Sánchez lembra "o presente que tivemos dos Açores" em mensagem firme para Trump: "Não à guerra"

4 mar, 08:43

Discurso afirmativo do primeiro-ministro de Espanha, que afirmou que os Estados Unidos nos "arrastaram" para uma guerra há 23 anos

O primeiro-ministro de Espanha reiterou nas primeiras horas desta quarta-feira a posição que assumiu desde as primeiras horas da operação militar de Estados Unidos e Israel.

Numa declaração transmitida na televisão nacional horas depois de o presidente dos Estados Unidos lançar um ataque a Espanha, que não permitiu a utilização das suas bases militares para qualquer ação militar, Pedro Sánchez lançou um apelo: “Não à guerra”.

“Não à quebra do Direito Internacional. Não ao assumir que o mundo pode resolver os seus problemas à base de conflitos de bombas. E finalmente, não ao repetir os erros do passado. Em definitivo, a posição do governo de Espanha resume-se em quatro palavras: no a la guerra”, afirmou, pedindo um rotundo "não à guerra".

E Pedro Sánchez defende que está a ser coerente quando toma esta posição, mesmo perante a ameaça de Donald Trump de que vai cortar com todo o comércio feito com Espanha, mesmo que isso seja difícil, já que as trocas comerciais são antes feitas com a União Europeia.

“Creio que esta posição não é de todo ingénua, é coerente e, portanto, não vamos ser cúmplices de algo que é mau para o mundo e que também é contrário aos nossos valores”, acrescentou.

A memória de Pedro Sánchez está no que aconteceu no Iraque, onde a Europa se juntou aos Estados Unidos para lançar uma guerra na base das armas de “destruição maciça” que George W. Bush alegou que Saddam Hussein tinha, numa acusação que nunca se veio a comprovar.

Essa guerra, recordou o primeiro-ministro de Espanha, “levou a um mundo mais inseguro e a uma vida pior”. Sem saber o que pode resultar de um envolvimento em maior escala no Médio Oriente, Pedro Sánchez defendeu, assim, que o país deve ficar de fora de qualquer conflito, até porque não vai trazer uma ordem internacional mais justa, muito menos “salários mais altos” ou “melhores serviços públicos”.

“O mundo, a Europa e Espanha já aqui estiveram antes. Há 23 anos, os Estados Unidos arrastaram-nos para uma guerra para eliminar as armas de destruição maciça de Saddam Hussein, para levar a democracia e garantir a segurança global. Na verdade, o efeito foi o contrário”, sublinhou, lembrando o desenrolar de uma vaga terrorista de inspiração islâmica.

“Este foi o presente que tivemos do trio dos Açores, um mundo mais inseguro e uma vida pior”, terminou, lembrando a polémica Cimeira das Lajes em que o presidente dos Estados Unidos e os primeiros-ministros de Reino Unido e Espanha se juntaram na base da ilha Terceira para decidir a entrada no Iraque.

Não sabemos se a guerra contra o Irão pode ter consequências semelhantes, admitiu Pedro Sánchez, mas Espanha já está “contra este desastre”, pelo que “exige” a Estados Unidos e Israel que cessem todas as hostilidades.

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