Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, garantiu que o país "pode alcançar todos os seus objetivos sem 'boots on the ground'", mas "estará sempre preparado para dar ao presidente a máxima margem de manobra"
Os EUA renovaram a promessa de que a guerra contra o Irão deverá terminar em breve, numa questão de “duas semanas” e não “meses”, garantiu o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, esta sexta-feira, depois de uma reunião com os ministros dos Negócios Estrangeiros do G7, em Paris.
"Quando terminarmos com eles, nas próximas duas semanas, estarão mais fracos do que estiveram na história recente", afirmou, em declarações aos jornalistas.
O governante norte-americano admitiu estar “confiante” em relação ao cumprimento dos objetivos traçados para o conflito, acrescentando que os EUA estão mesmo “prestes a alcançá-los”. E conseguirão fazê-lo, segundo Rubio, sem lançar uma operação terrestre na República Islâmica.
Ainda assim, um cenário de “boots on the ground” não foi totalmente descartado pelo secretário de Estado norte-americano. “Podemos alcançar todos os nossos objetivos sem tropas no terreno, mas estaremos sempre preparados para dar ao presidente a máxima margem de manobra e a máxima oportunidade de se adaptar a contingências, caso surjam”, sublinhou.
EUA esperam resposta do Irão "a qualquer momento"
Enquanto os ataques conjuntos de Israel e dos EUA contra o Irão continuam, o chefe da diplomacia norte-americana confirmou que ainda não há sinal de uma contra-proposta iraniana ao plano de paz de 15 pontos apresentado pelos Estados Unidos. Mas a resposta de Teerão pode surgir “a qualquer momento”, afirmou Rubio.
“Ainda não recebemos nada”, disse, mas “temos mensagens”. “Tivemos uma troca de mensagens e indicações do sistema iraniano - seja lá o que resta dele - sobre a disposição para falar sobre certas questões.”
Sobre a incógnita em torno de quem são os mediadores do Irão nas conversações indiretas em curso, Marco Rubio admitiu estar à espera de esclarecimentos e levantou questões junto da comunicação social: “Com quem é que estaríamos a falar? Sobre o que vamos falar e quando?”
De acordo com um responsável iraniano, citado pela Reuters, o Irão ainda não decidiu se vai responder à proposta americana, especialmente depois de Israel não interromper os ataques contra território iraniano. A ofensiva israelita foi classificada como “intolerável” e está a ser interpretada como uma violação da trégua de dez dias anunciadas por Trump.
Sistema de portagens no Estreito de Ormuz é "ilegal e inaceitável"
Dirigindo-se diretamente aos aliados, Rubio pediu aos homólogos que se preparem para assumir um papel ativo no pós-guerra, referindo-se a uma coligação internacional para o Estreito de Ormuz como uma “necessidade pós-conflito”.
Neste sentido, instou os aliados dos EUA na Europa e na Ásia a “contribuir significativamente” para proteger o estreito assim que a guerra terminar, já que, diz, estes países “têm muito em jogo”.
“Logo depois de isto acabar e de termos cumprido os nossos objetivos, um dos desafios imediatos que vamos enfrentar é um Irão que pode decidir que quer estabelecer um sistema de portagens no Estreito de Ormuz. Não só isso é ilegal, como é inaceitável, perigoso para o mundo, e é importante que o mundo tenha um plano para o enfrentar”, reforçou.
O secretário de Estado admitiu ainda que os EUA estão dispostos a fazer parte dessa coligação para garantir a navegação “segura” na região e impedir um sistema de portagens na passagem estratégica para o transporte de bens petrolíferos.