Trump encontrou uma estranha maneira de transmitir a guerra

11 mar, 22:00
Vídeos X (Fonte: CENTCOM)

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Os EUA destruíram 16 embarcações iranianas lança-minas no Estreito de Ormuz. O anúncio foi feito pelo próprio Donald Trump quando ainda só tinham sido afundados 10 barcos, mas minutos depois chegava a confirmação dos 16 - em formato vídeo partilhado na conta oficial no X do Comando Central dos EUA (CENTCOM).

Este cenário em que Trump anuncia coisas antes de aparentemente acontecerem não é novo. Já tinha acontecido quando um submarino norte-americano afundou, via torpedo e como não se via desde a II Guerra Mundial, um navio militar iraniano. Também já tinha acontecido quando as forças dos EUA neutralizaram um porta-drones iraniano. E quando destruíram a força aérea iraniana, quando dizimaram um grupo de drones Shahed e quando destruíram um conjunto de equipamentos relacionados com o lançamento de mísseis balísticos. Na verdade, aconteceu 21 vezes nos últimos 11 dias, desde a madrugada do dia do ataque dos EUA e de Israel, a 28 de fevereiro. Depois do sucesso de Apprentice e dos concursos de Miss Universo, Trump está a promovar um novo formato: a guerra transmitida em direto através do X do CENTCO - e normalmente com uma hora de diferença entre as palavras de Trump e a publicação posterior nas redes sociais (veja AQUI, AQUI e AQUI).

Entre ataques e vídeos comprovativos, certo é que ainda poucos ou nenhuns petroleiros atravessam o Estreito de Ormuz e o preço do barril de Brent voltou a subir - que tem consequências até nas prestações das casas, que podem sofrer já em abril (leia AQUI). A pressão energética já é tal que a Agência Internacional de Energia (IEA) viu-se obrigada a fazer o que só tinha decidido seis vezes na sua história: pedir aos seus 32 Estados-membro (veja AQUI) que abdiquem de parte das suas reservas estratégicas de petróleo. Esta será mesmo "a maior libertação de stocks da história" e a esperança da IEA é que um súbito aumento da oferta seja capaz de estagnar ou fazer cair o preço do barril de Brent e, consequentemente, deixar o gasóleo e a gasolina mais baratos ou, pelo menos, livres de novos aumentos (pode ver AQUI). No total vão ser libertados 400 milhões de barris - o primeiro-ministro, Luís Montenegro, já afirmou que Portugal deve disponibilizar cerca de dois milhões, correspondente a 10% da reserva estratégica nacional, que tem como propósito abastecer o país durante 90 dias no caso de crise.

Quarta-feira foi ainda dia de o Irão reconhecer que o seu novo líder supremo está ferido. Mojtaba Khamenei sofreu uma fratura no pé e outros ferimentos ligeiros no primeiro dia da campanha de bombardeamentos conjunta dos EUA e de Israel, informou à CNN Internacional uma fonte familiarizada com a situação (pode ler AQUI). Além da fratura no pé, Khamenei sofreu uma contusão em redor do olho esquerdo, bem como pequenos cortes na cara, disse a fonte. Khamenei não foi visto em público nem se pronunciou nos dias que se seguiram ao anúncio da sua nomeação para o cargo mais alto do país, após a morte do seu pai, o aiatola Ali Khamenei. E esta noticia ganha particular destaque porque fonte israelita tinha informado anteriormente a CNN que Khamenei foi ferido numa tentativa de assassínio na semana passada e os rumores sobre os seus ferimentos circulavam há dias. Desde então, os meios de comunicação social estatais iranianos e as redes de propaganda têm feito um amplo uso de imagens de arquivo e imagens geradas por inteligência artificial de Mojtaba Khamenei.

Por fim, houve outro anúncio: o Irão não vai participar no campeonato do mundo de futebol, que se realiza este ano nos EUA. O ministro do desporto iraniano, Ahmad Donyamali, declarou que o país "não tem condições" para participar no Mundial desde que o "governo corrupto" dos EUA matou Ali Khamenei.

"Devido às medidas maliciosas tomadas contra o Irão, fomos forçados a lidar com duas guerras no espaço de oito ou nove meses e milhares de compatriotas foram assassinados. Por isso, não temos possibilidade de participar nestas circunstâncias", justificou Donyamali (leia AQUI).

Antes das despedidas, não se esqueça: lançámos um podcast sobre o ataque ao Irão, é diário, curto, prático, explica e contextualiza, antecipa e analisa - procure por Fúria Épica na sua plataforma de podcasts preferida (em Spotify está AQUI, por exemplo, e no site da CNN AQUI - mas está disponível em Apple Podcasts e etc.). Bom dia e boa sorte. 

 

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