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Os iranianos estão a ser conduzidos a jurar lealdade a Mojtaba Khamenei, depois de ele ter sido nomeado o novo líder supremo do Irão. Agora, as atenções voltam-se para a forma como ele irá guiar o Irão através de uma das maiores crises da sua história moderna - e saber qual será a sua primeira medida.
As consequências económicas da guerra aprofundaram-se, fazendo com que os preços globais do petróleo ultrapassassem os 100 dólares por barril, na primeira vez que a marca foi ultrapassada desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. O aumento foi desencadeado por preocupações de que o conflito levará a restrições prolongadas no fluxo de petróleo em todo o mundo.
Os ataques de Israel aos recursos energéticos e locais de armazenamento de combustível do Irão levaram a guerra a uma "nova fase", alertou um alto funcionário do Irão, que ameaçou com ataques de retaliação às infraestruturas energéticas em toda a região.
Eis o que precisa saber no décimo dia do conflito.
Quais são as principais manchetes?
- Dinastia Khamenei: os principais centros de poder do Irão, incluindo a Guarda Revolucionária (IRGC), rapidamente se uniram em apoio a Mojtaba Khamenei depois de ele ser escolhido para suceder ao seu pai, Ali Khamenei, foi morto, como o novo líder supremo do país. A IRGC disse que estava pronta para “obedecer totalmente e sacrificar as suas vidas” por ele. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse na semana passada que a escolha do jovem Khamenei seria "inaceitável". Analistas dizem que a ascensão de Mojtaba sugere uma continuidade das políticas linha-dura de seu pai.
- Choques económicos: a diretora do FMI alertou para os riscos de inflação global e afirmou que o seu conselho aos políticos é o de se prepararem para "o impensável". Os ministros das Finanças do G7 planeiam reunir-se esta segunda-feira para discutir a possível libertação conjunta de reservas estratégicas de petróleo. Os mercados asiáticos caíram, enquanto os futuros do petróleo subiram — mas Trump descartou preocupações, chamando o aumento dos custos do petróleo de "um preço muito pequeno a pagar". A Coreia do Sul imporá o seu primeiro limite de combustível em quase 30 anos, à medida que o nervosismo global se aprofunda.
- Ataques regionais continuam: Israel afirmou ter lançado ataques contra Beirute e o Irão, enquanto Teerão anunciou o lançamento de mísseis. Os Estados do Golfo relataram interceções e ataques durante a noite, incluindo ao Bahrein, que afirmou que pelo menos 32 pessoas ficaram feridas num ataque com drones iranianos a uma área residencial. A companhia petrolífera nacional do Bahrein, a BAPCO, afirmou que as suas operações foram afetadas depois de um vídeo mostrar um grande incêndio na zona industrial das instalações em Riffa e, mais tarde, declarou força maior nas suas operações.
- Ataque a escola: o secretário de Defesa norte-americano, Pete Hegseth, afirmou que os EUA ainda estão a investigar um ataque a uma escola primária iraniana que, de acordo com os média estatais iranianos, matou pelo menos 168 crianças. Os seus comentários foram feitos depois de um novo vídeo parecer confirmar que um ataque aéreo dos EUA teve como alvo uma base naval próxima da escola, aumentando o conjunto de evidências que contradizem as recentes alegações de Trump, que culpou o Irão.
- Pessoal instruído a sair: o Departamento de Estado dos EUA ordenou que diplomatas não essenciais deixassem a Arábia Saudita — um reflexo dos riscos enfrentados pelo pessoal dos EUA à medida que o conflito se aprofunda. Um militar dos EUA morreu após sofrer ferimentos durante um ataque na semana passada no país.
O que está a acontecer na região?
- Compromisso público: o Irão anunciou uma reunião nacional na segunda-feira para jurar lealdade ao novo líder supremo. Os membros do povo foram convidados a reunir-se em todo o país às 15h, hora local, informou a comunicação social estatal iraniana.
- “Nova fase” da guerra: um alto funcionário iraniano disse à CNN que não há perspectivas de um fim imediato para o conflito. E acrescentou que os ataques de Israel a depósitos de petróleo e combustível levaram a guerra a uma “nova fase”. O funcionário ameaçou com ataques de retaliação às infraestruturas energéticas, levantando preocupações sobre possíveis novas interrupções nas instalações regionais de petróleo e gás.
- Ficar ou partir?: um morador de Teerão contou que a sua família estava dividida sobre se deveria deixar a cidade, afirmando que as pessoas estão "sob muita pressão". Os ataques israelitas a depósitos de combustível na noite de sábado foram "os bombardeamentos mais intensos desde o início da guerra", acrescentou.
- "Salvem as nossas meninas": a seleção feminina de futebol do Irão está no centro de crescentes apelos para que a sua saída da Austrália, onde está a disputar a Copa Asiática Feminina, seja bloqueada por medo de perseguição no Irão.
As últimas notícias dos EUA
- Preços da energia: o presidente Donald Trump e altos funcionários do seu governo estão a tentar acalmar as preocupações com o aumento dos preços das gasolinas. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, descreveu o aumento dos custos nos postos de gasolina como "uma perturbação de curto prazo". O líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, pediu a Trump que recorra à Reserva Estratégica de Petróleo do país, o maior stock de petróleo de emergência do mundo, num esforço para reduzir os preços da energia.
- Termos de rendição: Trump disse que decidirá, juntamente com Israel, quando a guerra terminará. O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, fará parte da decisão, mas Washington terá a palavra final, disse Trump em entrevista ao The Times of Israel. O secretário de Defesa, Hegseth, também declarou que os EUA e Trump definirão “os termos de rendição” com o Irão, sem dar detalhes.