Trump ameaçou os aliados: ou NATO, Japão e Coreia do Sul ajudam no Irão como ele quer ou então "será muito mau" o futuro destas alianças. Trump também pede ajuda à China. Mas até ver: estão quase todos a dizer 'não' a Trump - a Dinamarca está de "espírito aberto" mas sublinha que os EUA já "não são o aliado mais próximo"
De Berlim, Trump recebeu um 'não' desta maneira: “"Esta não é a nossa guerra, não a começámos”. O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, vinca que o país não vai participar militarmente nas operações no Estreito de Ormuz, apesar o pedido norte-americano.
Pistorius garante que a Alemanha não se vai desviar do objetivo na Ucrânia, mesmo que a pressão mediática se tinha virado para o Irão neste momento. "Somos contra o aliviar das sanções contra a Rússia", sublinha, citado pela Reuters.
Pistorius aproveita ainda para questionar: o que é que uma mão cheia de fragatas europeias pode fazer que a poderosa marinha norte-americana não seja capaz?
De Londres, Trump ouviu também um 'não': “O Estreito de Ormuz não será uma missão da NATO”. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, diz que o Reino Unido não será arrastado para uma guerra alargada no Irão.
Starmer garante que o Reino Unido continuará a trabalhar numa resolução rápida, mas lembrou que quando a guerra acabar vai ser necessário existir algum tipo de acordo com o Irão. O primeiro-ministro britânico realçou, no entanto, que a reabertura do Estreito de Ormuz não é uma tarefa simples.
O governo grego também anunciou que não tem qualquer intenção de se envolver nas operações no Estreito de Ormuz.
Entretanto foi Itália a anunciar o mesmo. O ministro dos Negócios Estrangeiros italiano diz que a aproximação correta a utilizar no Estreito de Ormuz é a diplomacia, acrescentando que a Itália não tem atualmente nenhuma missão naval que possa ser deslocada para o Estreito de Ormuz.
A Austrália também não vai enviar navios de guerra para o Estreito de Ormuz. “Não enviaremos nenhum navio para o Estreito de Ormuz. Sabemos o quanto isso é extremamente importante, mas não é algo que nos tenha sido pedido nem para o qual estejamos a contribuir”, declarou a ministra dos Transportes australiana, Catherine King, em declarações à emissora nacional ABC.
Também o Japão indicou que “não prevê” uma operação de segurança marítima no estreito de Ormuz. “Na situação atual no Irão, não tencionamos ordenar uma operação de segurança marítima”, declarou, perante o Parlamento, o ministro da Defesa nipónico, Shinjiro Koizumi.
Enquanto isso, na Dinamarca, a primeira-ministra, Mette Frederiksen, diz que os EUA já não são o aliado mais próximo. E, em resposta ao pedido de Donald Trump, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, afirma que é preciso analisar-se a questão com espírito aberto de maneira a perceber de que maneira podem os dinamarqueses contribuir para facilitar a navegação no Estreito de Ormuz.
A ameaça
Donald Trump quer a ajuda dos aliados para reabrir o Estreito de Ormuz, ou melhor, Donald Trump exige a ajuda dos aliados para reabrir a via marítima por onde passa um quinto da produção mundial de petróleo e que foi encerrada pelo Irão após a guerra iniciada pelos EUA e Israel.
A NATO é a principal visada da ameaça, mas também os aliados asiáticos - Coreia do Sul e Japão - e ainda o rival económico China, que devem, segundo o presidente dos Estados Unidos, juntar-se ao esforço de guerra norte-americano, que dura já há duas semanas.
"É apenas apropriado que aqueles que beneficiam do Estreito ajudem a garantir que nada de mau acontece ali", argumentou Trump, em entrevista ao Financial Times, sublinhando que a Europa e a China dependem fortemente do petróleo proveniente do Golfo, ao contrário dos Estados Unidos.
"Se não houver resposta ou se a resposta for negativa, acho que será muito mau para o futuro da NATO", acrescentou, durante uma entrevista telefónica de oito minutos.
Para Trump nem devia ser preciso pedir ajuda, por tudo o que os EUA têm feito pela Ucrânia na guerra com a Rússia. "Temos uma coisa chamada NATO. Fomos muito simpáticos. Não tínhamos de os ajudar na Ucrânia. A Ucrânia está a milhares de quilómetros de nós, mas ajudámos. Agora vamos ver se eles nos ajudam. Porque há muito tempo que digo que estaremos lá por eles, mas eles não estarão por nós. E não tenho a certeza de que estariam", afirmou.
Sobre o tipo de ajuda que pretende, depois de responder "o que for preciso", acabou por confirmar que gostaria que os aliados enviassem, por exemplo, navios caça-minas, que a Europa terá em maior número do que os Estados Unidos, mas também tropas.