Catarina e os amigos chegaram ontem ao Dubai e já querem sair. Pediram ajuda à embaixada de Portugal mas "ninguém atende"

28 fev, 23:17

Grupo está a ponderar alugar um carro para fazer um trajeto complicado até à Turquia. Por agora vão passar a noite no parque de estacionamento do local onde estão

Catarina Carvalho estava na varanda a fazer vídeos para enviar aos amigos quando foi surpreendida por um clarão nos céus. Era a retaliação do Irão, que lançou centenas de mísseis balísticos e drones contra vários alvos no Médio Oriente, incluindo o Dubai.

É nesse emirado que está a portuguesa, que falou com a CNN Portugal quando já era de madrugada no local, onde só chegou no dia anterior.

Sem conseguirem contactar a embaixada de Portugal nos Emirados Árabes Unidos e sem informações das autoridades locais, Catarina e os amigos estavam nesse mesmo momento a recolher as malas para descerem do 22.º andar onde estavam até à cave, um sítio mais seguro caso prossigam os ataques do Irão.

“Viemos agora ao apartamento buscar as malas e vamos agora para o parque de estacionamento dormir lá”, conta à CNN Portugal através de videochamada.

É que só nos Emirados Árabes Unidos foram registados 132 disparos de mísseis e 195 drones, todos abatidos pela defesa, mas cujos destroços fizeram estragos. Foi o que aconteceu nos hotéis Fairmont The Palm ou Burj Al Arab, este último um dos edifícios mais icónicos do Dubai.

Catarina afirma que o grupo está inseguro com tudo o que se está a passar, até porque também o aeroporto sofreu danos depois de destroços caírem numa zona do complexo.

O pior, explica, é não conseguir entrar em contacto com alguém responsável que a ajude: “Estamos super inseguros aqui. Temos pessoas em Portugal a tentar [contactar a embaixada], ninguém atende”.

De resto, o mesmo acontece quando essa tentativa é feita pelo próprio grupo diretamente para Abu Dhabi, onde está a embaixada portuguesa nos Emirados Árabes Unidos.

“Estava a gravar um vídeo para amigos meus e o alarme do telemóvel começou a tocar a dizer para evacuar. As pessoas não têm informação”, lamenta, garantindo que não vê autoridades que a possam ajudar.

Perante esse cenário, o grupo pensa agora numa solução mais drástica, que pode passar pelo aluguer de um carro para deixar o Dubai e rumar à Turquia, o que implica atravessar praticamente toda a Península Arábica num trajeto de praticamente dois dias por zonas instáveis e inseguras como Iraque ou Síria.

“A alternativa que estivemos a ver é alugar um carro e ir até à Turquia”, indica, explicando que a partir daí esperam conseguir comprar um voo que os faça regressar a Portugal.

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