Cinco países juntaram-se para convencer os EUA a não atacarem o Irão. Entretanto há um porta-aviões a caminho da região

15 jan, 19:43
Protestos contra o regime do Irão em Israel (Ohad Zwigenberg/AP)

Donald Trump recebeu uma informação vital para manter tudo em suspenso, mas há quem veja o presidente norte-americano com o dedo pronto a disparar o gatilho

Corre a conversa nos bastidores da Casa Branca sobre o que devem fazer os Estados Unidos em relação ao Irão. Entre uma intervenção militar e a diplomacia, até mesmo a administração Trump se vai dividindo, já que o vice-presidente, JD Vance, parece ser a favor do diálogo, enquanto o presidente, Donald Trump, está mais inclinado para um ataque.

Em todo o caso, esse cenário parece agora mais longe, já que vários governos de países árabes tentaram sensibilizar Donald Trump, pedindo que não ataque o Irão por causa dos protestos que já mataram mais de duas mil pessoas, de acordo com várias organizações de direitos humanos.

De acordo com o Financial Times, que cita três fontes próximas de governos árabes, estas mesmas conversações conseguiram atingir o objetivo principal: desescalar as tensões e colocar Donald Trump a repensar o que fazer.

Foi isso que andaram a fazer Arábia Saudita, Turquia, Catar, Omã e Egito, numa junção de esforços que tenta apaziguar o crescimento das tensões, enquanto no Irão os protestos não param, com milhares de pessoas nas ruas todos os dias a pedirem o fim do regime dos aiatolas.

No poder, o aiatola Ali Khamenei e o governo vão defendendo que isto é o eco de uma pequena minoria que está ao serviço e a ser instrumentalizada por Donald Trump, o que está a provocar uma divisão na sociedade iraniana que é até visível no que vai passando para fora - nas redes sociais o que se vê são protestos, na televisão vê-se a destruição do espaço público.

“As coisas desescalaram por agora”, confirma uma fonte árabe ao Financial Times, referindo que “os Estados Unidos estão a dar tempo para conversas com o Irão e para ver onde as coisas vão a partir daí”.

Foi através dessa comunicação que responsáveis iranianos garantiram a Donald Trump que não haverá execuções de manifestantes, numa informação que o presidente dos Estados Unidos confirmou ter recebido, e que se seguiu à notícia de que Erfan Soltani, que seria o primeiro a morrer às mãos do Estado na sequência dos protestos, não tinha sido executado.

A informação vinda dos dois lados faz, assim, crescer a confiança de que um ataque militar é evitável, mas há ainda muito por onde escavar para chegar à segurança, até porque a Casa Branca avisou, já na tarde desta quinta-feira, para “consequências graves” caso a palavra do Irão não se mantenha.

Para o Irão, o fundamental é que Donald Trump não parta para os atos com a expressão que utilizou há dias, quando referiu que “a ajuda está a caminho”, numa declaração de esperança aos manifestantes, mas que pode agora cair no vazio.

E mesmo perante as negociações em curso, todas as movimentações apontam para um estado de prontidão dos Estados Unidos, que já deslocaram pessoal da sua maior base no Médio Oriente, no Catar, e até chamaram o porta-aviões USS Lincoln, que estava no Oceano Índico, para a região.

“Disseram-nos que as mortes no Irão estão a parar, e estão a parar. Estão a parar e não há planos para execuções ou execução”, referiu Donald Trump.

Caso o Irão dê a volta a esta promessa, os Estados Unidos estão prontos para avançar. Como diz um responsável da administração Trump ao Financial Times, o presidente dos Estados Unidos “está pronto para premir o gatilho e dizer que a desescalada é bluff”.

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