Trump ficou surpreendido com uma coisa que o Irão fez e garante: "Ainda nem sequer começámos a atacá-los com força"

CNN , Jake Tapper
2 mar, 15:45
Donald Trump (Matt Rourke/AP)

Presidente dos Estados Unidos admite que não sabe quem está a liderar o país

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou à CNN, numa entrevista telefónica de nove minutos realizada na manhã desta segunda-feira, que as Forças Armadas dos EUA estão a "dar uma tareia" no Irão, mas que a "grande onda" ainda está por vir.

"Estamos a dar-lhes uma tareia", disse Trump a Jake Tapper, da CNN. "Acho que está a correr muito bem. É muito poderoso. Temos as melhores Forças Armadas do mundo e estamos a usá-las."

Trump abordou uma vasta gama de temas na entrevista, incluindo a duração prevista do conflito, a sua surpresa com a ampla retaliação do Irão e o plano de sucessão previsto para o país.

Sobre a possível duração da guerra, o presidente respondeu o seguinte: “Não quero que se prolongue muito. Sempre pensei que seriam quatro semanas. E estamos um pouco adiantados em relação ao calendário”.

Questionado sobre se os EUA estão a fazer mais do que o ataque militar para ajudar o povo iraniano a retomar o controlo do país do regime, Trump respondeu: “Sim.”

“Estamos, de facto. Mas agora queremos que todos fiquem em casa. Não é seguro lá fora.”

E a situação está prestes a tornar-se ainda mais insegura, disse o presidente norte-americano.

“Ainda nem sequer começámos a atacá-los com força. A grande onda ainda nem aconteceu. A grande onda está a chegar em breve.”

A "maior surpresa" até ao momento

Até ao momento, disse Donald Trump, “a maior surpresa” foram os ataques do Irão contra países árabes da região: Bahrein, Jordânia, Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos.

“Fomos surpreendidos”, disse o presidente norte-americano. “Dissemos-lhes: ‘Nós resolvemos isto’, e agora eles querem lutar. E estão a lutar agressivamente. Iam envolver-se muito pouco, e agora insistem em envolver-se”.

Sobre os líderes árabes, o presidente dos Estados Unidos garantiu à CNN: “Conheço estas pessoas. São duras e inteligentes”.

Os iranianos, lembrou, “dispararam sobre um hotel, dispararam sobre um prédio de apartamentos. Isso só os deixou furiosos. Eles adoram-nos, mas estavam a observar. Não havia razão para se envolverem”.

Sobre os ataques do Irão contra os países árabes, disse: "Essa foi provavelmente a maior surpresa".

Trump apontou a ameaça nuclear iraniana como um problema importante na região há já algum tempo.

“Vocês precisam de compreender, eles viveram sob esta nuvem negra durante anos. É por isso que nunca houve paz”, disse.

Sucessão no Irão

Sobre quem poderá emergir para liderar o Irão, Trump afirmou que "não sabemos quem é a liderança. Não sabemos quem vão escolher. Talvez tenham sorte e consigam alguém que saiba o que está a fazer”.

Os iranianos, continuou, perderam “muito em termos de liderança” por causa dos ataques iniciais.

“Quarenta e nove pessoas”, disse Trump. “Foi um ataque impressionante.”

“Eles ficaram um pouco arrogantes” ao reunirem-se todos num só lugar, acrescentou. “Pensaram que eram indetetáveis. Não eram. Ficámos chocados.”

Trump admitiu que não é claro quem está a liderar o país agora.

“Nem sabem quem os lidera agora”, disse Trump. “Abatemos 49” líderes iranianos.

“Estes eram os líderes, e alguns deles estavam a ser considerados”, apontou Trump. Mas com mais de quatro dezenas de mortos, “não sabemos quem está a liderar o país agora. Não sabem quem está a liderar. É um pouco como a fila do desemprego”.

“Não conseguimos chegar a acordo com estas pessoas”

O presidente norte-americano explicou que a sua equipa tentou negociar com os iranianos, mas “não conseguimos chegar a um acordo com estas pessoas”. Cada nova oferta, contou, era recebida com uma retratação das ofertas anteriores.

Os iranianos não concordariam em acabar com o enriquecimento de urânio, disse Trump.

“Eles tinham todo aquele material enriquecido. Consideraram refazer o processo, mas estava em tão mau estado que a montanha basicamente desabou”, frisou Trump.

Sobre a sua aço militar, Trump entende que "este é o caminho” para lidar com o Irão.

“Não temos de nos preocupar com acordos.” Apontou para o longo historial do país de causar destruição na região após a revolução de 1979.

“Se recuar 37 anos, na verdade 47 anos, perto de 50, veja o que aconteceu e todas as mortes. Militares a andar sem pernas, sem braços, com os rostos desfigurados”, lamentou.

Trump disse que pediu à sua equipa uma lista de todos os ataques iranianos ou apoiados pelo Irão contra os EUA, os seus aliados e interesses.

“Nos últimos 47 anos, disse: ‘Contem-me todos os ataques’. Se os contasse todos, ainda estaria a falar”, garantiu.

A mais recente operação militar faz parte de uma campanha de longo prazo para eliminar a ameaça iraniana, afirmou Trump. “Eliminámos Soleimani da última vez”, referindo-se ao ataque com drone dos EUA a 3 de janeiro de 2020 contra o general iraniano Qasem Soleimani. “Era um general incrivelmente violento e cruel.”

O ataque contra Soleimani “foi uma grande jogada”, enalteceu o presidente dos Estados Unidos. “Se isso não tivesse acontecido, talvez não existisse Israel hoje. Israel talvez nem existisse.”

Depois, “tivemos a Operação Martelo da Meia-Noite - muito importante”, disse o presidente, referindo-se aos ataques dos EUA em junho de 2025 contra instalações nucleares iranianas. “Estavam a um mês de terem uma arma nuclear.”

Criticando o acordo nuclear do presidente Barack Obama, Trump defendeu que "foi o acordo nuclear com o Irão que deu todo o poder ao Irão. Eles teriam uma arma nuclear há três ou quatro anos. Tê-la-iam usado contra Israel. Talvez até contra nós”.

“Aquele acordo foi tão mau”, disse Trump, “que abriu caminho para a bomba.”

Nas últimas negociações, os iranianos “não estavam dispostos a dar-nos o que lhes pedimos. Deviam ter dado”.

“Portanto, está a correr bem”, completou Trump, antes de desligar o telefone.

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