Plano apresentado pelo Irão tem no Estreito de Ormuz a grande pérola, mas há várias exigências do lado iraniano
O Irão não voltará a ser atacado, as sanções impostas pelos Estados Unidos ao Irão serão levantadas e, talvez a cereja no topo do bolo para todo o mundo, o Estreito de Ormuz vai ser reaberto, mesmo que condicionantes.
Estados Unidos e Irão anunciaram um cessar-fogo, ainda que a retórica de cada um deles atribua méritos e visões diferentes sobre o que isso significa.
Olhando para a mensagem do presidente dos Estados Unidos e para as informações vindas do Irão, o princípio de acordo que empurrou as partes para conversações que começam esta sexta-feira tendo em vista o fim definitivo da guerra tem como grande base o plano de 10 pontos exigidos por Teerão.
Os pontos em questão são os seguintes:
1. Garantia de que o Irão não será novamente atacado;
2. Fim permanente da guerra, não apenas um cessar-fogo;
3. Fim dos ataques israelitas no Líbano;
4. Levantamento de todas as sanções dos EUA contra o Irão;
5. Fim de todos os combates regionais contra aliados iranianos;
6. O Irão reabrirá o Estreito de Ormuz;
7. O Irão imporá uma taxa de dois milhões de dólares por navio em trânsito por Ormuz;
8. O Irão dividiria estas taxas com Omã;
9. O Irão estabelecerá regras para a passagem segura por Ormuz;
10. O Irão utilizaria as taxas de Ormuz para a reconstrução em vez de reparações.
Entretanto, a embaixada do Irão na Índia apresentou uma lista um pouco diferente, onde começa por incluir a aceitação do enriquecimento de urânio, num ponto até aqui não sabido, mas que acaba por ser estranho, já que o fim do programa nuclear do Irão era uma das premissas inegociáveis dos Estados Unidos.
De acordo com a publicação feita nas redes sociais, o plano divide-se nos seguintes planos:
1. Não agressão
2. Continuação do controlo do Irão sobre o Estreito de Ormuz;
3. Aceitação do enriquecimento de urânio;
4. Suspensão de todas as sanções primárias;
5. Suspensão de todas as sanções secundárias;
6. Encerramento de todas as resoluções do Conselho de Segurança da ONU;
7. Encerramento de todas as resoluções do Conselho de Governadores da AIEA;
8. Pagamento de indemnização ao Irão;
9. Retirada das forças de combate dos EUA da região;
10.Cessação da guerra em todas as frentes, incluindo contra a heróica Resistência Islâmica do Líbano.
Nem todos os pontos foram abordados pelas duas partes, mas o Irão fez questão de lembrar que a bomba económica está do seu lado. O mesmo é dizer que não há segurança no Estreito de Ormuz se Teerão assim o quiser.
Por isso mesmo, o comunicado do ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, foi taxativo a lembrar que a libertação do Estreito de Ormuz será sempre coordenada pelas Forças Armadas iranianas.
De acordo com a imprensa estatal, é também necessário acabar toda a guerra na região, incluindo contra os grupos pró-Irão como o Hezbollah e o Hamas, além da saída de todas as forças norte-americanas das bases no Médio Oriente.
Levando essa exigência à letra, o mesmo significa que Israel, a terceira parte envolvida no conflito, terá de parar os ataques contra o Hamas na Faixa de Gaza, onde a guerra continua ininterruptamente desde 7 de outubro de 2023. Em paralelo, as ofensivas no Líbano contra o Hezbollah também terão de acabar.
De resto, o Irão também avisou que a existência de conversações com os Estados Unidos não significa o fim da guerra, já que isso só acontecerá quando forem finalizados todos os detalhes, que devem ir ao encontro do plano de 10 pontos.
O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão prometeu mesmo continuar com "os dedos no gatilho", sendo que “o mais pequeno erro vai ser respondido com força total”.