O presidente norte-americano revelou na Truth Social que o tripulante do caça abatido na sexta-feira sofreu ferimentos, mas vai ficar bem. Os especialistas ouvidos pela CNN Internacional concordam que esta foi uma operação "notável" e com muitos riscos: "Mais ninguém conseguiria realizar algo assim como as Forças Armadas dos EUA fizeram"
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou este domingo que foi resgatado o segundo piloto de um avião de combate norte-americano abatido no espaço aéreo do Irão, na sexta-feira.
Trump escreveu nas redes sociais que o piloto, desaparecido desde que o avião se despenhou, está ferido, sofreu ferimentos mas "ficará bem". Acrescentou que o resgate foi uma operação "ousada" que envolveu "dezenas de aeronaves" e que os EUA estavam a acompanhar a localização do piloto "24 horas por dia e a planear diligentemente o seu resgate".
“Ele sofreu ferimentos, mas vai ficar bem. Esta milagrosa operação de busca e salvamento soma-se ao resgate bem-sucedido de outro piloto corajoso, ontem, que não confirmámos para não comprometer a nossa segunda operação de resgate”, disse Trump. “Esta é a primeira vez na história militar que dois pilotos americanos são resgatados, separadamente, em território inimigo. Jamais abandonaremos um combatente americano!”
Trump disse que o duplo resgate comprova “o domínio e a superioridade aérea sobre os céus iranianos”, sem mencionar como o F-15 foi abatido pelas forças iranianas.
“Este é um momento do qual todos os americanos, republicanos, democratas e todos os outros, se devem orgulhar e unir. Temos realmente as melhores, mais profissionais e letais Forças Armadas da História do Mundo. Deus abençoe a América, Deus abençoe as nossas tropas e feliz Páscoa para todos!” disse Trump, poucos minutos depois da meia-noite do domingo de Páscoa.
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Na sexta-feira, o exército iraniano anunciou que tinha abatido um caça norte-americano. A polícia, num comunicado divulgado pelas forças de segurança iranianas, referiu que o avião foi abatido na província de Kohgiluyeh e Boyer-Ahmad, no sudoeste do país. Um dos dois pilotos da aeronave foi resgatado com vida pelos EUA logo a seguir ao incidente. O caça foi a primeira aeronave norte-americana a cair em território iraniano desde o início do conflito, em 28 de fevereiro.
Uma intensa operação de busca e salvamento foi iniciada após a queda do caça F-15, enquanto o Irão prometia também uma recompensa para quem entregasse o "piloto inimigo". As buscas concentraram-se numa região montanhosa nas províncias de Kohgiluyeh e Boyer-Ahmad, no sudoeste do Irão.
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A operação foi "notável": "Mais ninguém conseguiria realizar algo assim como as Forças Armadas dos EUA fizeram"
O piloto contactou as forças armadas dos EUA na sexta-feira, em território inimigo, preparando o terreno para a dramática operação de resgate, disse Jim Sciutto, analista de segurança dos EUA da CNN, citando fontes. Sciutto afirmou que as forças armadas norte-americanas tiveram "comunicações iniciais" com o homem ao meio-dia, hora do leste dos EUA, nesse dia, após o que as autoridades intensificaram os esforços para o localizar.
"Disseram-me também que se tinha ferido inicialmente na ejeção, o que, obviamente, apresentou outras dificuldades, pois estavam preocupados em retirá-lo em segurança e em poder tratar os seus ferimentos", contou. A operação foi "notável", disse Sciutto, acrescentando que envolveu aeronaves a voar a baixa altitude para procurar o militar, o que as colocou "em risco de serem alvejadas".
A operação dos EUA para resgatar militares abatidos no Irão terá começado no momento em que a Força Aérea confirmou a perda de uma aeronave — exigindo uma operação conjunta maciça entre vários ramos das Forças Armadas e os seus parceiros, disse à CNN Internacional Mick Ryan, investigador sénior de estudos militares do Instituto Lowy e major-general aposentado do Exército Australiano.
“A Força Aérea dos EUA, as Forças Especiais do Exército dos EUA e uma série de outras organizações ter-se-ão reunido, planeando a operação de resgate e elaborando várias opções para resgatar os dois tripulantes”, explicou. “Mais ninguém no mundo conseguiria realizar algo assim como as Forças Armadas dos EUA fizeram.”
A operação enfrentava os riscos inerentes a sobrevoar o território iraniano, pelo que as forças norte-americanas terão analisado o sistema de defesa aérea do Irão ao planear o resgate, disse Ryan. Mas tinham uma vantagem: após mais de um mês de guerra, a capacidade de defesa do Irão estava severamente comprometida. “Houve mais de 10.000 missões até agora, com apenas um caça perdido”, acrescentou. “Portanto, penso que, de um modo geral, a força aérea dos EUA tem sido bastante bem-sucedida (em suprimir as defesas aéreas iranianas).”
Esta terá sido uma missão “extremamente perigosa”, concordou o major-general na reserva Mark MacCarley, em declarações à CNN, sublinhando que o terreno na área era montanhoso e “no meio do nada”, e que as autoridades iranianas tinham oferecido uma recompensa pela sua captura. “Ele efejetou-se. Está ferido. Tem um equipamento muito leve, ou seja, poucas rações, um pouco de água, e aqui está ele, no meio do nada, a tentar escapar a vários iranianos que foram motivados por esta oferta”, explicou o general na reserva. “Juntando tudo isto, foi extremamente perigoso”, concluiu.
MacCarley disse ainda que o militar poderá ter sido localizado através de um sinalizador de emergência que envia sinais para o quartel-general de comando após a queda de um caça. “O sinal deve ter emitido informações continuamente sobre a localização deste tripulante".
Uma série de imprevistos poderiam ter acontecido durante a missão de resgate, acrescentou à CNN o coronel reformado da Força Aérea dos EUA, Cedric Leighton, sublinhando que a área remota está repleta de pó e sujidade que podem danificar os motores e o trem de aterragem de uma aeronave. O terreno é "bastante acidentado", explicou. "Alguém pode perder-se numa aldeia e, de repente, dar de caras com um polícia", disse. "Este é o tipo de coisas, pequenas ou grandes, que podem correr mal. E quando correm mal, podem ser desastrosas para a missão."
O coronel na reserva disse que uma missão de resgate como esta geralmente exige uma rotina altamente coreografada, onde "cada detalhe precisa de funcionar perfeitamente para que tudo se encaixe". A tecnologia capaz de rastrear o aviador desaparecido também contribuiu para o sucesso de uma missão que dificilmente teria sido possível há décadas.