Trump anuncia cessar-fogo de duas semanas com o Irão e espera chegar à paz total nesse período

7 abr, 23:48
Presidente dos EUA, Donald Trump (Getty)

Três países foram essenciais para ajudar Estados Unidos e Irão a chegarem a um entendimento, mas a intervenção de um deles apareceu do nada: à última hora, foi a China que convenceu Teerão a mostrar flexibilidade e a aceitar o acordo

Faltava menos de uma hora e meia para o fim do prazo dado pelo presidente dos Estados Unido ao Irão quando o próprio Donald Trump anunciou que aceita o cessar-fogo pedido pelo Paquistão.

De acordo com uma publicação feita na sua Truth Social, Donald Trump sujeita este acordo, que prevê a suspensão de todos os ataques por parte de ambos os lados, à “abertura completa, imediata e segura” do Estreito de Ormuz, a artéria económica do petróleo e gás natural mundiais que é o maior trunfo do Irão.

“Concordei em suspender os bombardeamentos e os ataques por um período de duas semanas. Este será um cessar-fogo de ambos os lados”, reiterou, no fim de um dia que começou com a ameaça da “morte de uma civilização”.

De acordo com o The New York Times, o Irão também concordou com os moldes do cessar-fogo, que até já foi aprovado pelo Líder Supremo, Mojtaba Khamenei.

Com o tom habitual nas suas publicações e declarações, Donald Trump fez questão de sair por cima, referindo que também aceita este acordo porque os Estados Unidos “já atingiram e excederam os objetivos militares”.

Um cessar-fogo de duas semanas que, de acordo com o presidente norte-americano, também deixa as partes “muito mais perto” de um acordo total de paz não apenas no Irão, mas em todo o Médio Oriente, numa altura em que a guerra já excedeu um mês de ataques de parte a parte.

“Recebemos uma proposta de 10 pontos do Irão e acreditamos que é uma base trabalhável sobre a qual negociamos”, reiterou, garantindo que os pontos de maior tensão entre Estados Unidos e Irão já foram ultrapassados.

De resto, esta pausa duas semanas deve servir, de acordo com Donald Trump, para “finalizar e consumar” um acordo total de paz, sendo que há uma terceira parte envolvida, Israel, que concordou com este cessar-fogo. De acordo com a CNN, que cita um responsável da Casa Branca, Telavive também vai suspender todos os ataques ao inimigo.

O anúncio de Donald Trump surge num dia em que a retórica de ambos os lados andou bem inflamada. Se da Casa Branca se ameaçou extinguir uma civilização, Teerão afirmou que as pontes e as estradas de vários países do Médio Oriente passariam a ser considerados alvos assim que houvesse um ataque às infraestruturas energéticas.

De acordo com Barak Ravid, jornalista do portal Axios, o Paquistão desempenhou um papel crucial em toda a mediação, tendo começado por fazer a proposta de duas semanas de cessar-fogo que agora deve entrar em vigor. Além de Islamabad, também o Egito foi importante na construção de pontes entre as partes.

Já segundo o The New York Times, foi a intervenção da China que se tornou decisiva, pelo menos para convencer o Irão. O jornal norte-americano dá conta de uma intervenção de última hora de Pequim, que pediu a Teerão flexibilidade e o amenizar das tensões, até porque há preocupação com as consequências económicas da continuação da guerra.

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