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Irão está a reforçar defesa da Ilha de Kharg: "Os iranianos são implacáveis. Farão tudo para infligir o máximo de baixas aos EUA"

CNN , Natasha Bertrand, Zachary Cohen, Kylie Atwood eTal Shalev
25 mar, 23:47
Imagem de satélite mostra ilha de Kharg no Irão, antes dos ataques dos EUA (CNN)

Na iminência de um ataque norte-americano à ilha, que possui várias camadas de defesa, os iranianos deslocaram recentemente sistemas adicionais de mísseis terra-ar portáteis, conhecidos como MANPADS. Também têm preparado armadilhas, incluindo minas antipessoal e antiveículos blindados, em torno da ilha, incluindo na linha costeira onde tropas dos EUA poderiam realizar um desembarque anfíbio

O Irão tem estado a preparar armadilhas, a mobilizar militares e a destacar sistemas de defesa aérea para a ilha de Kharg nas últimas semanas, em preparação para uma possível operação dos EUA para tomar o controlo da ilha, segundo várias fontes familiarizadas com relatórios dos serviços secretos norte-americanos sobre o assunto.

A administração Trump tem estado a ponderar usar tropas para capturar a pequena ilha no nordeste do Golfo Pérsico - uma tábua de salvação económica para o Irão, que gere cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do país - como forma de pressionar Teerão a reabrir o Estreito de Ormuz, apurou a CNN.

Mas responsáveis norte-americanos e especialistas militares dizem que uma operação terrestre em Kharg implicaria riscos significativos, incluindo um elevado número de baixas entre as forças dos EUA. A ilha possui várias camadas de defesa e os iranianos deslocaram recentemente sistemas adicionais de mísseis terra-ar portáteis, conhecidos como MANPADS, de acordo com as fontes.

O Irão também tem preparado armadilhas, incluindo minas antipessoal e antiveículos blindados, em torno da ilha, incluindo na linha costeira onde tropas dos EUA poderiam realizar um desembarque anfíbio, caso o presidente Donald Trump avance com uma operação terrestre.

Alguns aliados do líder norte-americano levantam sérias dúvidas sobre a necessidade de uma operação desse género, uma vez que a captura da ilha, por si só, não resolveria os problemas relacionados com o Estreito de Ormuz e o controlo do Irão sobre o mercado energético global, acrescentou a fonte.

O Comando Central dos EUA não respondeu de imediato a um pedido de comentário sobre as ações iranianas em Kharg.

Os militares dos EUA atacaram a ilha a 13 de março, com o Comando Central a afirmar que 90 alvos foram atingidos, incluindo “instalações de armazenamento de minas navais, bunkers de armazenamento de mísseis e vários outros locais militares”. No rescaldo do ataque, Trump disse que as forças norte-americanas evitaram atingir as infraestruturas petrolíferas da ilha “por razões de decência”.

Uma fonte israelita reconheceu que a tomada da ilha iraniana é encarada com preocupação, tendo em conta que tal intervenção pode levar a ataques com drones iranianos e mísseis, causando a morte de tropas americanas. “A esperança é que não assumam esse risco e optem por atacar os campos petrolíferos, mas não há forma de saber”, disse.

“Eu estaria muito preocupado com isto”, disse o almirante reformado James Stavridis, antigo comandante supremo aliado da NATO e atual analista militar da CNN. “Os iranianos são astutos e implacáveis. Farão tudo o que puderem para infligir o máximo de baixas às forças dos EUA, nos navios no mar e, especialmente, nas tropas, quando estiverem dentro do seu território soberano.”

O presidente do parlamento iraniano advertiu esta quarta-feira os “inimigos” do país contra qualquer tentativa de ocupar ilhas iranianas.

“Com base em alguns dados, os inimigos do Irão, com o apoio de um país regional, estão a preparar-se para ocupar uma das ilhas iranianas”, escreveu Mohammad Bagher Ghalibaf no X. “Todos os movimentos inimigos estão sob vigilância total das nossas forças armadas. Se ultrapassarem os limites, todas as infraestruturas vitais desse país regional tornar-se-ão alvo de ataques implacáveis sem restrições.”

Mais cedo, Ghalibaf alertou: “Estamos a monitorizar de perto todos os movimentos dos EUA na região, especialmente o envio de tropas.”

A ilha de Kharg tem cerca de um terço do tamanho de Manhattan, o que significa que os EUA teriam de mobilizar uma força de desembarque musculada para a capturar, caso avancem com a operação, disse à CNN uma fonte familiarizada com o planeamento militar norte-americano. Situa-se no extremo norte do Golfo Pérsico, afastada do Estreito de Ormuz, mas próxima de instalações petrolíferas iranianas.

Duas Unidades Expedicionárias de Fuzileiros, especializadas em desembarques anfíbios rápidos, ataques e missões de assalto a partir de navios anfíbios da Marinha, foram recentemente enviadas para o Médio Oriente. Essas unidades incluem vários milhares de fuzileiros, bem como navios de guerra anfíbios, meios aéreos e embarcações de desembarque, sendo as mais prováveis de participar numa operação para tomar Kharg, disseram as fontes. Cerca de 1.000 soldados da 82.ª Divisão Aerotransportada do Exército dos EUA também deverão ser enviados para a região nos próximos dias.

Outra fonte familiarizada com o planeamento militar norte-americano disse que o Comando Central mantém vigilância aérea quase constante sobre a ilha, permitindo observar alterações físicas e ambientais em áreas onde parecem ter sido colocadas armadilhas.

Os ataques dos EUA à ilha degradaram parte das suas defesas aéreas e marítimas, incluindo mísseis terra-ar HAWK e canhões antiaéreos Oerlikon, segundo Stavridis.

Ainda assim, as forças dos EUA continuariam vulneráveis a ataques com mísseis balísticos e drones iranianos, dada a proximidade da ilha à costa iraniana, e responsáveis da administração Trump continuam a ponderar se uma missão terrestre justifica os riscos, adiantou uma fonte familiarizada com as deliberações internas.

Os EUA dispõem de planos para destruir rapidamente informação sensível e infraestruturas caso as suas instalações militares no estrangeiro sejam invadidas, disse uma fonte à CNN, acrescentando que é provável que o Irão tenha planos semelhantes.

Aliados do Golfo também têm pressionado discretamente Donald Trump para que não prolongue a guerra ao enviar tropas para ocupar a ilha de Kharg ou para remover urânio altamente enriquecido de uma instalação nuclear anteriormente bombardeada por aviões dos EUA, disse um alto responsável do Golfo. A principal preocupação é que a ocupação da ilha resulte em elevadas baixas e incentive retaliações iranianas contra infraestruturas dos países do Golfo.

Em vez disso, os países da região têm insistido com os EUA na necessidade de desmantelar o programa de mísseis balísticos do Irão antes do fim do conflito, algo com que responsáveis norte-americanos concordam. Nos últimos dias, o Pentágono informou países do Golfo de que uma grande parte da capacidade de mísseis balísticos e de cruzeiro do Irão foi destruída e que os EUA estão perto de completar a sua lista de alvos, sem especificar um prazo.

Stavridis sugeriu que uma possível forma de pressionar o Irão seria considerar um bloqueio marítimo ao largo de Kharg, tornando impossível a exportação de petróleo. “Isto poderia ser feito sem colocar tropas em terra”, concluiu.

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