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Já são mais de 50 mil os militares dos EUA no Médio Oriente. E serão mais ainda

29 mar, 19:00
O porta-aviões dos Estados Unidos USS Gerald R. Ford no Estreito de Gibraltar a 1 de outubro de 2025. Alyssa Joy/US Navy/Getty Images

O reforço americano não desenha, pelo menos para já, uma invasão em grande escala. Mas amplia as opções da Casa Branca e de Donald Trump: por um lado, pressão militar; por outro lado, proteção das rotas do petróleo

O dispositivo militar norte-americano no Médio Oriente voltou a ficar acima dos 50 mil efetivos, num momento em que o conflito com o Irão entra na quinta semana e Donald Trump mantém em aberto, ou segredo, o passo seguinte na guerra. À região chegaram marines e marinheiros adicionais, isto enquanto o porta-aviões USS Gerald R. Ford abandonou a zona e seguiu para a Croácia para reparações, depois de um incêndio a bordo. 

Ainda assim, e mesmo sem o Gerald R. Ford, a presença americana mantém-se num patamar elevado.

A missão exata destes reforços não foi detalhada, mas o desenho estratégico começa a perceber-se. Até porque o Pentágono prepara também o envio de militares da 82.ª Divisão Aerotransportada, uma força de resposta rápida treinada para entrar depressa em território hostil, e entre os cenários discutidos em Washington estão operações limitadas no litoral iraniano ou a tomada de Kharg — a ilha por onde sai cerca de 90% das exportações de petróleo do Irão.

É aí que a dimensão militar se cruza com a política e com a economia. O estreito de Ormuz continua a ser um dos nós centrais da energia mundial, com um fluxo equivalente a cerca de 20% do consumo global de líquidos petrolíferos, e a guerra tem perturbado essa passagem. 

Reforçar tropas junto deste corredor serve, ao mesmo tempo, para tentar proteger a navegação, tranquilizar aliados do Golfo e dar a Trump mais margem de pressão numa altura em que Washington continua a falar em negociações, mesmo enquanto acumula recusas de Teerão e meios de combate na região.

Militarmente, porém, a escala tem limites claros. O que está a ser preparado aponta mais, segundo diversos analistas, para raides, ações curtas e até operações de alto risco do que para uma invasão clássica como ocorrera no passado. E mesmo com mais de 50 mil militares espalhados por bases e navios, os Estados Unidos continuam longe de reunir a massa necessária para sustentar uma campanha terrestre prolongada num país com a dimensão, a geografia, a população e a profundidade estratégica do Irão.

Politicamente, esse é também o limite de Trump. Levar a guerra para o terreno significaria expor tropas americanas a um conflito mais longo e mais vulnerável, presumivelmente com perdas e mortes, e isto quando o apoio interno continua frágil. Uma sondagem Reuters/Ipsos divulgada esta semana mostra 35% de aprovação dos ataques e 61% de desaprovação. 

O que Washington tem hoje no Médio Oriente parece, por isso, menos uma força pronta para ocupar o Irão do que uma plataforma de pressão. Mais de 50 mil os militares dos EUA no Médio Oriente significam, ou desenham, uma Casa Branca que ainda pode subir a parada — mesmo que nunca o chegue a fazer. 

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