisam de compreender, eles viveram sob esta nuvem negra durante anos. É por isso que nunca houve paz”, disse.
Sucessão no Irão
Sobre quem poderá emergir para liderar o Irão, Trump afirmou que "não sabemos quem é a liderança. Não sabemos quem vão escolher. Talvez tenham sorte e consigam alguém que saiba o que está a fazer”.
Os iranianos, continuou, perderam “muito em termos de liderança” por causa dos ataques iniciais.
“Quarenta e nove pessoas”, disse Trump. “Foi um ataque impressionante.”
“Eles ficaram um pouco arrogantes” ao reunirem-se todos num só lugar, acrescentou. “Pensaram que eram indetetáveis. Não eram. Ficámos chocados.”
Trump admitiu que não é claro quem está a liderar o país agora.
“Nem sabem quem os lidera agora”, disse Trump. “Abatemos 49” líderes iranianos.
“Estes eram os líderes, e alguns deles estavam a ser considerados”, apontou Trump. Mas com mais de quatro dezenas de mortos, “não sabemos quem está a liderar o país agora. Não sabem quem está a liderar. É um pouco como a fila do desemprego”.
“Não conseguimos chegar a acordo com estas pessoas”
O presidente norte-americano explicou que a sua equipa tentou negociar com os iranianos, mas “não conseguimos chegar a um acordo com estas pessoas”. Cada nova oferta, contou, era recebida com uma retratação das ofertas anteriores.
Os iranianos não concordariam em acabar com o enriquecimento de urânio, disse Trump.
“Eles tinham todo aquele material enriquecido. Consideraram refazer o processo, mas estava em tão mau estado que a montanha basicamente desabou”, frisou Trump.
Sobre a sua aço militar, Trump entende que "este é o caminho” para lidar com o Irão.
“Não temos de nos preocupar com acordos.” Apontou para o longo historial do país de causar destruição na região após a revolução de 1979.
“Se recuar 37 anos, na verdade 47 anos, perto de 50, veja o que aconteceu e todas as mortes. Militares a andar sem pernas, sem braços, com os rostos desfigurados”, lamentou.
Trump disse que pediu à sua equipa uma lista de todos os ataques iranianos ou apoiados pelo Irão contra os EUA, os seus aliados e interesses.
“Nos últimos 47 anos, disse: ‘Contem-me todos os ataques’. Se os contasse todos, ainda estaria a falar”, garantiu.
A mais recente operação militar faz parte de uma campanha de longo prazo para eliminar a ameaça iraniana, afirmou Trump. “Eliminámos Soleimani da última vez”, referindo-se ao ataque com drone dos EUA a 3 de janeiro de 2020 contra o general iraniano Qasem Soleimani. “Era um general incrivelmente violento e cruel.”
O ataque contra Soleimani “foi uma grande jogada”, enalteceu o presidente dos Estados Unidos. “Se isso não tivesse acontecido, talvez não existisse Israel hoje. Israel talvez nem existisse.”
Depois, “tivemos a Operação Martelo da Meia-Noite - muito importante”, disse o presidente, referindo-se aos ataques dos EUA em junho de 2025 contra instalações nucleares iranianas. “Estavam a um mês de terem uma arma nuclear.”
Criticando o acordo nuclear do presidente Barack Obama, Trump defendeu que "foi o acordo nuclear com o Irão que deu todo o poder ao Irão. Eles teriam uma arma nuclear há três ou quatro anos. Tê-la-iam usado contra Israel. Talvez até contra nós”.
“Aquele acordo foi tão mau”, disse Trump, “que abriu caminho para a bomba.”
Nas últimas negociações, os iranianos “não estavam dispostos a dar-nos o que lhes pedimos. Deviam ter dado”.
“Portanto, está a correr bem”, completou Trump, antes de desligar o telefone.