"Observem o que vai acontecer a estes canalhas desvairados: estou a matá-los, que grande honra!"

13 mar, 22:11
O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com a imprensa após aterrar na base aérea de Joint Base Andrews, em Maryland, a bordo do Air Force One. Andrew Harnik/Getty Images

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Enquanto os mercados tentam perceber para onde vai o preço do petróleo e os governos calculam os custos económicos da guerra, no Irão o dia foi de festa. Foi a última sexta-feira do Ramadão e, mais do que isso, o Dia de Al-Quds, criado após a Revolução Iraniana para manifestar apoio à causa palestiniana e protestar contra a ocupação israelita. Se num ano normal já seria um momento de forte mobilização nas ruas, em plena guerra com Israel e Estados Unidos tornou-se ainda mais expressivo. Teerão encheu-se de gente com bandeiras e cartazes - e nem o som das explosões ao fundo os demoveu.

"Os iranianos manter-se-ão sempre firmes e jamais se irão vergar perante ataques cobardes", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, que se juntou aos manifestantes para participar na marcha. Ao lado dele estiveram o presidente, Masoud Pezeshkian, e o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani.

A celebração acontece num momento em que as ameaças vindas de Washington não parecem dar sinais de abrandar. Durante a madrugada, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a recorrer à Truth Social para intimidar Teerão. "Observem o que vai acontecer a estes canalhas desvairados hoje. A Marinha do Irão acabou, a sua Força Aérea já não existe, mísseis, drones e tudo o resto. Estão a ser dizimados e os seus líderes foram varridos da face da Terra".

"Há 47 anos que matam pessoas inocentes em todo o mundo, e agora eu, como 47.º presidente dos EUA, estou a matá-los. Que grande honra é fazê-lo!", escreveu. Horas depois, numa entrevista à Fox News foi questionado sobre quando termina a guerra. "Quando eu o sentir, ok?", respondeu AQUI

E, enquanto Donald Trump não o sente, continuamos a contar o número de mortos no terreno. Esta madrugada, o Comando Central dos Estados Unidos confirmou que um avião de reabastecimento militar Boeing KC-135 Stratotanker despenhou-se no oeste do Iraque. Os seis militares norte-americanos que seguiam a bordo morreram. Também a Europa registou a primeira baixa militar desde o início da guerra, quando o presidente francês, Emmanuel Macron, confirmou a morte de um suboficial, atingido durante um ataque na região de Erbil, no Curdistão iraquiano. 

Ao mesmo tempo, o conflito ganha novos pontos no mapa. A NATO confirmou esta sexta-feira que intercetou um terceiro míssil balístico disparado a partir do Irão em direção à Turquia. Já a Força Aérea Real do Reino Unido destacou caças Typhoon para perseguir drones iranianos que ameaçavam o espaço aéreo do Bahrein - naquela que é a primeira vez que as forças britânicas se envolvem diretamente no conflito. No Golfo Pérsico, mais de 20 mil marinheiros continuam presos em petroleiros e navios de carga que não conseguem atravessar o Estreito de Ormuz. Alguns relatam drones a sobrevoar os navios, falhas no GPS e até combates aéreos visíveis a partir do convés (leia AQUI).

Tudo isto acontece enquanto o secretário-geral da ONU, António Guterres, está em Beirute para uma "visita de solidariedade" ao povo libanês. Inclusive, já lançou um apelo de 325 milhões de dólares para ajudar as mais de 800 mil pessoas que tiveram de abandonar as suas casas desde o início da guerra. João Sousa, jornalista em serviço especial para a CNN Portugal no local, contou que a visita do português está a ser encarada pela população como "um sinal de esperança" no meio de tanto "desespero".

"Qualquer visita internacional garante pelo menos que o Líbano está no mapa. As pessoas estão bastante ocupadas a tentar arranjar uma casa, a manterem-se seguras, a não serem bombardeadas, em garantirem algum orçamento pelo menos para as próximas semanas, não sabendo se este conflito se vai prolongar durante meses ou até anos", relatou AQUI João Sousa. 

O preço do petróleo voltou a rondar os 100 dólares por barril e, em Portugal, os reflexos chegam diretamente às bombas de combustível (e não só). As previsões apontam para novas subidas já na próxima semana tanto no preço do gasóleo como no da gasolina, que podem chegar aos dez cêntimos por litro, segundo o Automóvel Clube de Portugal (ACP). Perante as previsões, o Governo aprovou uma nova redução do ISP para o gasóleo e gasolina. De acordo com o ministério das Finanças, "a partir de segunda-feira as taxas do ISP sobre o gasóleo rodoviário e a gasolina sem chumbo serão novamente reduzidas num desconto extraordinário e temporário em 1,4 e 2,7 cêntimos por litro, respetivamente".

Além disso, o preço do cabaz alimentar seguido pela Deco atingiu o valor mais elevado de sempre. O cabaz com 63 produtos essenciais custa agora 254,12 euros, mais 12 do que custava por esta altura no ano passado.

 

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