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Mojtaba anuncia: "em nome do Clemente", a guerra é para continuar

12 mar, 22:00
Mojtaba Khamenei (DR)

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Doze dias depois de o Irão ter perdido o homem que mandou no país durante mais de três décadas, o país voltou a ter uma voz de comando. Ainda que sem aparecer em público - algo que raramente fez mesmo antes de assumir o cargo - foi esta quinta-feira que Mojtaba Khamenei falou ao país pela primeira vez desde que se tornou Líder Supremo. Fê-lo através de um longo comunicado lido na televisão estatal e se havia dúvidas sobre o rumo do país, desapareceram rapidamente: a guerra é para continuar "em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso". E pode até intensificar-se, sobretudo se os Estados Unidos e Israel mantiverem os ataques contra o Irão (leia AQUI).

Mais do que palavras, há decisões com impacto direto no resto do mundo. Mojtaba Khamenei confirmou que o Estreito de Ormuz vai continuar encerrado, mantendo bloqueada uma das rotas energéticas mais importantes do planeta, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

O Brent ultrapassou esta madrugada a barreira dos 100 dólares por barril, com subidas superiores a 9%, mesmo depois de vários países - incluindo Portugal - terem decidido libertar cerca de 400 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas numa tentativa de travar a escalada (leia AQUI). A Agência Internacional de Energia diz que o mundo já pode estar perante a maior crise de sempre no mercado petrolífero, com uma quebra na produção global que pode atingir oito milhões de barris por dia já este mês - perto de 10% da produção diária. Mesmo quando a guerra terminar, avisa a agência, pode demorar semanas ou até meses até que o mercado recupere e regresse aos níveis anteriores (leia AQUI).

Apesar disso, do outro lado do Atlântico há quem não pareça preocupado. Donald Trump escreveu esta quinta-feira na Truth Social que os Estados Unidos ganham quando o preço do petróleo sobe, lembrando que o país é, "de longe, o maior produtor de petróleo do mundo" (leia AQUI).

E se Mojtaba Khamenei garantiu que o Irão quer manter boas relações com os países da região - ao dizer que o regime iraniano não é "inimigo dos países à volta" e que está "apenas a atingir bases dos norte-americanos" -, a verdade é que a tensão na região não abranda e os ataques continuam a multiplicar-se (veja AQUI, AQUI e AQUI). Esta quinta-feira, um porta-contentores foi atingido por um projétil desconhecido ao largo dos Emirados Árabes Unidos, a cerca de 65 quilómetros do porto de Jebel Ali, no Dubai. O impacto provocou um pequeno incêndio a bordo, mas todos os tripulantes foram dados como seguros (leia AQUI).

Mais a norte, o Líbano voltou a acordar sob bombardeamentos e o número de mortos desde o início da escalada israelita subiu para 687, onde se incluem 98 crianças, segundo o ministro da Informação libanês. João Sousa, jornalista em serviço especial para a CNN Portugal, estava lá e relata os "sons absolutamente horríveis e extremamente violentos" que ouviu e os caças israelitas a "sobrevoar em voos muito rasos" que viu. "Foram alguns dos ataques mais devastadores que tivemos, tudo tremia à nossa volta", contou em antena. Ainda esta quinta-feira, a Turquia acusou Israel de estar a levar uma "guerra suja" ao território libanês e pediu o fim imediato da ofensiva, avisando que o país pode colapsar se os ataques não pararem (leia AQUI).

As Forças de Defesa israelitas anunciaram também ataques a vários locais ligados ao programa nuclear iraniano, incluindo a um complexo identificado como Taleghan, numa zona montanhosa próxima do complexo militar de Parchin. Em entrevista à CNN Portugal, o porta-voz das Forças da Defesa de Israel (IDF) Rafael Rosenzsajn confirmou exatamente que a guerra "não tem prazo" e que vai durar "o quanto for necessário para que todos os objetivos sejam alcançados". O exército israelita está "determinado a ir até ao final" num conflito que foi "planeado durante anos", avisa AQUI

Ao mesmo tempo, a diplomacia tenta mexer-se nos bastidores. Moscovo pediu esta quinta-feira aos Estados Unidos e a Israel que parem imediatamente os ataques ao Irão e confirmou que um enviado de Vladimir Putin está nos Estados Unidos para discutir possíveis formas de cooperação na área da energia para responder à crise provocada pela guerra (leia AQUI e AQUI). As conversas podem decorrer longe das câmaras, mas a movimentação no terreno continua com a administração norte-americana a deslocar esta quinta-feira vários sistemas de defesa aérea da Europa para o Médio Oriente para proteger aliados e forças na região (leia AQUI).

E enquanto os mísseis continuam a cair, a guerra empurra cada vez mais pessoas para fora de casa. As Nações Unidas estimam que cerca de 3,2 milhões de iranianos estejam deslocados dentro do próprio país, muitos deles a fugir de Teerão e de outras grandes cidades em direção ao norte e a zonas rurais em busca de segurança. Mojtaba Khamenei, na mensagem transmitida pela televisão estatal, pediu união contra "o inimigo" e procurou aproximar-se da população: "As pessoas que perderam os seus é algo que eu partilho porque perdi o meu pai e perdi a minha mulher". E, por isso, prometeu que o Irão não vai esquecer os mortos e que os responsáveis "vão pagar", seja através de indemnizações ou através da destruição dos seus interesses no Médio Oriente (leia AQUIAQUI). "Os crimes contra a Humanidade e contra as crianças não vão ser ignorados", garantiu.

 

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