Estes são os 10 pontos que servem de base para o cessar-fogo no Médio Oriente

António Guimarães , Atualizada às 11:43
8 abr, 00:39
O cenário de destruição no Irão (Hassan Ghaedi/Anadolu via Getty Images)

Plano apresentado pelo Irão tem no Estreito de Ormuz a grande pérola, mas há várias exigências do lado iraniano

O Irão não voltará a ser atacado, as sanções impostas pelos Estados Unidos ao Irão serão levantadas e, talvez a cereja no topo do bolo para todo o mundo, o Estreito de Ormuz vai ser reaberto, mesmo que condicionantes.

Estados Unidos e Irão anunciaram um cessar-fogo, ainda que a retórica de cada um deles atribua méritos e visões diferentes sobre o que isso significa.

Olhando para a mensagem do presidente dos Estados Unidos e para as informações vindas do Irão, o princípio de acordo que empurrou as partes para conversações que começam esta sexta-feira tendo em vista o fim definitivo da guerra tem como grande base o plano de 10 pontos exigidos por Teerão.

Os pontos em questão são os seguintes:

1. Garantia de que o Irão não será novamente atacado;

2. Fim permanente da guerra, não apenas um cessar-fogo;

3. Fim dos ataques israelitas no Líbano;

4. Levantamento de todas as sanções dos EUA contra o Irão;

5. Fim de todos os combates regionais contra aliados iranianos;

6. O Irão reabrirá o Estreito de Ormuz;

7. O Irão imporá uma taxa de dois milhões de dólares por navio em trânsito por Ormuz;

8. O Irão dividiria estas taxas com Omã;

9. O Irão estabelecerá regras para a passagem segura por Ormuz;

10. O Irão utilizaria as taxas de Ormuz para a reconstrução em vez de reparações.

Entretanto, a embaixada do Irão na Índia apresentou uma lista um pouco diferente, onde começa por incluir a aceitação do enriquecimento de urânio, num ponto até aqui não sabido, mas que acaba por ser estranho, já que o fim do programa nuclear do Irão era uma das premissas inegociáveis dos Estados Unidos.

De acordo com a publicação feita nas redes sociais, o plano divide-se nos seguintes planos:

1. Não agressão

2. Continuação do controlo do Irão sobre o Estreito de Ormuz;

3. Aceitação do enriquecimento de urânio;

4. Suspensão de todas as sanções primárias;

5. Suspensão de todas as sanções secundárias;

6. Encerramento de todas as resoluções do Conselho de Segurança da ONU;

7. Encerramento de todas as resoluções do Conselho de Governadores da AIEA;

8. Pagamento de indemnização ao Irão;

9. Retirada das forças de combate dos EUA da região;

10.Cessação da guerra em todas as frentes, incluindo contra a heróica Resistência Islâmica do Líbano.

Nem todos os pontos foram abordados pelas duas partes, mas o Irão fez questão de lembrar que a bomba económica está do seu lado. O mesmo é dizer que não há segurança no Estreito de Ormuz se Teerão assim o quiser.

Por isso mesmo, o comunicado do ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, foi taxativo a lembrar que a libertação do Estreito de Ormuz será sempre coordenada pelas Forças Armadas iranianas.

De acordo com a imprensa estatal, é também necessário acabar toda a guerra na região, incluindo contra os grupos pró-Irão como o Hezbollah e o Hamas, além da saída de todas as forças norte-americanas das bases no Médio Oriente.

Levando essa exigência à letra, o mesmo significa que Israel, a terceira parte envolvida no conflito, terá de parar os ataques contra o Hamas na Faixa de Gaza, onde a guerra continua ininterruptamente desde 7 de outubro de 2023. Em paralelo, as ofensivas no Líbano contra o Hezbollah também terão de acabar.

De resto, o Irão também avisou que a existência de conversações com os Estados Unidos não significa o fim da guerra, já que isso só acontecerá quando forem finalizados todos os detalhes, que devem ir ao encontro do plano de 10 pontos.

O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão prometeu mesmo continuar com "os dedos no gatilho", sendo que “o mais pequeno erro vai ser respondido com força total”.

Médio Oriente

Mais Médio Oriente

Mais Lidas