Três países foram essenciais para ajudar Estados Unidos e Irão a chegarem a um entendimento, mas a intervenção de um deles apareceu do nada: à última hora, foi a China que convenceu Teerão a mostrar flexibilidade e a aceitar o acordo
Faltava menos de uma hora e meia para o fim do prazo dado pelo presidente dos Estados Unido ao Irão quando o próprio Donald Trump anunciou que aceita o cessar-fogo pedido pelo Paquistão.
De acordo com uma publicação feita na sua Truth Social, Donald Trump sujeita este acordo, que prevê a suspensão de todos os ataques por parte de ambos os lados, à “abertura completa, imediata e segura” do Estreito de Ormuz, a artéria económica do petróleo e gás natural mundiais que é o maior trunfo do Irão.
“Concordei em suspender os bombardeamentos e os ataques por um período de duas semanas. Este será um cessar-fogo de ambos os lados”, reiterou, no fim de um dia que começou com a ameaça da “morte de uma civilização”.
De acordo com o The New York Times, o Irão também concordou com os moldes do cessar-fogo, que até já foi aprovado pelo Líder Supremo, Mojtaba Khamenei.
Com o tom habitual nas suas publicações e declarações, Donald Trump fez questão de sair por cima, referindo que também aceita este acordo porque os Estados Unidos “já atingiram e excederam os objetivos militares”.
Um cessar-fogo de duas semanas que, de acordo com o presidente norte-americano, também deixa as partes “muito mais perto” de um acordo total de paz não apenas no Irão, mas em todo o Médio Oriente, numa altura em que a guerra já excedeu um mês de ataques de parte a parte.
“Recebemos uma proposta de 10 pontos do Irão e acreditamos que é uma base trabalhável sobre a qual negociamos”, reiterou, garantindo que os pontos de maior tensão entre Estados Unidos e Irão já foram ultrapassados.
De resto, esta pausa duas semanas deve servir, de acordo com Donald Trump, para “finalizar e consumar” um acordo total de paz, sendo que há uma terceira parte envolvida, Israel, que concordou com este cessar-fogo. De acordo com a CNN, que cita um responsável da Casa Branca, Telavive também vai suspender todos os ataques ao inimigo.
O anúncio de Donald Trump surge num dia em que a retórica de ambos os lados andou bem inflamada. Se da Casa Branca se ameaçou extinguir uma civilização, Teerão afirmou que as pontes e as estradas de vários países do Médio Oriente passariam a ser considerados alvos assim que houvesse um ataque às infraestruturas energéticas.
De acordo com Barak Ravid, jornalista do portal Axios, o Paquistão desempenhou um papel crucial em toda a mediação, tendo começado por fazer a proposta de duas semanas de cessar-fogo que agora deve entrar em vigor. Além de Islamabad, também o Egito foi importante na construção de pontes entre as partes.
🇪🇬🇵🇰🇹🇷Pakistan was at the front of the mediation efforts, but behind the scenes Egypt played a key role in bridging the gaps between the U.S. and Iran. Egypt was key to the Gaza ceasefire and key to the Iran ceasefire. Turkey also helped in the efforts https://t.co/2Z0Fv687AY
— Barak Ravid (@BarakRavid) April 7, 2026
Já segundo o The New York Times, foi a intervenção da China que se tornou decisiva, pelo menos para convencer o Irão. O jornal norte-americano dá conta de uma intervenção de última hora de Pequim, que pediu a Teerão flexibilidade e o amenizar das tensões, até porque há preocupação com as consequências económicas da continuação da guerra.